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Internet na geração Z: conhecimento a mais ou desconhecimento?

Internet na Geração Z gera conhecimento ou desconhecimento?

Por Leonardo Civinelli e Marcella Campos


A cena é comum. Daniel Lima chega em casa todos os dias por volta das 12h30min. Além de praticar Judô, o adolescente de 13 anos é adepto da modalidade de ciclismo Downhill. Mas, ao chegar em casa, depois do almoço, não é a bicicleta que ele procura; é o seu computador, conectado a internet por uma banda larga de alta velocidade. A viagem pelos sites mais badalados do planeta (vídeos no youtube e jogos online) dura horas, só terminando antes da aula de inglês. Daniel não percebe, mas passou 3 horas em frente ao computador.

Alguns especialistas denominam que os nascidos na década de 1990 (já outros consideram de meados dos anos 80 a meados dos 90) constituem a chamada Geração Z; o fato é que esta geração tem algo em comum: são pessoas que nasceram imersas num mundo de tecnologia e globalização que tornou o acesso a informações muito mais dinâmico se comparado às gerações anteriores. Para elas, é normal a utilização da tecnologia e de recursos dos mais diversos, o que acelera o fluxo de aprendizado e exige um critério maior do usuário acerca de como deve utilizar seu tempo. Se em 1981 Bill Gates afirmou que 640 KB seria suficiente para uma pessoa usar a vida toda, a geração Z já cresceu acostumada a encher discos rígidos de mais de 300 GB, como no caso de Daniel. Toda esta realidade suscita uma discussão: o conteúdo que os adolescentes acessam na internet é de fato relevante para a formação profissional do mesmo?

Como reagir à geração Z? Como educar os filhos de modo que eles acessem a internet e busquem conteúdo relevante? Como evitar falhas na formação lingüística desta geração? Qual é o impacto destes aspectos no mercado? Os questionamentos são muitos. Quem nos ajuda a respondê-los é Adriana Bruna, mestre em Educação à distância. Para ela, “formar leitores é o grande desafio da Educação. Para formar leitores, você deve ser um leitor; temos um quadro na educação nacional em que não há uma grande quantidade de professores leitores. O outro ponto é que devemos compreender a realidade do aluno, que é um contexto midiático, repleto de games, e que para o ponto de vista dos adultos é caótico, porque você vê um jovem escutando seu Ipod, vendo televisão, com o Youtube aberto, e tudo ao mesmo tempo. E nós, adultos, temos dificuldades em entender este processo, pois os estudos ainda estão caminhando neste sentido”.

Daniel Lima, personagem inicial da reportagem, não se lembra do último livro que leu. “Acho que foi Percy Jackson, mas já tem um tempo” diz, referindo-se ao fenômeno da literatura infanto-juvenil que já vendeu milhões de cópias ao redor do mundo. Mas o adolescente tem consciência da importância da leitura: ”De tanto procurar sobre bicicletas e downhill, eu e meus amigos fizemos um blog e postamos sempre que possível alguma coisa pras outras pessoas verem, e pra escrever a gente tem que ler alguma coisa antes”, explica. A educadora Adriana Bruna comenta sobre uma possível disputa entre livros e internet: “A palavra de ordem do século XXI não é o “E”, mas sim o “Ou”. Não existe a questão de concorrência entre mídia impressa e digital; existem várias possibilidades e elas devem conviver. Fala-se de convergência das mídias, mas isso está além da simples integração de recursos. Entender que todas as mídias estão a serviço do conhecimento e das formas de aprendizado. E quem deve decidir o mais interessante é o usuário”, afirma.

Para avaliar o impacto da digitalização nas crianças, fizemos uma visita ao Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, onde se localiza a Biblioteca Municipal Murilo Mendes, a maior da cidade de Juiz de Fora. Na seção infanto-juvenil, encontramos Marília Pedrosa, bibliotecária há 6 anos. Ela revela que são realizadas uma série de atividades lúdicas para incentivar a leitura: clube de leitura, que acontece às terças e quintas-feiras no local, além de atividades com crianças, envolvendo livros, gibis, informativos – leitura com as crianças ou discussão sobre um devido tema.

