Arquivo do mês: setembro 2009

Prefeitura reativa radares para coibir excesso de velocidade na Av. Brasil

Henrique Fernandes

Eles voltaram. Três radares localizados na Avenida Brasil foram reativados na última semana e já funcionam normalmente. Os mesmos equipamentos tinham sido desativados na última gestão municipal. A partir de agora, a velocidade máxima permitida na via é de 60 km/h. A instalação e o funcionamento dos radares visam fazer cumprir a regulamentação de velocidade de tráfego. Do contrário, o bolso dos motoristas apressados é que vai sofrer as consequências.

Os radares reativados funcionam nos seguintes trechos: Avenida Brasil 5.248, sentido bairro/centro; Avenida Brasil 5.247, sentido bairro/centro; e na Avenida Brasil 7.395, no bairro Cerâmica, sentido bairro/centro. De acordo com a chefe do Departamento de Engenharia de Tráfego da Settra, Sheila Menini, os radares foram reativados pelo fato de a Avenida Brasil ser um local estratégico: “As vias arteriais, como a Brasil, são áreas em que a instalação de radares torna-se mais necessária devido a tendência dos motoristas exagerarem na velocidade”, afirmou, lembrando que existem atualmente na cidade, 20 radares em funcionamento.

Radares: o maior vilão dos motoristas das grandes cidades

Radares: o maior vilão dos motoristas das grandes cidades

A decisão da Prefeitura pela reativação dos radares é polêmica e divide opiniões. Para o comerciante Rogério Lins, a volta dos radares na Avenida Brasil é algo interessante e pode acabar sim com o número de acidentes na região: “Por ser uma avenida mais larga e com poucos semáforos, os motoristas acabam exagerando na velocidade. Isso coloca em risco a vida dos próprios motoristas e, muitas vezes, a dos pedestres também”, afirma.

Por outro lado, para quem trabalha diariamente no trânsito e usa a Brasil como via principal de tráfego, a reativação pode ser encarada como algo ruim. O motorista Flávio Sampaio trabalha para uma empresa que realiza atendimentos em domicílio. Por isso, ele circula com o carro da empresa durante todo o dia pela cidade. Para Flávio, os radares são mais um exagero da Prefeitura e vão fazer com que ele tenha de redobrar o cuidado para não ser multado: “Os radares são os vilões do motorista. Muitas vezes, quando se está trabalhando, você tem que dirigir pensando em outras coisas e, de repente, surge um radar à sua frente e você o percebe tarde demais. Quando se está com o seu próprio carro, é uma coisa. Mas, com o carro da empresa, a situação piora, porque o patrão não perdoa as multas. Descontam do salário”.

Radar na avenida Brasil: fábrica de multas ou prevenção de acidentes?

Radar na avenida Brasil: fábrica de multas ou prevenção de acidentes?

Em Juiz de Fora, a média de mortes no trânsito é de 26 pessoas por ano. De janeiro a agosto de 2008, a Settra registrou cerca de 30 mil multas aplicadas na cidade. No mesmo período de 2009, foram emitidas 42 mil. O principal motivo do aumento é o excesso de velocidade, o que faz dos radares um incentivo para todos os motoristas dirigirem com mais cuidado.

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Triste lembrança: Juiz de Fora dedica três dias a festival para relembrar o período da Ditadura Militar

Henrique Fernandes

Na última semana, Juiz de Fora se lembrou de um período triste da história do Brasil: a Ditadura Militar. De terça-feira, 15, a sexta-feira, 18 de setembro, uma série de debates, exposições e exibições de filmes fizeram parte da programação do Festival “É proibido proibir”, realizado pela Funalfa, no Museu Ferroviário de Juiz de Fora. O festival pretendeu resgatar episódios históricos do período do governo militar, bem como trouxe à tona depoimentos de jornalistas, músicos e outras pessoas que vivenciaram a época e que, de alguma maneira, sentiram na pele o cerceamento de sua liberdade através da censura.

Mediador do último dia do festival, o professor Paulo Roberto Figueira Leal, da Faculdade de Comunicação da UFJF, considera importante um evento do tipo, principalmente para que seja resgatada a memória de um período difícil e, assim, as novas gerações tenham consciência dos fatos. “Qualquer espaço que permita resgatar a memória daquele período é importante, sobretudo se permitir que os mais jovens, que nasceram após o fim da ditadura, tenham a dimensão do que foi o regime de arbítrio”.

