Internet substitui tarefas cotidianas e provoca mudanças de comportamento na sociedade

por Patrícia Rossini

Untitled-1Com a popularização da internet e a oferta de conexões banda-larga em alta velocidade, a execução de tarefas cotidianas, como ir ao banco, fazer compras, assistir a vídeos e a filmes e pesquisar preços através da rede é cada vez mais comum. Muitos também utilizam a internet para se manterem conectados aos amigos, conhecer novas pessoas e bater papo. Prova disso é que os brasileiros representam 51,12% dos usuários do Orkut, uma das maiores redes sociais da web, segundo dados fornecidos pelo próprio site.

A ampla utilização da internet, conforme explica o psicólogo Alexandre Serpa, pode ser positiva, à medida que agiliza a execução de atividades do cotidiano. “Um aspecto positivo que não tem interferência nos fatores psicológicos é a comodidade. Se a pessoa consegue fazer suas tarefas rapidamente, sobra tempo para atividades mais prazerosas, que contribuem para melhorar a qualidade de vida e reduzir o stress do trabalho.” (Ouça)

Contudo, o psicólogo alerta para o uso do computador em excesso, em detrimento das horas gastas em atividades que estimulam o convívio social. “É importante que o uso da internet para o convívio social seja parcimonioso, de forma que a pessoa não deixe de participar de eventos e atividades fora da rede.”

No caso dos jovens e adolescentes, Serpa recomenda o acompanhamento dos pais e a orientação, para melhorar o uso do computador. “É necessária a interação entre pais e filhos para que os jovens aprendam a utilizar a internet para estudar, fazer pesquisas e buscar informações, equilibrando essas atividades com os momentos de lazer na rede.”

Praticidade

O tecnólogo em redes de computadores Phillip Fernandes, 26, utiliza a internet para fazer as atividades do dia-a-dia e ganhar tempo. “Se não usasse o computador pra tudo, não daria tempo para fazer metade das coisas que faço em um dia.” Ele também tem o hábito de assistir a filmes e séries no notebook, quando está viajando, e em casa, utilizando o computador ligado à TV por um cabo s-vídeo. “Para mim, a internet substitui em partes a TV por assinatura, principalmente em relação aos filmes e seriados. No entanto, a TV paga tem programas interessantes que não são tão fáceis de serem baixados, por exemplo.”

Já o advogado Fernando Granato, 24, afirma se sentir mais confortável em frente à televisão. “Assistir à TV ainda é uma atividade mais confortável e, portanto, mais relaxante do que ver programas no computador. O que eu vejo é uma tendência de se reunir todos os aparelhos eletrônicos de entretenimento em um só, e não a substituição de um pelo outro.”

Questionado acerca das interações sociais através da web, Granato considera comum o contato através de e-mail ou programas de mensagens em detrimento do telefone. “A banda larga mantém as pessoas por mais tempo em frente ao computador e, por isso, é comum utilizar a internet para manter contato com os outros. Percebo que isso afeta os adolescentes que, muitas vezes, preferem ficar em casa conversando em programas de troca de mensagens ao invés de realizar as atividades pessoalmente.”

Phillip Fernandes atribui à internet papel fundamental na mudança de comportamento dos jovens. “Houve uma revolução total na minha opinião. Quando eu tinha 14 anos, minhas distrações eram colecionar latinhas e figurinhas. Hoje, as pessoas de 14 anos têm acesso a tudo, instantaneamente, através da web. Mudou tudo.”

Apesar de manter contato com os amigos pela internet, o tecnólogo não abre mão de sair de casa para encontrá-los pessoalmente. “Durante a semana, as obrigações do dia-a-dia acabam tomando boa parte do meu tempo e eu me comunico bastante pelo computador. Mas, nos finais de semana, faço questão de sair do mundo virtual para socializar de verdade.”

A mudança de comportamento motivada pelo uso da internet, segundo Alexandre Serpa, já pode ser observada na sociedade. “Hoje, não apenas os jovens, mas adultos e idosos se interessam pelas novas tecnologias e estão dispostos a aprender. Os adolescentes ainda gastam um tempo maior com lazer do que com atividades funcionais, mas a tendência é que esse tempo seja melhor distribuído quando os pais também conhecem as ferramentas e podem orientar sobre o uso da web.”

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