Em geral, a freqüência do setor é de 1200 leitores/mês. Só no mês de abril, houveram 332 empréstimos de livros infantis. E ela é categórica ao afirmar: “a leitura para diversão ainda continua. Os pais que trazem desde novos os filhos, fazem com que eles continuem vindo mesmo depois de adultos”. Logo na sala ao lado, a frequência no laboratório de internet também chama a atenção: são 600 usuários por mês, que tem o limite de uma hora de uso cada um.”Em geral, as crianças preferem fazer pesquisas pela internet, e procuram a biblioteca para livros de entretenimento.”

Não apenas para respeitar e compreender a formação desta nova fase da sociedade, mas também para moldá-la e conscientizá-la da importância da leitura de conteúdo relevante é uma responsabilidade dos educadores, como se vê a partir dos relatos. A capacitação dos responsáveis pelo ensino torna-se uma necessidade para que a era digital não gere desconhecimento ao invés de conhecimento.

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Um país em busca do reconhecimento

Por Leonardo Civinelli


Rolando Paternina é estudante de Medicina, 23 anos, e vem de Mañizales, cidade do norte da Colômbia. Em intercâmbio no Brasil, Rolando é interessado no tema de HIV, com o qual já geriu projetos e trabalha na ONG Grupo Casa na cidade. Mas quando chega do trabalho, às 6 horas da tarde, já tem sua rotina: ler as notícias de seu país, prestes a realizar novas eleições presidenciais. Como um ritual religioso, o hábito se repete todos os dias, buscando reconhecer o orgulho de seu país; fica estampado no semblante o orgulho por Colômbia ter sido campeã panamericana sênior em jogos escolares, e o sentimento se espalha a cada palavra; mas como um país assolado por uma guerra civil, vítima de inúmeros preconceitos, encontra forças para crescer?

A Colômbia é o terceiro país mais rico da América Latina e tem 45 milhões de habitantes. Mas o fato que tornou o país conhecido foi o narcotráfico: problemas com uma milícia que insistiu em derrubar o poder público e, fortalecida em grande parte por cartéis de todos os países vizinhos, por anos se apoderou e espalhou o medo pelo país. Mas hoje, ações pontuais tornaram a força das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) bem menor do que antes. E mais do que isso, despertou no povo um patriotismo que há tempos era oculto pelo medo. “Eu posso mudar a imagem de meu país sendo uma imagem viva do que representa a Colômbia. A paixão dos colombianos, a beleza de suas terras e as oportunidades de melhorar no cotidiano. Creio que a melhor maneira de mudar nossa imagem é mostrar o que somos e não o que os meios de comunicação mostram sobre minha terra”, afirma Rolando.

O engajamento nas eleições vai desde campanhas com os amigos, apresentação de danças colombianas e, principalmente, muita conversa sobre o dia a dia deste país. Sobre as eleições, Rolando acredita na importância da participação nas escolhas políticas do país: “Em decisões capitais e momentos transcendentais, cada voto pode fazer a diferença. E ainda que esteja longe e não possa votar, posso dar sim minha opinião e impactar as pessoas que estão ao meu redor na Colômbia através de canais virtuais”.

Estima-se que nas eleições de 2008 no Brasil, entre os eleitores obrigatórios, cerca de 3% não votaram (justificados ou não).  O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi responsável por cancelar mais de 550 mil títulos de eleitores que não cumpriram seus deveres. Neste ano de eleições, o número de voluntários caiu em relação a eleição anterior. Os dados acima mostram algumas situações díspares entre a juventude que pretende mudar e o estado atual da nação.

As eleições na Colômbia estão sendo disputadas por Antanas Mockus e Juan Manuel Santos, que estão tecnicamente empatados a poucas semanas da votação, marcada para dia 30 de maio. A expectativa é que o histórico de grandes abstenções do país seja modificado pela nova mobilização gerada a partir de jovens como Rolando. Para saber mais sobre as eleições colombianas, clique aqui.

Mais que isso, o sentimento ufanista e patriota aflora durante o mês da copa do mundo, mas logo se faz esquecido entre os escândalos de corrupção que aparecem vez ou outra nos noticiários, tornando 2010 não simplesmente o ano da Copa, mas sim ano de escolher o novo presidente.

