Juiz de Fora terá centro de triagem para recicláveis

Por Ana Paula Nascimento

A Prefeitura de Juiz de Fora irá construir um Centro de Triagem de Recicláveis que atenderá os catadores de papel de todas as regiões da cidade. O empreendimento pretende oferecer ao catador autônomo um espaço para fazer a seleção dos resíduos recolhidos.

O terreno escolhido para a construção fica na esquina da Rua Benjamin Constant com a Avenida Garibaldi Campinhos, segundo aponta Alexandra Rossi, assessora de assuntos estratégicos da Associação Municipal de Apoio Comunitário (Amac), este é um local de fácil acesso e sem elevação, o que diminui o esforço do usuário.

Terreno (esquerda) fica no final da Rua Benjamin Constant perto da praça do Bairro Vitorino Braga

Terreno fica no final da Rua Benjamin Constant perto da praça do Bairro Vitorino Braga

De acordo com Alexandra, foi feito um diagnóstico em que se constatou a necessidade de um espaço de atendimento, em um local apropriado para a realização destas atividades. “A região central é considerada adequada pelo maior número de catadores e pela proximidade aos locais de revenda do material reciclável, onde os grandes depósitos se encontram” afirma.

O Centro de Triagem funcionará 24 horas por dia, com acompanhamento e supervisão de funcionários da Prefeitura. Segundo a assessora, através de levantamento técnico de profissionais, o usuário será encaminhado para inserção na Rede de Proteção Social do município. “Com isto conheceremos mais de perto a situação dos catadores, como as condições de moradia, saúde, a necessidade de vagas em creche e em escolas”, completa.

Desta maneira, após a análise de cada situação, os usuários serão encaminhados para os serviços oferecidos pela Prefeitura. Além disso, o lucro será obtido com a venda do material após o processo de triagem.

O local receberá todos os materiais reciclados pelos catadores, inclusive, o lixo eletroeletrônico, que vem causando preocupação pelo excesso de equipamentos descartados e necessidade de um tratamento diferenciado. O conteúdo selecionado será levado para os depósitos que comercializam os recicláveis.

Um projeto de Lei do vereador José Laerte sobre o lixo eletroeletrônico tramita na Câmara e prevê a coleta, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final dos materiais (ver matéria Lixo eletroeletrônico pode ser reciclado na cidade).

Alexandra explica que o Centro de Triagem vai proporcionar maior qualidade de vida aos catadores. “O centro vai possibilitar condições dignas para o exercício desta atividade e vai contribuir para a organização dos espaços públicos do município, já que hoje os catadores fazem a separação dos resíduos nas praças e calçadas”, conclui.

Catador organiza materiais na Avenida Brasil

Catador organiza materiais na rua

A obra está prevista para começar em Janeiro do ano que vem a partir da liberação do recurso do Banco do Brasil.

O químico da área de meio ambiente e professor do Curso de Gestão Ambiental, Gilson Rodrigues Ferreira explica que é necessário um trabalho de educação dos moradores. “Hoje a coleta seletiva da cidade não funciona, porque não foi feito um projeto de educação, então a maioria das pessoas não separam o lixo”.

A solução, segundo Gilson, é trabalhar em blocos por regiões. “É preciso construir centros de triagem menores que atendam todos os bairros e, ao mesmo tempo, fazer um processo de educação em cada uma destas zonas. A primeira zona a ser educada seria a Zona Norte por já possuir uma Usina de Reciclagem”.

Carrinho de catador obstrui avenida movimentada da cidade

Carrinho de catador obstrui Avenida Brasil, uma das mais movimentadas do centro da cidade

O ideal é criar vários centros de triagem menores para facilitar o deslocamento dos catadores que sempre carregam muito peso. Gilson comenta a importância de uma Usina de reciclagem, triagem e compostagem. Para o químico é um suporte para poder aumentar o tempo de vida útil do aterro sanitário (ouça).

Para o professor, o projeto deve ter ambições a longo prazo. Gilson acredita que não adianta dar suporte ao catador, um local para separar o lixo, se a população não contribuir. Assim, o catador continua sendo obrigado a separar o lixo comum do reutilizável. “Separar o lixo não é colocar tudo em uma sacola e descartar. É preciso ensinar sobre o horário para recolhimento e hábitos de segregação dos materiais como papel, vidro, metal”.

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