Humor Sem Papas na Língua

Por Guilherme Monteiro

Cena do espetáculo T.P.M.

Cena do espetáculo T.P.M.

Um “humor ácido”. A expressão define muito bem o jeito Putz! de fazer teatro. Desde 2001 a companhia teatral se apresenta em palcos de todo Brasil, sendo premiada pelo Sindicato dos Produtores de Artes Cênicas de Minas Gerais (Sinparc -MG). O Putz! recebeu também prêmios no Festival de Americana (SP) e no Festival Nacional de Teatro Amador, em Ponta Grossa (RS). Para comemorar o aniversário de oito anos de criação, a companhia realizou neste fim de semana o Festival Putz! 8 Anos. O evento aconteceu no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas e reuniu os três maiores sucessos de bilheteria do Putz!.

Na sexta-feira, o Putz! apresentou o espetáculo T.P.M. Teatro para Macho. O público caiu na gargalhada com uma caricatura do mundo dos “machões”. O espetáculo leva o público até os tempos da Arca de Noé para explicar a origem do homossexualismo. Além disso, a peça reuniu diversas cenas em que o machismo extremo muitas vezes se torna algo muito constrangedor. O público formado em sua maior parte por universitários, se divertiu com a história de Jonas e Danilo, irmãos siameses que têm opções sexuais diferentes. O estudante Cícero Villela, 20, gostou muito do estilo da companhia Putz!.

-Achei muito diferente o trabalho do Putz! Eles não ligam para a questão de se fazer um humor politicamente correto -, disse Cícero.

Mas nem todos estão acostumados com o humor da companhia. De acordo com Tacízio Dalpra Júnior, ator e um dos fundadores companhia, o estilo Putz! de fazer teatro não é unanimidade e costuma receber críticas. Por isso o grupo não recebe nenhum tipo de apoio financeiro.

– O teatro é entretenimento não é sempre que você tem que passar uma mensagem para que as pessoas saiam do teatro pensando. Tentamos fazer um humor vazio e sujo. Às vezes a pessoa vem ao teatro, cheia de coisa na cabeça e saem com nada. Só queremos fazer o público se divertir e relaxar. Esse estilo vem agradando, mas já fomos algumas vezes alvo de pancadas – , afirma Tarcízio.

Críticas à parte. No sábado a companhia apresentou As Piores Cenas do Putz!. E assim como na noite anterior, o Putz! conseguiu arrancar muitos risos do público. A platéia ficou fascinada com a cena em que a Menina Pastora com um passe de mágica faz o Super Homem tetraplégico voltar a andar. O espetáculo ainda contou com várias cenas hilárias. Como o caso do caipira vascaíno que vai para no meio da torcida do Flamengo em pleno Maracanã. Para encerrar o espetáculo, a historia do Lobo Mau Decadente, uma cena em que os ótimos figurinos dos atores se destacam. Os atores abusaram do improviso, um marca registrada da companhia.

Menina pastora cura o Super Homem tetraplégico
Menina pastora cura o Super Homem tetraplégico

Fechando com chave de ouro o festival, no domingo o Putz! encenou o Humor de Peso. O espetáculo conta o romance entre um homem bomba israelense e um pracinha brasileiro, que se encontram no campo de batalha. A peça também resgata e satiriza brinquedos que no passado fizeram muito sucesso, como é o caso do Playmobil, Moranguinho e Comandos em Ação. Sem dúvida o Putz! celebrou seus oito anos da melhor maneira, fazendo teatro de qualidade.

Tarcízio Dalpra Jr., fala sobre o nascimento e trajetória da companhia Putz!

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