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Pesquisa mostra atração dos jovens pelas drogas

Por Leonardo Civinelli

Cresce a cada dia o número de jovens envolvidos no uso de drogas. A dependência química altera o comportamento do usuário, levando-o, muitas vezes, a cometer roubos, assaltos, agressão e, em casos mais graves, até mesmo o suicídio. Interferência dos amigos, fuga da realidade, problemas familiares, ansiedade e busca pela integração no grupo social são alguns dos fatores que levam os jovens a usarem entorpecentes.

Segundo o dicionário Aurélio, a definição de droga é para qualquer substância que modifique o estado de consciência. Mas, no cotidiano, apenas as substâncias ilícitas como maconha, crack, cocaína, heroína, LSD são as realmente encaradas como drogas. Desta forma, esquece-se que as bebidas alcoólicas e o tabaco, livres para circulação, são considerados drogas lícitas e causam também consideráveis danos à saúde.

A assistente social Eliane Dias acredita que é na adolescência há mais risco de usarem substâncias tóxicas : “Essa busca pela droga é muito comum entre os jovens e muitos até só experimentam e depois não continuam usando. Mas nessa fase da vida é mais difícil e perigosa para as drogas”, diz. “Quanto mais conscientização for feita através das escolas, órgãos públicos e da sociedade, melhor será o resultado”, afirma Eliane.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam a opinião da assistente e apontam que mais de 70% dos estudantes de 13 a15 anos já ingeriram alguma bebida alcoólica e que um em cada quatro jovens já experimentou cigarro Além disso, a pesquisa revelou que mais de 8% dos entrevistados já fizeram uso de drogas, como a maconha, a cocaína e lança-perfume.

Leia mais sobre a pesquisa do IBGE aqui e assista um documentário do programa Fantástico sobre drogas na adolescência aqui .

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Frente fria incrementa procura por artigos de inverno

Cristiney Campos

Comerciantes de Juiz de Fora comemoram aumento das vendas no setor de vestuário, calçados femininos e acessórios. Os motivos são as baixas temperaturas que motivam a renovação dos estoques e fazem com que a nova grife “Outono Inverno” ganhe destaque nas vitrines.

Fernanda Marques da Silva é gerente de vendas de uma loja de roupas no centro da cidade e avalia os bons resultados das vendas: “nossas vendas aumentaram bastante desde que organizamos nossa vitrine com roupas da nova estação. O pessoal tem gostado da variedade para o inverno. As roupas estão mais bonitas”. De acordo com a gerente, nem os altos preços tem espantado os clientes que acabam sendo os primeiros a conferir as novidades da estação: “Mesmo com a mercadoria um pouco mais cara este ano, a sofisticação dos modelos, a variedade e as novidades estão atraindo o público. Quem chega agora acaba se encantando e aproveitando as novidades da estação”, afirma.

Outro fator que tem impulsionado as vendas, é a comemoração que se aproxima. As vésperas do dia das mães, as pessoas têm dedicado um tempinho para procurar um presente para essa data especial: “Muitas pessoas vêm até a nossa loja à procura de algo especial para dar de presente no dia das mães e aproveitam o fato de que o inverso já esta chegando, para comprar um presente que seja mais aconchegante. Um dos itens que esta sendo mais procurado é o ponche, pois confere elegância e ao mesmo tempo protege do frio”.

Os consumidores também conseguem tirar proveito desse friozinho que se aproxima. Para a dona de casa Gisele Aparecida Gomes, que gosta de andar sempre na moda, agora é o momento certo para ir às compras “A gente aproveita o que tem de melhor para a estação. É bom não deixar para a última hora, senão as opções diminuem e os preços aumentam”. A professora Sonia Dolores de Almeida aproveita a oportunidade para comprar as roupas de outras estações que geralmente são postas em liquidação. “A gente pode aproveitar as promoções e comprar roupas de verão a um preço bem interessante”, pondera.

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Uma opção para a saúde

por Lorena Molter

Na via principal da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), os interessados em atividades físicas tem uma nova opção para a prática de exercícios. Uma empresa oferece aulas ao ar livre no campus.  O triatleta, Marcos Hallack, foi quem trouxe essa novidade para a cidade universitária. O educador físico Fabiano Bastos, professor do projeto, destaca as vantagens da prática de exercícios ao ar livre: “No meu ponto de vista, a vantagem é total. Você não fica preso dentro de quatro paredes, ao ventilador e ao ar condicionado. Além disso, aqui o espaço não é limitado como nas academias. Os alunos podem desfrutar de um ambiente agradável, respirar melhor e conhecer mais pessoas.” Fabiano argumenta, ainda, sobre a motivação visual que a UFJF oferece. “Aqui no campus você olha e encontra o verde, a natureza”.

