Fábrica de materiais esportivos de Juiz de Fora movimenta a economia e o esporte na cidade

por Hellen Katherine

Camisas, bonés, redes e bolas de várias modalidades esportivas. Essa é a principal produção da Fábrica de Material Esportivo de Juiz de Fora, considerada a segunda maior do país, depois da unidade em Feira de Santana, na Bahia. O projeto, apoiado pelo Governo Federal através do Ministério do Esporte e do Ministério da Justiça e, em Juiz de Fora, coordenado pelo Instituto Cidade, foi implantado com recursos de, aproximadamente, 2 milhões de reais e já criou na cidade mais de 200 postos de trabalho.

Todo o material é comprado pelo Ministério do Esporte.

A Fábrica visa a produção de material esportivo que será repassado às escolas públicas e programas do Governo Federal, como o Segundo Tempo, programa do qual o Instituto Cidade também é parceiro desde 2006. O projeto da Fábrica é formado por dois programas sociais: Pintando a Liberdade e Pintando a Cidadania. Ambos buscam inserir um público diferenciado no processo produtivo, gerando renda por meio de cooperativas. Além do material, existe ainda uma equipe de serigrafia responsável pelo silk de tudo que é confeccionado no local.

Os principais participantes do projeto são cidadãos de baixa renda que necessitam de complemento financeiro ou pessoas que cumprem ou já cumpriram pena em regime fechado ou semiaberto. A fábrica funciona há três meses, mas, desde o início do ano, os participantes já estavam sendo capacitados profissionalmente para suas diferentes funções.

A fábrica funciona no bairro Santa Terezinha e, dentro dela, trabalham, atualmente, cerca de 70 pessoas. Porém, segundo o coordenador do Núcleo de Comunicação do Instituto Cidade, Marcus Martins, o número de beneficiados com o projeto é bem maior. “Fora da fábrica, existem pequenas cooperativas, núcleos que produzem pra gente. Eles não vão pra fábrica, porque o projeto não prevê vale transporte. Então, há uma kombi que vai até lá, leva todo o material, busca a produção e paga. O mesmo acontece nas penitenciárias. Então, ao todo, juntando público direto e indireto, deve chegar em 200 vagas”, explica.

De acordo com Marcus, além do Segundo Tempo, existem muitos outros

Marcus Martins acredita que os benefícios do projeto vão além do esporte.

programas beneficiados pela produção da Fábrica no Brasil inteiro e, inclusive, fora do país. “O Ministério do Esporte está levando suas parcerias com outros países, como a África. Está levando a assistência do esporte e sua experiência para lá. O que é produzido aqui é levado para fora também, então, são milhões de pessoas beneficiadas com esse projeto”, constata.

Marcus afirma que o benefício da Fábrica não diz respeito apenas ao aspecto financeiro, mas também à questão social. “Muita gente não tinha noção do processo de produção e tiveram noções de cooperativismo e cidadania, que é o objetivo do Instituto Cidade. Essa fábrica gera renda e é uma forma que a gente encontra para que elas se sintam incluídas socialmente”. O dinheiro ajuda os funcionários da fábrica a terem acesso a outras condições de vida e de trabalho. Porém, o coordenador garante que a maior vantagem do projeto é a transformação observada em cada um. “A gente vê essas pessoas serem transformadas. Essa é a oportunidade, são vários problemas que você está ajudando a resolver, não resolvendo, mas ajudando a resolver”.

Quanto ao esporte, Marcus acredita que Juiz de Fora tem um grande ganho, pois o projeto acaba formando pessoas que, no futuro, podem abrir suas próprias fábricas e dar mais visibilidade ainda à cidade. “O esporte acaba ganhando de qualquer forma, pois sabendo que há um projeto como esse, a nível federal, você consegue estreitar relações com o governo para fazer com que o esporte municipal seja visto”, completa.

Os programas

O programa Pintando a Liberdade tem o objetivo de incluir os internos do Sistema Penitenciário novamente na sociedade. Os participantes recebem todo o treinamento para fabricação dos materiais esportivos. O salário é de acordo com a produção e, a cada três dias de trabalho, há a redução de um dia na pena dos beneficiados.

Já o programa Pintando a Cidadania é voltado para pessoas em situação de risco social, que moram em comunidades carentes. O objetivo é promover o ingresso no mercado de trabalho e capacitar profissionalmente os participantes do projeto.

 

Inauguração é adiada

 

A inauguração da Fábrica de Material Esportivo estava prevista para acontecer no dia 20 de novembro. O evento contaria com apresentação cultural de funcionários, bem como apresentação de um coral da fábrica, que estava sendo ensaiado. A programação contava também com um coquetel e com a apresentação da fábrica para a cidade. “É a chance de a sociedade conhecer o local e todo o projeto, saber como ele funciona”, diz Marcus.

Porém, a notícia da presença do presidente Lula em Juiz de Fora fez com que a inauguração fosse adiada para o dia 15 de dezembro. A organização tenta, agora, confirmar a participação do presidente no evento. “Desmontamos toda a estrutura, remarcamos com todas as pessoas e reforçamos o convite para o dia 15, em respeito à agenda do Governo Federal. Ainda estamos reorganizando a programação”.

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