“Merenda saudável” é lei

Por Ana Paula Nascimento

O governador Aécio Neves (PSDB) sancionou o projeto de lei que proíbe o fornecimento e a comercialização de produtos com alto teor calórico, gordura saturada, gordura trans, açúcar e sal ou com poucos nutrientes em escolas públicas e privadas no Estado de Minas Gerais.

Apesar da oferta de alimentos saudáveis, os salgados ainda são preferência entre as crianças

Apesar da oferta de alimentos saudáveis, os salgados ainda são preferência entre as crianças

Em Juiz de Fora, a cantina do Colégio de Aplicação João XXIII já adotou essas medidas há dois anos. A escola não disponibiliza merenda para os alunos, mas possui uma cantina que vende produtos saudáveis, desde frutas e iogurte até salgados assados. O projeto “cantina saudável” recebeu uma moção de aplauso da Prefeitura de Juiz de Fora pela iniciativa.

A diretora de ensino do colégio, Andréia Fagundes, afirma que é preciso educar as crianças e adolescentes. “Não há proibição, procuramos fazer uma conscientização dos alunos, porque existem crianças de trazem de casa o refrigerante, por exemplo”.

Iogurte, gelatina, salada de frutas e sanduíches naturais são apostas da cantina do João XXIII

Iogurte, gelatina, salada de frutas e sanduíches naturais são apostas da cantina do João XXIII

A coordenadora da cantina, Mônica Amaral, explica que sempre procura inovar, oferecendo alimentos diversos como salada de frutas, gelatina e sucos. Por orientação de um nutricionista, balas macias, energéticos, refrigerantes, biscoitos e salgados fritos deixaram de ser comercializados.

O Instituto Estadual de Educação oferece merenda aos alunos e, segundo a diretora Regina Coeli Galo de Oliveira, o cardápio é sugerido pela Secretaria Estadual de Educação. A escola também possui uma cantina terceirizada, mas que oferece alimentos que estão fora dos padrões da lei. Regina acredita que com as novas adaptações exigidas, as crianças irão se acostumar ao novo hábito com o tempo.

O nutricionista Arnaldo Pinheiro enfatiza que a lei resolve, em parte, o problema, já que as crianças passam poucas horas do dia na escola. Para ele, o importante é criar uma base educativa. “O governo Federal deveria promover uma educação nutricional para as crianças do ensino fundamental. Isso diminuiria a incidência de doenças como a obesidade, diabetes, hipertensão e doenças cardiorespitatórias, evitando a sobrecarga na rede do SUS e futuros gastos na saúde”.

O nutricionista admite que a juventude está habituada a comer produtos industrializados, principalmente, os biscoitos. Segundo ele, é preciso consumir aqueles que são pobres em gordura e ricos em fibras. Uma dica é a pipoca doce industrializada, que tem baixo teor de gordura e equivale a um pão de sal em valor energético. As frutas são essenciais, de acordo com Arnaldo. “Nós estamos num país tropical cheio de frutas disponíveis no mercado”.

A estudante Caroline Rocha, 14, leva o seu lanche para a escola. Geralmente, a refeição é composta por um suco, biscoitos e salgado assado. Ela diz ter uma boa alimentação em casa. Caroline come duas frutas por dia e verduras no almoço, mas admite que sempre compra balas e doces na cantina, além de comer biscoito recheado todos os dias.

A endocrinologista Deane Maria dos Santos Pinto aponta que a lei é muito válida, uma vez que complementa a educação familiar ou corrige os maus hábitos adquiridos em casa. A médica fala do consumo do arroz e do feijão, alimentos importantes na fase de crescimento, e também da necessidade da atividade física. Ouça.

Adequação

As cantinas têm seis meses para mudar o cardápio até que a lei entre em vigor. De acordo com informações do site do Governo de Minas, os lanches e as bebidas fornecidas e comercializadas nas escolas devem ser preparados de acordo com padrões de qualidade nutricional que promovam a saúde dos alunos e a prevenção da obesidade infantil. Quem desrespeitar a norma estará sujeito a multas e outras penalidades previstas na legislação sanitária.

Cantina sem frituras e sem refrigerantes

Cantina do João XXIII sem frituras e sem refrigerantes

O projeto de lei também acrescenta um dispositivo que determina ao Estado responsabilidade em orientar o desenvolvimento de programas de educação alimentar e nutricional nas escolas do ensino básico das redes públicas e privadas de Minas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) existem 17,6 milhões de crianças obesas no mundo com menos de cinco anos. E, em média, 16% dos adolescentes brasileiros entre 10 e 19 anos estão acima do peso, de acordo como o IBGE.

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