Os dias de chuva são a única desvantagem apontada por Fabiano. No entanto, o educador físico afirma que os alunos deixam de fazer as aulas apenas quando caem temporais. “Tem que estar chovendo muito forte porque uns pingos não espantam ninguém. A gente estimula as pessoas virem mesmo com chuva. O Marcos (Marcos Hallack) passa e-mail motivando a galera porque a chuva, na verdade, não faz mal a ninguém.” O professor lembra, inclusive, que algumas pessoas querem fazer as atividades mesmo debaixo de temporais.

As aulas ao ar livre ocorrem na parte da manhã e da noite, depois do expediente, de acordo com os horários de trabalho. Segundo Fabiano, os horários noturnos são os mais procurados e, por isso, ele conta com estagiário para auxiliá-lo nas aulas. O professor destaca o que motiva as pessoas a procurarem esse trabalho. “Todo mundo está atrás de qualidade de vida, então, a procura vem por intermédio disso: praticar um exercício ao ar livre, aprender a correr e a malhar.”

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Um estudo sobre a fala mineira

por Lorena Molter

A professora da Faculdade de Letras da UFJF, Patrícia Cunha Lacerda, está desenvolvendo o projeto “A língua portuguesa em Juiz de Fora no século XIX”. Patrícia iniciou a pesquisa na universidade, em agosto do ano passado, quando passou a ocupar o cargo de professora adjunta. A pesquisadora destaca a importância de seu estudo para Juiz de Fora. “Esse trabalho tem a função de tratar a sócio história do dialeto mineiro, estudando pontualmente o falar juizforano. Então, ele vai contribuir para identidade da cidade, para cultura e também para o estudo lingüístico.”

 As atividades da pesquisa englobam estudos de audiências criminais ocorridas em Juiz de Fora no século XIX. A professora justifica a seleção dos materiais para o estudo. “Nossa escolha foi por documentos que permitissem atestar o vernáculo, a fala realmente no século XIX. Então o primeiro cuidado foi na escolha do tipo de documento e, depois, compor um corte que realmente fosse vasto para representar o português falado nesse período na cidade.” Ela ainda destaca as precauções que toma no manuseio dos materiais históricos. “O trabalho tem de ser muito meticuloso e nós não podemos tirar cópia. Procedemos a digitalização com uma câmera digital e, posteriormente, as bolsistas fazem a transcrição.”

 A influência dos escravos na língua

A explicação para a escolha do século XIX como foco da pesquisa está no fato de Juiz de Fora ter sido potência cafeeira nesse período. Assim, a escolha da cidade é justificada pela importância política e econômica que ela detinha no século estudado, período em que, o município foi o que mais recebeu o maior escravos no estado de Minas Gerais.  Dentro desse cenário, Patrícia ficava intrigada pela ideia das pessoas de que a língua era influenciada pelo modo culto; o que seria improvável já que 60% da população da cidade era formada por escravos.

A partir da análise dessa realidade populacional, a pesquisadora chegou à conclusão que considera mais interessante. “Pelos dados analisados até agora verificamos que a influência escrava foi muito preponderante mesmo na formação do falar de Juiz de Fora.”

Outros pontos observados através dos estudos foram as marcas do século XIX no falar mineiro atual. As pesquisas indicaram três traços fonéticos. “Tecnicamente observamos o altiamento da vogal pré-tônica (a pronúncia do “i” e do “u” em vez do “e” e do “o”, como em “minino“ e “pulícia“. Além disso, verificamos a monotongação do ditongo, exemplificado por “cadera,  e “pexe” e a ditongação diante de sibilante como “faiz“, “mêis“ e “veiz“.”, apresenta a professora.