Professor Paulo Roberto Figueira Leal: "Devemos nos lembrar da Ditadura para conscientizar os mais jovens"

Professor Paulo Roberto Figueira Leal: "Devemos nos lembrar da Ditadura para conscientizar os mais jovens"

No último dia de palestras a presença mais marcante foi a dos cerca de 50 estudantes do ProJovem, do Governo Federal, coordenado em Juiz de Fora pela Secretaria de Assistência Social (SAS). Os participantes do programa são jovens, entre 18 e 25 anos, que não terminaram o Ensino Fundamental no tempo regular. Segundo o professor Paulo Roberto Figueira Leal, a presença desses jovens foi importante para os objetivos do evento: “Claro que em grupos numerosos a recepção aos debates é muito heterogênea. No entanto, vários jovens fizeram perguntas pertinentes e demonstraram ter percebido a relevância da discussão.” Afirmou o professor, que mediou um debate sobre censura na imprensa, envolvendo os jornalistas José Maria Mayrink e Ivanir Yazbeck.

O escritor José Maria Mayrink: jornalista atuante nos tempos do AI-5

O escritor José Maria Mayrink: jornalista atuante nos tempos do AI-5

Outro aspecto do evento foi a participação pequena de estudantes de Comunicação nos debates e palestras. Principalmente no último dia, em que o principal ponto discutido foi o Jornalismo, poucos estudantes universitários da área estiveram no festival. Para Paulo Roberto, outro evento realizado na Faculdade de Comunicação da UFJF no mesmo dia pode ter contribuído para a ausência destes alunos: “No mesmo dia ocorreu na Facom/UFJF um debate sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Ainda assim, alguns estudantes de Comunicação estiveram presentes e a participação deles foi importante”.

Filmes ligados ao período ditatorial e documentos oficiais de censura da época complementaram o ciclo de palestras e debates. O evento foi marcante também para o Museu Ferroviário, por tratar-se do primeiro evento totalmente desvinculado de trens e ferrovias na história do espaço. Para a diretora do Museu Ferroviário de Juiz de Fora, Ana Maria Ribeiro de Oliveira, a realização do “É proibido proibir” foi extremamente positiva para o espaço: “O Museu tem que cumprir esta função social. Pretendemos dar continuidade a atividades desse tipo.”

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Ele vai dominar o Brasil: Google já retém quase um terço do tempo gasto online no país

Henrique Fernandes

Se você precisa encontrar alguma coisa, localizar-se no mapa, relacionar-se com as pessoas, manter uma caixa de emails ativa, tudo isso está disponível através de uma só empresa: a Google. Os sites da gigante de buscas provaram sua força no mês de julho e ficou claro que a empresa é a preferida dos brasileiros, que gastam 29,8 % de seu tempo online em suas páginas.

Para a estudante de Comunicação Anna Flávia Horta, a explicação é simples: “O Google é a página de busca mais didática e efetiva da internet. Não tenho dúvidas de que as pessoas utilizam o Google porque é mais fácil”, afirma.

Página inicial do Google: de ferramenta de busca a um dos sites mais acessados do Brasil

Página inicial do Google: de ferramenta de busca a um dos sites mais acessados do Brasil

Muitos produtos são desenvolvidos pela Google e poucas pessoas sabem disso. Por exemplo, Orkut, Gmail, Picasa e Blogger são alguns sites desenvolvidos e administrados pela gigante da web. Quanto aos mapas, o Google Maps e o Google Earth também vêm sendo usados de maneira crescente desde sua criação.

Apesar da grande variedade de páginas disponibilizadas pela Google, sem dúvidas, excluindo-se a página de buscas da empresa, a que mais atrai o acesso dos brasileiros é o Orkut. O site de relacionamentos foi desenvolvido por um turco para americanos, mas foi em terras tupiniquins que se desenvolveu melhor. A estudante Jani de Souza acha que o site viabilizou o contato entre as pessoas e venceu distâncias: “O orkut é bom porque é mais uma forma de se falar com quem está longe.”

Vencer distâncias e aproximar pessoas, talvez, sejam os grandes objetivos da Google. Parece que os brasileiros entenderam bem o recado esse adequaram bem à linguagem da empresa. A grande verdade é que o Brasil, país do futebol, do samba e da praia, cada vez mais, é também o país da internet. A Google agradece.

