Teatro em Juiz de Fora

Por Pedro Brasil

As origens e a importância cultural da arte de representar

Marcos Marinho, José Luiz Ribeiro, Márcia Falabella, Pedro Bismarck, Natálio Luz, Loló Neves, Nilza James, José Eduardo Arcuri, Toninho Dutra, Cintia Brugiolo, Luciana Fins, Gueminho Bernardes. O que esses nomes têm em comum? Todos eles são atores e atrizes importantes da nossa cidade.

Vários grupos teatrais fazem parte desses anos de história. Entre tragédias e comédias, a cidade foi se desenvolvendo e tomando sua face atual, de centro cultural e artístico. O Diretor, Ator e Produtor do Grupo Divulgação, um dos mais antigos de Juiz de Fora, acredita que “a história do teatro de Juiz de Fora se confunde com o desenvolvimento da cidade. Existe uma vertente muito forte do teatro feito em escolas, depois o teatro feito em Associações Culturais. Os grêmios recreativos tiveram um papel importante. O teatro estudantil foi responsável por manter acesa a chama durante muitos anos. Agora se esboça uma pequena vertente de grupos profissionais”.

Dia do Teatro

Apesar das dificuldades, os atores do Brasil têm o que comemorar. Afinal de contas, dia 27 de março é festejado o Dia Internacional do Teatro e do Circo. Em Juiz de Fora, o dia do Teatro é comemorado há 25 anos com o “Seminário: Os caminhos do teatro”, promovido pelo Fórum da Cultura. Além disso, a Cia. de Atores Academia apresentou no último final de semana de março, a peça “O Grande Circo Místico”, musical de Edu Lobo e Chico Buarque.

História do Teatro em Juiz de Fora

Não há um registro oficial sobre o “nascimento” do teatro na cidade. Alguns registros históricos apontam que, até 1858, quando Juiz de Fora ainda era um povoado, as primeiras manifestações teatrais surgiram para que, começaram a surgir. Através de uma ação comunitária para a construção de uma igreja no vale, eventos sociais eram realizados, ainda no prédio inacabado. E, entre circos de pano e taquaras, surgem as cavalhadas, consideradas as primeiras manifestações teatrais, dessa terra ainda povoada por coronéis.

Outros grupos de estudiosos acreditam que a primeira peça teatral da cidade aconteceu quando um grupo, vindo de fora, fez uma apresentação na casa do Dr. Eduardo de Menezes, como conta Albino Esteves em sua obra, “O Teatro em Juiz de Fora”. Desde então, inicia-se aqui uma caminhada que, a partir de 1858, mostra “as delícias de um cenário e maravilhas dos bastidores”. A partir daí, há uma verdadeira explosão de grupos teatrais. Misericórdia, o Perseverança e Novelli são exemplos dos grupos que nasceram para encenar suas peças nos novos espaços teatrais que surgiam como a Casa d’Itália e o Sírio e Libanês.

No dia 30 de março de 1929, a inauguração de um espaço agrega o público da cidade. O Cine-Teatro Central torna-se o centro das manifestações de artes cênicas e musicais da região. Juiz de Fora entra no cenário nacional e internacional de grandes peças, óperas, balés e concertos. Paralelamente a isso, colégios religiosos, como o Academia de Comércio, Colégio Santa Catarina e Instituto Granbery passam a desenvolver espetáculos teatrais.

O começo da década de 60 é marcado pela efervescência dos movimentos culturais e políticos. Em Juiz de Fora, podemos colocar o Teatro do Estudante do Brasil (futuro Teatro Universitário), apoiado pela recém-criada UFJF como modelo de um movimento de contestação. Em 1966, nasce o Centro de Estudos Teatrais, hoje conhecido como Grupo Divulgação.

Nos anos 70 e 80, uma nova “safra” de grupos surge apoiada pela maior atenção midiática sobre a cultura local. A efervescência de grupos também atinge as companhias de dança. O Grupo Sensorial e o Grupo Teatral Embaixo do Céu nascem nessa época. Os anos 90 são marcados pela tentativa de profissionalização dos grupos teatrais. A criação da Lei Murilo Mendes (que tem o objetivo de oferecer incentivos financeiros às criações culturais do município) aumentou as tentativas dos grupos de “viver apenas de Teatro”. Surgem também grupos especializados em teatro religioso, como o Grupo ART-Vida. Além disso, atores humorísticos da cidade ganham espaço no circuito da TV e do Teatro Nacional, como Loló Neves e Pedro Bismarck. De lá para cá, a veia humorística da cidade se intensifica e segue a tendência nacional pela busca do humor de improviso do Stand-up comedy (comediante sozinho, com texto próprio, com iluminação básica).

“Mede-se a cultura de um povo pelo seu teatro”  Garcia Lorca

O teatro é um formador de opinião. Pode ser questionador, educativo e discutir assuntos atuais, além de promover o crescimento cultural e social da cidade. O teatro é capaz de suscitar o raciocínio, poder de dedução e de crítica. “A arte mostra o que as pessoas não conseguem ou não querem ver. É importante na educação porque promove valores”, é o que acredita a produtora artística da Companhia de Atores Academia, Lella Ganimi.

Em Juiz de Fora, cidade com um potencial artístico enorme, o teatro é, além de uma forma de expressão das mais profundas e abrangentes, uma fonte de trabalho. Lella pondera que conhece “muitas pessoas que vivem exclusivamente da arte. Não é fácil, mas existe. Juiz de Fora ainda é uma cidade que, embora tenha muita gente boa, ainda não tem, na minha opinião, apoio, oportunidade e espaço apropriados”.

Professor José Luiz Ribeiro acredita que o teatro sofre concorrência direta com outras formas de entretenimento

Já José Luiz Ribeiro, diretor e produtor do Grupo Divulgação considera que são três fatores que dificultam a possibilidade do ator viver do Teatro, fatores esses que, segundo ele, são comuns aos grandes e médios centros culturais:

-A ausência de espectador que pague o preço justo de um produto artesanal.

-A ignorância da importância do teatro como formador de opinião.

-A concorrência de entretenimentos preferidos ao teatro. (bares e motéis, por exemplo).

Popularização do Teatro

Em Juiz de Fora, existem alguns projetos que auxiliam a popularização e democratização do teatro. Um deles é a Lei Murilo Mendes (lei municipal de cultura que financia os trabalhos selecionados da cidade) Outro é o projeto Sérgio Lessa (feito pelo teatro Central, concede o teatro gratuitamente para peças selecionadas, que podem cobrar ingresso de, no máximo, cinco reais). E o mais conhecido deles é o projeto da Campanha de Popularização do Teatro e Dança (feito todo início de ano com peças que foram apresentadas durante o ano anterior)

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