A influência na língua hoje

O próximo passo da pesquisa será o estudo de como os estudantes que vem de outras cidades influenciam a fala juizforana atual. Patrícia ressalta o novo estudo. “Além dessa pesquisa histórica que eu espero continuar agora nos próximos anos, também pretendo fazer uma pesquisa sincrônica com os dados atuais do português de Juiz de Fora; verificando que aquilo que aconteceu no século XIX com os escravos, o contato lingüístico, também estaria ocorrendo hoje com a presença dos universitários.”

Divulgação do projeto

Para a divulgação do projeto, os estudos sobre a língua portuguesa em Juiz de Fora no século XIX estão em uma página na internet. Conheça o site do projeto.

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Colares no Forum da Cultura da UFJF

por Lorena Molter

O Museu de Cultura Popular, do Forum da Cultura, apresenta a exposição “Colares” durante todo o mês de abril. Inédita, a mostra apresenta peças de 12 países diferentes feitas de materiais como conchas, miçangas, dentes de cavalo, ossos de peixe, cerâmica esmaltada e sementes exóticas. Dentre os artigos, destaca-se um colar confeccionado com dentes de cavalo feito em Juiz de Fora, além de outros vindos de diferentes partes do Brasil.

 

O Museu                        

O Museu de Cultura Popular possui mais de três mil peças e apresenta exposições mensais.  As mostras são, geralmente, relacionadas a temas dos meses do ano. Nelas, são encontrados materiais vindos de diversas partes do Brasil e do exterior. A Técnica em Acervo Cultural, Franciane Lúcia, destaca a quantidade de artigos vindos do exterior. “Atualmente, temos peças vindas de mais de 50 países.”

A maior parte do acervo é composta por objetos doados ao Forum da Cultura.  Franciane argumenta sobre o modo como é feita a conservação. “Nós optamos sempre pelo cuidado e pela preservação. Assim, guardamos todos os artigos em prateleiras e colocamos, por exemplo, os mais pesados embaixo para evitar quedas.”

A exposição Colares pode ser visitada gratuitamente, de segunda à sexta, das 14h às 20h30. O Forum da Cultura fica na Rua Santo Antônio, 1112, em Juiz de Fora – MG.

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Uma parte da Colômbia em Juiz de Fora

por Lorena Molter

Juiz de Fora ganhou mais um habitante. O colombiano Julio Penã está na cidade para fazer um intercâmbio de três meses pela AIESEC em Juiz de Fora. Julio é de Manizales, no estado de Caldas. A cidade fica no centro do país, na Cordilheira dos Andes, a 2200 metros acima do nível do mar.

Em sua estada no Brasil, o colombiano estudante de medicina trabalha no Grupo Casa e na AIESEC.

O trabalho que Julio realiza é voluntário. Para ele, o intercâmbio é uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional. O intercambista conta porque decidiu viver essa experiência: “Fiz parte de uma organização que promove o intercâmbio como uma experiência de vida, que procura desenvolver as potencialidades próprias de cada pessoa, ao mesmo tempo em que permite ao indivíduo se auto descobrir e ter um impacto positivo na sociedade.”

O estudante conta que, quando estava procurando um local para fazer o intercâmbio, viu no Brasil uma grande oportunidade. Além disso, o país também oferecia muitos desafios que foram importantes para a decisão. “Em primeiro lugar, para eu viajar da Colômbia para Europa é mais difícil, por razões econômicas. Segundo, na América do Sul, o Brasil é um país com uma cultura diferente, atrativa e onde se fala outra língua – um desafio para mim, já que eu só falava espanhol e inglês.” Julio também destaca que as características dos brasileiros foram também um ponto forte para a escolha. “As pessoas que já conhecia do Brasil eram muito boas, ‘gente fina’, amáveis e trabalhadoras, que sempre tinham um sorriso para falar com você!”

Os problemas sociais encontrados no país foram mais um fator que despertou interesse no colombiano. “O Brasil, mesmo com o desenvolvimento, tem muitos problemas sociais e oportunidades para que interessados possam ajudar e impactar a sociedade, como em meu caso. Estou trabalhando com pessoas que tem HIV/AIDS, lutando contra o preconceito, a discriminação e os problemas desses seres humanos.”

Algumas diferenças entre Brasil e Colômbia

 

Durante o período em que está morando em Juiz de Fora, Julio encontrou semelhanças entre as culturas colombiana e brasileira. Julio considera que em ambos os países os habitantes são amáveis e trabalhadores. O intercambista também achou a comida muito parecida “só com as diferenças próprias de cada região, o modo de preparo e a diversidade”, comenta.