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Internet substitui tarefas cotidianas e provoca mudanças de comportamento na sociedade

por Patrícia Rossini

Untitled-1Com a popularização da internet e a oferta de conexões banda-larga em alta velocidade, a execução de tarefas cotidianas, como ir ao banco, fazer compras, assistir a vídeos e a filmes e pesquisar preços através da rede é cada vez mais comum. Muitos também utilizam a internet para se manterem conectados aos amigos, conhecer novas pessoas e bater papo. Prova disso é que os brasileiros representam 51,12% dos usuários do Orkut, uma das maiores redes sociais da web, segundo dados fornecidos pelo próprio site.

A ampla utilização da internet, conforme explica o psicólogo Alexandre Serpa, pode ser positiva, à medida que agiliza a execução de atividades do cotidiano. “Um aspecto positivo que não tem interferência nos fatores psicológicos é a comodidade. Se a pessoa consegue fazer suas tarefas rapidamente, sobra tempo para atividades mais prazerosas, que contribuem para melhorar a qualidade de vida e reduzir o stress do trabalho.” (Ouça)

Contudo, o psicólogo alerta para o uso do computador em excesso, em detrimento das horas gastas em atividades que estimulam o convívio social. “É importante que o uso da internet para o convívio social seja parcimonioso, de forma que a pessoa não deixe de participar de eventos e atividades fora da rede.”

No caso dos jovens e adolescentes, Serpa recomenda o acompanhamento dos pais e a orientação, para melhorar o uso do computador. “É necessária a interação entre pais e filhos para que os jovens aprendam a utilizar a internet para estudar, fazer pesquisas e buscar informações, equilibrando essas atividades com os momentos de lazer na rede.”

Praticidade

O tecnólogo em redes de computadores Phillip Fernandes, 26, utiliza a internet para fazer as atividades do dia-a-dia e ganhar tempo. “Se não usasse o computador pra tudo, não daria tempo para fazer metade das coisas que faço em um dia.” Ele também tem o hábito de assistir a filmes e séries no notebook, quando está viajando, e em casa, utilizando o computador ligado à TV por um cabo s-vídeo. “Para mim, a internet substitui em partes a TV por assinatura, principalmente em relação aos filmes e seriados. No entanto, a TV paga tem programas interessantes que não são tão fáceis de serem baixados, por exemplo.”

Já o advogado Fernando Granato, 24, afirma se sentir mais confortável em frente à televisão. “Assistir à TV ainda é uma atividade mais confortável e, portanto, mais relaxante do que ver programas no computador. O que eu vejo é uma tendência de se reunir todos os aparelhos eletrônicos de entretenimento em um só, e não a substituição de um pelo outro.”

Questionado acerca das interações sociais através da web, Granato considera comum o contato através de e-mail ou programas de mensagens em detrimento do telefone. “A banda larga mantém as pessoas por mais tempo em frente ao computador e, por isso, é comum utilizar a internet para manter contato com os outros. Percebo que isso afeta os adolescentes que, muitas vezes, preferem ficar em casa conversando em programas de troca de mensagens ao invés de realizar as atividades pessoalmente.”

Phillip Fernandes atribui à internet papel fundamental na mudança de comportamento dos jovens. “Houve uma revolução total na minha opinião. Quando eu tinha 14 anos, minhas distrações eram colecionar latinhas e figurinhas. Hoje, as pessoas de 14 anos têm acesso a tudo, instantaneamente, através da web. Mudou tudo.”

Apesar de manter contato com os amigos pela internet, o tecnólogo não abre mão de sair de casa para encontrá-los pessoalmente. “Durante a semana, as obrigações do dia-a-dia acabam tomando boa parte do meu tempo e eu me comunico bastante pelo computador. Mas, nos finais de semana, faço questão de sair do mundo virtual para socializar de verdade.”

A mudança de comportamento motivada pelo uso da internet, segundo Alexandre Serpa, já pode ser observada na sociedade. “Hoje, não apenas os jovens, mas adultos e idosos se interessam pelas novas tecnologias e estão dispostos a aprender. Os adolescentes ainda gastam um tempo maior com lazer do que com atividades funcionais, mas a tendência é que esse tempo seja melhor distribuído quando os pais também conhecem as ferramentas e podem orientar sobre o uso da web.”

