Instabilidade no mercado de trabalho preocupa formandos

por Reginaldo Alves

Iriana está no último período do curso de Comunicação Social da UFJF

Iriana está no último período do curso de Comunicação Social da UFJF

Iriana Mol está no décimo período do curso de Comunicação Social da UFJF. Em dezembro, ela apresentará e defenderá o trabalho de conclusão sobre o cinema espanhol. Em relação à escolha do curso, a graduanda se mostra satisfeita, porém faz algumas ressalvas. “À medida que fui fazendo o curso, vi que o ritmo diminuí. Isso fez com que em alguns momentos eu perdesse o interesse sobre a profissão. Com o piso salarial baixo e a perda do diploma, faz com que os futuros jornalistas saiam um pouco desmotivados da universidade”, declara.

Tatiana Alves cursa o oitavo período do curso de Turismo na UFJF. A jovem revela que sempre se identificou com o curso, devido à diversidade de matérias apresentadas na grade curricular. “O curso é bom e os professores são competentes. O que falta, talvez, são laboratórios de estudos e realizar mais visitas técnicas. Na verdade, é preciso ter  uma estrutura que faça o futuro turismólogo ter mais contato com as atividades da área”, afirma Tatiana sobre os pontos positivos e os negativos do curso.

Após a formatura, Iriana pretende trabalhar em uma assessoria de uma grande empresa e voltar seus estudos para a comunicação empresarial. Já Tatiana, vai investir em uma pós-graduação e estudar para fazer concursos públicos. Além do fato destas duas jovens se formarem no fim do ano em cursos da área de Ciências Humanas, o que mais elas tem em comum? Você saberia responder?

A resposta é simples: receio de não conseguir atuar na área de formação. Essa é uma realidade que não apenas pertence aos cursos de Iriana ou o de Tatiana, mas sim a todos aqueles que estão concluindo a graduação. Independente da área escolhida, a empregabilidade no país, principalmente quando diz respeito aos recém-formados é um assunto que sempre gera discussão.

De acordo com a psicóloga Flávia Campos, é preciso que o formando tenha consciência da realidade que ele enfrentará. “O recém-formado deve reunir elementos, que o ajude a perseverar no mercado de trabalho. É preciso ter consciência dos fatos, pois a expectativa muito grande que é a geradora de sofrimento”, afirma.

Tatiana vai investir em concursos

Tatiana vai investir em concursos

Sobre a ansiedade e a preocupação em formar, Iriana revela que ela tem anseios semelhantes aos formandos de qualquer curso. “O que quero é sair da faculdade e conseguir me posicionar no mercado de trabalho. Antes a faculdade te dava uma segurança. Hoje, ela é um elemento a mais, não faz com que a pessoa se diferencie. Talvez essa seja a grande dificuldade dos formandos”, ressalta a formanda.

Um outro fator que o formando as vezes precisa lidar é com a pressão feita pelos familiares e pelos amigos. Tatiana já sabe bem como é essa história. “Desde o momento que saímos da universidade somos pressionados a sermos bem sucedidos. Estou sentindo um pouco dessa pressão por parte do meu pai, que quer que eu faça concurso público, apesar de eu não gostar muito”, declara a futura turismóloga

A psicóloga dá algumas dicas de como lidar com essa pressão. “A pressão familiar existe no ensino fundamental, no médio, no cursinho e também na graduação. É normal que os parentes esperem algo do formando, porém é preciso justificar que o graduado ou formando tem que se sobressair por si próprio, não para corresponder às expectativas alheias”.

A saída da universidade é um momento marcante não só pela formatura ou pela ansiedade em relação à instabilidade ao mercado de trabalho, mas principalmente pelos vínculos feitos durante toda a graduação. É a partir daí, que é hora de deixar a antiga república ou a casa dos pais, para poder enfrentar dificuldades maiores ainda, seja no campo profissional ou no pessoal. Além das despedidas dos amigos, o clima universitário deixa saudades em quem já viveu essa experiência. “Vou sentir falta do convívio com as pessoas de dentro da faculdade, pois ela não é só sala de aula, mas sim com todo o universo da universidade. Vou sentir falta de tudo isso” afirma Iriana.

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