O custo de vida e o subsídio que o governo do Brasil dá a parte da população foram apontados como distintos entre as duas nações. “Aqui, o custo de vida é mais elevado que na Colômbia, mas o suporte que o governo fornece às pessoas doentes, deficientes e idosas é maior e melhor. Isso tem um impacto cultural grande já que baixa um pouco as desigualdades sociais.” Outro traço que chamou a atenção do colombiano foi a educação. “Os jovens no Brasil têm educação de graça e de alta qualidade. Em meu país, o ensino é muito bom também, mas é pago.”

As características das festas brasileiras também foram novas para Julio. “As festas aqui são muito diferentes, por causa da música e da dança. Na Colômbia, nós dançamos em pares e o relacionamento entre mulheres e homens é mais formal, sério. Eu acho que com mais cavalheirismo. As pessoas de meu país bebem mais álcool, como parte de sua cultura, durante festas e reuniões sociais.”
 Por fim, o estudante apresentou a diferença mais marcante para ele. “A língua torna as situações totalmente diferentes, como falar com alguém, pedir algo, agradecer, brincar, interagir homem e mulheres. Ao mesmo tempo, é um desafio interessante.”

Um pouco do Brasil na Colômbia

 

Julio afirma que uma das principais que recordações que vai levar do país são os amigos que fez aqui. Segundo ele, pessoas “amáveis e por quem, verdadeiramente, tenho apreço”. Ele também fala que não vai esquecer das experiências que viveu, das situações engraçadas, dos desafios tidos e superados e das pessoas que ajudou a partir do trabalho que desenvolveu.

O estudante apresenta mais alguns pontos marcantes que vão ficar na memória dele. “Muito crescimento pessoal e profissional, diferentes jeitos de fazer algo e, claro, aprendizado de uma nova língua. Também vou levar comigo o que aprendi sobre mim mesmo, minha cultura e meu país, além das características da cultura brasileira e das pessoas daqui.” O colombiano lembrou ainda que pretende levar presentes do Brasil para amigos e familiares para que, segundo ele, lembre-se do tempo que viveu no país. O intercambista completa. “Vou levar um novo Julio, sorrisos e meu desejo de voltar algum dia.”

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3D não é para todos

por Lorena Molter

Os filmes em 3D não podem ser vistos por todos. As pessoas que sofrem de ambliopia, deficiência em que um dos olhos se desenvolve menos que o outro devido a algum tipo de problema, não conseguem enxergar a terceira dimensão. Esse quadro pode ser observado nos casos de estrabismo, em que um dos olhos assume a preferência e vê melhor, enquanto o outro, menos participativo, não desenvolve toda a capacidade visual.

O professor da Faculdade de Comunicação da UFJF, Álvaro Americano, tem estrabismo e não consegue ver as imagens em 3D justamente por ter a visão mais desenvolvida em um dos olhos. Álvaro acredita que as pessoas com estrabismo enxergam de forma diferente por uma medida de defesa do corpo.  “Acho que o cérebro de nós, estrábicos, nos ensina a ver melhor com um olho de cada vez, por precaução, já que não temos noção de distância e podemos, por exemplo, nos machucar ao esbarrar em algo. Isso nos impede a enxergar as três dimensões, uma vez que essa tecnologia exige a visão dos dois olhos, simultaneamente, para a combinação das imagens que é apresentada a cada um dos olhos de forma separada”.

 

Formação das imagens em 3D

A tecnologia dos filmes em três dimensões depende da visão dos dois olhos para funcionar. Nos filmes em 3D, as imagens destinadas tanto para olho direito quanto para o esquerdo são formadas ao mesmo tempo, embora levemente deslocadas para o lado de uma e de outra. As pessoas não enxergam de uma forma dupla porque cada uma das imagens é tratada de uma forma, devido a um tratamento chamado polarização.

A luz pode viajar na horizontal ou na vertical. Através da polarização, uma imagem segue em um sentido e a outra no sentido oposto. Cada uma das lentes dos óculos utilizados para ver as três dimensões possui um filtro (um capta a luz horizontal e o outro a vertical). Dessa forma, as imagens do olho esquerdo vão apenas para o olho esquerdo, o mesmo ocorrendo com o olho direito. A sensação de profundidade é resultado da junção das duas informações diferentes que chegam ao mesmo tempo.