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Obrigação de parar apenas na rodoviária gera transtornos para usuários

Paulo Lopes

Imagine uma pessoa que sai de ônibus do seu estado de origem e vai até Juiz de Fora. Agora imagine essa pessoa passando no ponto em frente a sua casa e não podendo parar. Ele ou ela vai parar apenas na rodoviária – única parada de ônibus interestadual autorizada no município – a 15 km do centro. Pois saibam que isso é muito comum. E isso vem irritando passageiros e principalmente estudantes que moram fora e estudam na cidade.

O estudante Fellype Alberto tem família no Rio de Janeiro e frequentemente viaja para a capital fluminense. Ele reclama de não poder parar no centro. “Passo em frente a minha casa cheio de malas e não posso parar, aí tenho que ir até a rodoviária e depois pegar um ônibus circular pequeno, com dificuldades para carregar as malas. Ou então eu poderia pegar um taxi, mas como se já não bastasse o gasto da viagem, gastar ainda um pouco mais pra chegar em casa é complicado, principalmente para nós estudantes!”, protesta Fellype.

Caso pior é da estudante Michele Leite. Ela tem família em São José dos Campos, interior de São Paulo, e sempre chega em Juiz de Fora de madrugada. Moradora da região central da cidade, Michele gasta R$ 20 a mais com táxi do que se parasse no centro. “Antigamente eu parava perto da minha casa e gastava no máximo cinco reais com o táxi, hoje o táxi fica em uns R$ 25, além do tempo total da vigem durar quase uma hora a mais”, reclama a estudante.

Ônibus só podem parar no Terminal Rodoviário

Ônibus só podem parar no Terminal Rodoviário

A obrigação de parar apenas no Terminal Rodoviário foi estipulada pela Agência Nacional de Transportes Terrestre (ANTT). De acordo com a agência, no decreto nº 2.521, de 20 de 20 de março de 1998, “os terminais rodoviários, públicos ou privados, e os pontos de parada deverão dispor de áreas e instalações compatíveis com seu movimento e apresentar padrões adequados de segurança, higiene e conforto.” Por isso, mesmo que a cidade crie decretos – como é caso do Decreto Municipal 9.949/2009 -, a liberação das paradas no perímetro urbano só pode ser autorizada pela ANTT.

Porém o integrante do movimento “Campanha Popular Democrática pela Volta dos Ônibus Interestaduais” considera o decreto federal de duplo entendimento, podendo ser revertido juridicamente. Ou então ele espera que os vereadores juiz-foranos consigam intermediar o contato com a ANTT e reverter a situação.

Enquanto existir esse impasse, Fellype Alberto, Michele e tantas outras pessoas que utilizam os ônibus como transporte, continuarão embarcando e desembarcando apenas na rodoviária.

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Belas Artes completa 75 anos e perde edifício da Estação Ferroviária

Por Ana Paula Nascimento

Aula de pintura na sala do prédio da antiga Estação Ferroviária

Aula de pintura na sala do prédio da antiga Estação Ferroviária

A Associação de Belas Artes Antônio Parreiras (ABAAP) completa 75 anos neste mês. O núcleo juizforano deu origem à Sociedade de Belas Artes Antônio Parreiras (SBAAP) que abrigou e deu visibilidade à uma nova geração de artistas. Esses artistas transformaram as artes plásticas da cidade, conforme relata Lucas Marques do Amaral, em seu livro “A Parreiras e seus artistas”.

Os principais fundadores da ABAAP foram Carlos Gonçalves e Américo Rodrigues. Desde o surgimento, a entidade visa reunir artistas, promover a troca de experiências e organizar exposições. Nomes como Ângelo Bigi, Aníbal Mattos, Armando de Lima César Turatti e outros mais ingressaram na Sociedade na década de 1930.

Mesmo depois de passar por três espaços da cidade, a Associação resiste ao tempo e continua congregando e revelando artistas. A primeira sede foi na Rua Halfeld. Depois, funcionou na Avenida Getúlio Vargas, esquina com a Rio Branco. O local que abrigou a sede, por conseguinte, foi a Galeria Carmelo Sirimarco.

