Esporte na infância: benefícios e cuidados

Por Alice Linhares 

A prática esportiva é reconhecidamente uma atividade que traz diversos benefícios à saúde e, além das questões físicas, o esporte ajuda também na consolidação de valores importantes como disciplina, respeito e superação. Quando a prática começa cedo, ainda na infância, os benefícios podem ser muito maiores. 

Equipe durante o treinamento

 

A professora e supervisora da equipe de ginástica olímpica da Recrear escolinha de esportes, que funciona em parceria com o Clube Bom Pastor, Roseana Mendes, ressalta que a atividade física auxilia no crescimento e no desenvolvimento biológico da criança. “A habilidade motora é muito beneficiada com a prática regular de esportes. A criança se desenvolve de uma forma muito melhor”, explica Roseana, que ainda destaca o valor do esporte para a parte psicológica e emotiva. “Acredito que o maior dos benefícios é a possibilidade da criança se envolver social e culturalmente”.            

Já a psicóloga Arlene Silvana da Motta Pires enfatiza a importância da prática ser acompanhada por um profissional qualificado. “Quando o trabalho é bem feito, as melhorias são muitas, principalmente para a auto-estima da criança. Mas quando começam a acontecer certos exageros e quando a prática está associada simplesmente à vaidade, existem riscos. A exigência muito grande e a busca pelo individualismo trazem conseqüências ruins para a criança.” 

A enfermeira Carolina Netto De Vitto sempre fez questão de que a filha praticasse esportes. Com um ano de idade, a menina começou a fazer natação, depois balé e hoje, com quatro anos, faz aulas de ginástica olímpica. Carolina acredita que o esporte é fundamental: “a prática ajuda no desenvolvimento motor da criança, no convívio com outras crianças. Quando ela começou a fazer natação eu adorei porque assim ela já tem o contato com a água. O balé ajuda no desenvolvimento da forma física. E a pessoa que pratica esportes não vai querer saber de droga, de bebida alcoólica e pensa mais na saúde do corpo”. (ouça na íntegra) 

Roseana comenta também sobre as modificações que acontecem quando a criança começa a praticar uma atividade física. “A gente vê a mudança que a pessoa que pratica esporte tem em relação ao todo. O esporte traz a relação do limite, envolve regras, que determinam também o conhecimento e o respeito ao outro, não só os integrantes do seu time, mas do outro time. Muitas crianças antes de praticar esporte não cuidavam das suas coisas e quando começam a praticar passam a seguir mais as regras”. (ouça na íntegra) 

Outro fator que deve ser observado, segundo a professora de ginástica olímpica, é o respeito à vontade da criança na hora de escolher o esporte. É importante que ela possa conhecer várias modalidades para que, então, escolha a que mais a agrada. Além disso, a professora acredita que é importante evitar a cobrança por um bom desempenho. Isso pode desestimular e trazer problemas, tanto físicos quanto emocionais. Arlene destaca que os pais tem uma grande responsabilidade: “vemos que muitas vezes os pais se envolvem mais do que os filhos e passam a exigir que os resultados sejam sempre perfeitos. Essa não é a postura correta. Os pais devem atuar como mediadores, não devem deixar que os filhos percam os valores pregados pelo esporte, como a coletividade e a busca pela superação dos limites.”   

Profissionalização ainda na infância 

Roseana dá aulas de ginástica para crianças de três a treze anos, da equipe da Recrear escolinha de esportes. As mais velhas já competem em grandes campeonatos regionais, estaduais e nacionais. Entre os dias 17 e 20 de junho vão acontecer as provas do Campeonato Mineiro, na cidade de Contagem (MG) e a equipe da Recrear vai ter representantes nas categorias pré-infantil, infantil e infanto-juvenil.     

A ginástica olímpica exige que os atletas comecem a se profissionalizar desde cedo. No entanto, de acordo com a professora, há um respeito aos limites de cada um e a própria federação modifica o regulamento para que a exigência 

Equipe da Recrear que disputou o V Torneio Nacional de Ginástica de Trampolim, realizado no Rio de Janeiro, em setembro de 2009

 

técnica para essas idades menores não seja tão grande quanto à dos adultos. Roseana acredita que a participação é o mais importante: “A vitória é passageira. Mas a participação e o aprendizado da competição são pra vida inteira, não é só aquele momento.” (ouça na íntegra) A psicóloga Arlene acrescenta que essa profissionalização pode ser boa para a criança, uma vez que traz responsabilidade e comprometimento. 

 “O mais importante é fazer com que a criança se sinta bem durante a prática esportiva. Assim, a qualidade de vida melhora e com certeza essa ela vai ser um adulto melhor”, completa Roseana.

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