Tecnologia que exclui?

As pessoas que não enxergam os filmes em 3D ainda não vão perder as estréias nos cinemas. Avatar, por exemplo, ofereceu exibições em duas ou três dimensões. Assim, quem sofre de ambliopia tem a opção tradicional para acompanhar as histórias exibidas. O professor da Faculdade de Comunicação, Nilson Alvarenga, destaca que as produções são as mesmas nas duas formas de apresentação. “No momento, essa nova tecnologia é apenas um efeito, um enfeite, e não influencia no conteúdo do que é apresentado. A experiência é insubstituível, mas a história não é afetada”. O professor ressalta, no entanto, o que seria um ponto negativo dessa inovação. “Essa nova tecnologia pode ser uma desvantagem se, no futuro, ela privar algumas pessoas de determinados conteúdos que só poderão ser vistos em três dimensões”.

Álvaro Americano fala o que sente por não poder ver as três dimensões. “Fico incomodado em não poder ver tudo o que as pessoas vêem, mas, como nasci com este problema, já estou acostumado”.

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Novos moradores em Juiz de Fora

por Lorena Molter

No início deste semestre, as aulas começaram na UFJF e Juiz de Fora recebeu 1793 novos alunos de outras cidades. Alguns estudantes vindos de diferentes municípios estão aprendendo a morar sozinhos e a se deslocar não só em Juiz de Fora, como também na universidade. A caloura do curso de Engenharia Civil, Juliana Vieira, conta que a maior dificuldade para ela, até o momento, é morar sozinha. Ela também descreve uma situação em que se perdeu no campus. “Eu estava querendo ir à reitoria e desci a rua que dá acesso à engenharia. No entanto, fui em direção à Faculdade de Educação Física. Liguei para o meu pai e ele me disse que era para eu andar no sentido contrário ao dos carros e, finalmente, eu encontrei o caminho certo.”

Materiais informativos para os calouros

O Diretório Central de Estudantes (DCE) da UFJF desenvolve um trabalho de recepção aos calouros no início de todos os semestres. A organização entrega manuais que contem o mapa da universidade, os horários dos ônibus que vão à UFJF, as siglas utilizadas no campus e os tipos de bolsa que a UFJF oferece. O material também apresenta informações sobre o Sistema Integrado de Gestão Acadêmica (SIGA) – sistema que abriga todos os sistemas informatizados da universidade -, o movimento estudantil e o funcionamento do Restaurante Universitário (RU).

A estudante do sétimo período da Faculdade de Letras, Milena Lepsch, fala sobre o subsídio que o material oferece. “O Manual do Calouro era o meio que eu utilizava para me informar sobre a universidade quando cheguei a Juiz de Fora.”

O boca a boca

 

As informações sobre a cidade e sobre a UFJF também são obtidas através do boca a boca. Alguns alunos novos costumam pedir informações a moradores do município sobre os ônibus que devem pegar ou as coordenadas para encontrar uma determinada rua. A estudante do sexto período de medicina, Uiara Ribeiro, conta que quando chegou à cidade encontrava os lugares que precisava ir a partir da ajuda dos juizforanos. Uiara também utilizou outro meio para conhecer as ruas de Juiz de Fora e alguns locais da universidade. “Encontrei uma amiga e fomos andar pelo campus para conhecer. Para não nos perdermos utilizamos o lago como referência. Quando queria andar pelo centro fazia o mesmo: saía andando e conhecendo os lugares.” 

Após alguns anos morando na cidade, Uiara fala que ainda se perde nas galerias ligadas à Rua Halfeld, “Às vezes, saio e não sei para que lado fica a Avenida Rio Branco!” Milena afirma que ainda tem dificuldades para ir a bairros mais distantes do centro e que conhece mais a parte central de Juiz de Fora. Juliana, a pesar do pouco tempo na cidade, conta que está mais fácil andar pelo campus e pela cidade. Ela afirma já conhecer os principais lugares que precisa ir. Aos poucos, todas vão conhecendo mais a cidade.

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