Hoje, o núcleo funciona no edifício da antiga Estação Ferroviária da Central do Brasil. Lá, são oferecidos cursos de pintura, escultura, desenho e técnica mista. Além disso, a ABAAP promove seis concursos durante o ano, os Salões. Assim, artistas, alunos e amadores de Juiz de Fora e de outros estados expõem suas obras e concorrem entre si. O 24º Salão Primaveril premiou, no último dia 18, 21 artistas com medalhas e menções honrosas.

Irene Barros também aprende pintura com Myrthes Müller

Irene Barros também aprende pintura com Myrthes Müller (em pé)

Irene Barros, primeira presidente mulher da Associação, afirma que a entidade sobrevive dos recursos financeiros obtidos pelas aulas pagas dos alunos matriculados nos cursos e das contribuições dos sócios voluntários. A ABAAP não recebe verba de nenhum órgão. A mensalidade é de R$ 65, as aulas acontecem uma vez por semana, durante três horas, pela manhã, à tarde ou à noite.

A presidente revela que a situação atual do núcleo é preocupante, uma vez que não há recursos para realizar a comemoração dos 75 anos. Segundo Irene, a Prefeitura, que cedeu o prédio da antiga estação para a atual sede, pediu a devolução do espaço. Com isso, a associação terá que se transferir para outro lugar. “Não sabemos para onde vamos. Temos um acervo de mais de 300 obras, oito salas de aula e até o final do ano, temos que sair. Se não houver um local adequado, a escola vai fechar”.

Irene lembra que a Associação de Belas Artes de Juiz de Fora é a segunda mais antiga do país ficando atrás apenas do Rio de Janeiro. Para ela, a possível desativação da escola, será um grande desperdício para a cidade. (Ouça)

Heloysa Ramos frequenta aulas de pintura na Associação há cinco anos e descobriu seu talento com a ajuda da professora Myrthes Müller. A aluna conta como se sente motivada e feliz. “É um lugar maravilhoso onde fiz amizades, aprendi muitas coisas. Estar aqui preencheu minha vida. É um lugar muito prazeroso”. Heloysa ganhou uma menção honrosa no Salão Primaveril com a obra “Flores”.

Myrthes Müller está há 26 anos na associação e afirma que a liberdade que procura dar para os alunos e alunas gera uma troca de conhecimento e uma boa amizade, pois cada estudante escolhe temas de sua preferência. De acordo com a professora, “a Sociedade é como se fosse a minha casa, onde eu passo a maior parte do meu tempo”.

Medalha de Ouro no Salão Primaveril - Nadia Salvarani - Flores II - OST 45x45

Medalha de Ouro no Salão Primaveril - Nadia Salvarani - Flores II - OST 45x45

Os Salões possuem temas que variam ao longo do ano. O primeiro é “Natureza Morta” que se inicia em março. Em seguida, vem o mais antigo, o “Salão Oficial” (59 anos) que ocorre em maio e compõe as comemorações do aniversário da cidade. No mês de julho, ocorre o “Salão Feminino”, seguido do “Contemporâneo”, em agosto, e do já citado “Primaveril” em setembro. Para fechar o ano, o “Salão da Marinha” acontece em dezembro. Ele fruto da parceria com o 1º Distrito Naval do Rio de Janeiro que concede a premiação e participa do evento. Nos intervalos destes concursos, há mostras das obras dos alunos que são renovadas a cada 20 dias.

Julio César faz questão de elogiar seu professor Raniel Vehuel

Julio César faz questão de elogiar seu professor Raniel Vehuel (em pé)

O professor de escultura Raniel Vehuel, artista autodidata, considera a Associação como uma irmandade na qual passaram grandes nomes. “Um lugar de encontro, onde trocamos ideias e temos contato com outros artistas”. Vehuel descreve a arte e o processo de aprendizagem. “A arte é um sacerdócio. Ocorre de dentro para fora e de fora para dentro. Ou você aprende ou já tem a capacidade, o dom”. Segundo o professor é possível adquirir habilidade com as aulas. “Tenho uma aluna que dizia saber só modelar kibe e, atualmente, já ganhou várias medalhas de ouro com suas esculturas nos salões”.

Nadia Salvarani - Copos de Leite IV - Hours Concours - Faiança

Nadia Salvarani - Copos de Leite IV - Hours Concours - Faiança

O carioca aposentado, Julio César Costa, é aluno há três meses e já mostra aptidão. “Sempre tive vontade de fazer aula de escultura, sempre gostei de arte e hoje me sinto muito bem”.

