No caminho da dança…

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"Uma dança de paixão":imagem de"Lecuona", espetáculo do grupo Corpo, exibido no Fórum

Por Aldine Mara

Juiz de Fora foi palco na última semana do primeiro Fórum de Dança da cidade. Com o tema: “Dança, o caminho e o tempo”, representantes da área tiveram a oportunidade de debater sobre o assunto no evento promovido pela FUNALFA. A programação, que aconteceu no Anfiteatro João Carriço, teve início no dia 26 e terminou no dia 30, com entrada franca todos os dias. Os participantes assistiram a filmes que abordaram momentos importantes da dança desde o século XVIII até a atualidade. E, no último dia, alguns dos principais representantes dessa arte em Juiz de Fora, como Silvana Marques, Sylvia Renhe, Myriam Mockdece Lacerda, Christine Silmor e Marcos Vinicius Amaral Ribeiro presidiram um colóquio com a participação do público.

De acordo com a organizadora do Fórum, Gabriele Generoso, o encontro partiu de outro evento, o Festival de Dança de Juiz de Fora, realizado também pela primeira vez em junho desse ano: “Uma das coisas levantadas pelos artistas que participaram do Festival foi a idéia de realizar um evento que reunisse toda a classe artística da cidade e que buscasse a formação de público e a formação dos próprios artistas”, comenta.

 Apesar de ser a primeira vez que um evento como esse é realizado em Juiz de Fora, Gabriele afirma que outras iniciativas para divulgar a dança já são feitas: “É a primeira vez que foi feito o Fórum. Mas alguns artistas da cidade, como os que participaram do colóquio, já promovem ações nos espaços deles que têm, mais ou menos, o mesmo objetivo, só não tem esse nome”, explica.

 Para ajudar nessa formação, quatro filmes foram apresentados ao público: “O lago dos cisnes” (1968 – Remontagem com o Ballet da Ópera de Viena); “Vespers” (1977 – Diálogo entre a dança moderna e o jazz) ; “Café Muller” (1978 – Dança Pós-Moderna) e  “Lecuona” (2004 – Releitura da dança de salão com o Grupo Corpo). Antes de cada sessão, foi feita uma breve explicação sobre o período histórico, o estilo de dança e o grupo que estava se apresentando. Perguntada o por quê do uso de vídeos, a organizadora responde: “É muito difícil para as pessoas saírem daqui para verem esses espetáculos. Existem companhias que nunca vieram ao Brasil. Então, a gente pegou os vídeos de companhias de fora (Europa e EUA) para o público ter a oportunidade de, pelo menos, assistir aos espetáculos. E, antes, eu faço uma contextualização localizando cronológica e historicamente os espetáculos para título de informação. Assim, eles podem levar essas informações para suas academias e companhias”, revela.

 Quanto à participação, o público deixou a desejar. Pelo menos é o que revelou Gabriele: “Infelizmente, a freqüência foi fraca. A principio, achei que fosse pela coincidência de eventos, como o Festival de Cinema Primeiro Plano que tem uma representatividade grande. Mas, eu estive no festival também e não vi muitos representantes da dança participando lá”, comenta. Porém, mesmo com um público baixo, a organizadora não desanimou: “Eu acho que o Fórum tem que acontecer e uma hora as pessoas vão se abrir para isso”, diz.

 Colóquio

Com cerca de três horas de duração, o último dia do Fórum foi marcado por um colóquio. Profissionais da área puderam contar a história do seu trabalho na cidade e discutir a situação da dança em Juiz de Fora. O ponto forte do encontro foi estabelecer novas datas e eventos para que haja integração entre os bailarinos juizforanos e, além disso, buscar apoio do poder público para que a cidade esteja em contato com outras localidades e se torne referência nacional.

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"Temos que sair um pouco dos nossos estúdios e interagir com outros profissionais de dança na cidade", Silvana Marques antes da aula de dança de salão

Uma das participantes do debate foi a professora de dança de salão, Silvana Marques. Referência quando se trata desse estilo de dança, Silvana dá aula na cidade há 18 anos. Para ela, apenas o Festival não é suficiente para que haja um contato entre os profissionais da cidade: “Será que apenas um evento anual [Festival de Dança] supre a necessidade da dança na cidade? A continuação desce Fórum é importante porque fica cada um em uma ilha vivendo as mesmas coisas, as mesmas dificuldades. A idéia é que a gente consiga se reunir pelo menos mensalmente pra tentar ter um diálogo maior e se unir pra tentar melhorar a situação da dança na cidade”, explica.

Outra questão que foi reforçada pela a professora foi a do investimento público. Contemplada pela Lei Murilo Mendes esse ano, Silvana se diz motivada a realizar o trabalho quando tem apoio: “Eu estou super feliz. Estou elaborando um espetáculo em que vou contar a vida de Geraldo Pereira, um sambista juizforano que teve fama nacional através da dança. E isso me deixa muito satisfeita, de poder criar tendo um subsidio”, comenta.

 Quanto à situação da dança em Juiz de Fora, Silvana acredita que a população tenha se envolvido mais com a arte: “a minha área que é dança social, a dança de salão, tem crescido muito, e graças a mídia também. Mas as pessoas estão sacando que a dança é legal. Às vezes elas não têm aptidão para irem a uma academia e procuram uma atividade física mais prazerosa, que elas possam usar no cotidiano delas”, diz.

É o que também pensa a organizadora do Fórum, Gabriele. De acordo com ela, é possível ver a dança de uma forma positiva em Juiz de Fora: “Há cinco anos quase que não tinha opções, tanto de espetáculo quanto de cursos de dança aqui na cidade. Só esse ano, já vieram vários espetáculos e várias pessoas têm se empenhado em trazer profissionais de fora. Eu vejo que, hoje, há uma efervescência de possibilidades muito grandes em Juiz de Fora”, finaliza. 

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