A Associação de Belas Artes também oferece curso preparatório para a prova de Habilidade Especifica para os candidatos ao vestibular de Artes ou Arquitetura da UFJF. O núcleo fica na Praça Dr. João Penido (Praça da Estação) número 5 e está aberto a visitação de segunda a sexta-feira, de 8h às 11h e de 13h às 17h30. Outras informações pelo telefone 3211-7295.

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Quem quer ser treinador? A febre dos managers toma conta dos jovens

Vítor Campanha

Quem já pensou em ser técnico de um clube de futebol com certeza já jogou um “manager”. Trata-se de jogos eletrônicos em que o jogador entra na pele de um treinador, comandando o time desde os esquemas táticos das partidas até as contratações para a equipe. Não se comanda ativamente as ações dos jogadores em campo: apenas organiza-se tudo e depois é só observar a partida.

A febre começou no ano de 1998, com o lançamento do Elifoot 98. O jogo, para plataforma Windows, era simples e tinha comandos básicos: apenas compra e venda de jogadores, poucas opções táticas e somente as principais equipes dos países mais tradicionais do futebol. Nas partidas, o técnico virtual não assistia ao jogo, apenas esperava o resultado.

Elifoot 98: simplicidade que marcou gerações

Elifoot 98: simplicidade que marcou gerações

Com o passar do tempo os managers ficaram mais elaborados. Um exemplo era o Championship Manager, da Sports Interactive: com um grande banco de dados, o jogo trazia times atualizados de todos os cantos do mundo, além de opções táticas avançadas para organização da equipe e gráficos mais elaborados. O maior diferencial era a possibilidade do técnico virtual ler a narração do jogo do seu time, o que não acontecia nos antecessores do game. A partir do Championship Manager 4, já se podia assistir ao jogo dos comandados virtuais: a visão em 2d superior permitia ver os jogadores se movimentando em campo.

Championship Manager: esquemas táticos avançados

Championship Manager: esquemas táticos avançados

Atualmente a série de maior sucesso do gênero é o Football Manager, da Sega. Até a versão 2008 o game possuía as mesmas características dos já citados aqui. A inovação veio na versão 2009 com a possibilidade de assistir à partida em 3d. Somando-se a isso o banco de dados gigante com times de praticamente todas as divisões dos campeonatos pelo mundo afora, temos uma legião de aficionados no game.

O estudante de jornalismo José Roberto Castro, conta que passa grande parte do tempo livre como técnico virtual no “FM”, como é conhecido o Football Manager: “O próprio jogo calcula quanto tempo você já jogou. Na página de abertura do game, junto com a informação das horas já jogadas tem o ‘grau de vício’: dependendo desse tempo calculado seu grau de vício pode ser ‘falta ritmo de jogo’, se não joga com muita freqüência ou até o ‘é só mais um jogo, prometo’, em caso contrário. No fim das minhas últimas férias percebi que fiquei literalmente dias em frente ao computador jogando, pela soma do meu tempo no game.” afirma o estudante.

Para quem fica tanto tempo assim colado na cadeira do PC, os psicólogos dão o recado: games eletrônicos podem viciar tanto quanto as drogas. “Quando a pessoa joga, ela tem uma sensação prazerosa, ocorrendo a liberação de endorfina pelo cérebro. A partir daí busca-se o ‘reforço’, porque o jogador quer sentir de novo aquele prazer dado pelo jogo, até o ponto em que isso torna-se um vício.” explica a psicóloga Emília da Matta.

Footbal Manager: opções minuciosas e jogadores em 3d

Footbal Manager: opções minuciosas e jogadores em 3d

Vício a parte, há gamers com histórias curiosas, como o estudante de ciências sociais Rafael Grohmann. Ele chegou a conhecer pessoalmente um futebolista que havia contratado para o seu time virtual. “Eu o tinha no meu time do FM, e pude conhecê-lo quando ele foi contratado na vida real pelo Guaratinguetá, time da minha cidade natal. No meu jogo o tempo havia passado muito, e esse jogador virou uma estrela de fama mundial. Conversando com ele contei isso e ele adorou saber que ‘no futuro’ jogaria pelo Real Madri.”

E pra quem não entende como um game de futebol onde não se controla a bola nos pés faz tanto sucesso, a dica é simples: arme seu time e comece a jogar.

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