Triste lembrança: Juiz de Fora dedica três dias a festival para relembrar o período da Ditadura Militar

Henrique Fernandes

Na última semana, Juiz de Fora se lembrou de um período triste da história do Brasil: a Ditadura Militar. De terça-feira, 15, a sexta-feira, 18 de setembro, uma série de debates, exposições e exibições de filmes fizeram parte da programação do Festival “É proibido proibir”, realizado pela Funalfa, no Museu Ferroviário de Juiz de Fora. O festival pretendeu resgatar episódios históricos do período do governo militar, bem como trouxe à tona depoimentos de jornalistas, músicos e outras pessoas que vivenciaram a época e que, de alguma maneira, sentiram na pele o cerceamento de sua liberdade através da censura.

Mediador do último dia do festival, o professor Paulo Roberto Figueira Leal, da Faculdade de Comunicação da UFJF, considera importante um evento do tipo, principalmente para que seja resgatada a memória de um período difícil e, assim, as novas gerações tenham consciência dos fatos. “Qualquer espaço que permita resgatar a memória daquele período é importante, sobretudo se permitir que os mais jovens, que nasceram após o fim da ditadura, tenham a dimensão do que foi o regime de arbítrio”.

Professor Paulo Roberto Figueira Leal: "Devemos nos lembrar da Ditadura para conscientizar os mais jovens"

Professor Paulo Roberto Figueira Leal: "Devemos nos lembrar da Ditadura para conscientizar os mais jovens"

No último dia de palestras a presença mais marcante foi a dos cerca de 50 estudantes do ProJovem, do Governo Federal, coordenado em Juiz de Fora pela Secretaria de Assistência Social (SAS). Os participantes do programa são jovens, entre 18 e 25 anos, que não terminaram o Ensino Fundamental no tempo regular. Segundo o professor Paulo Roberto Figueira Leal, a presença desses jovens foi importante para os objetivos do evento: “Claro que em grupos numerosos a recepção aos debates é muito heterogênea. No entanto, vários jovens fizeram perguntas pertinentes e demonstraram ter percebido a relevância da discussão.” Afirmou o professor, que mediou um debate sobre censura na imprensa, envolvendo os jornalistas José Maria Mayrink e Ivanir Yazbeck.

O escritor José Maria Mayrink: jornalista atuante nos tempos do AI-5

O escritor José Maria Mayrink: jornalista atuante nos tempos do AI-5

Outro aspecto do evento foi a participação pequena de estudantes de Comunicação nos debates e palestras. Principalmente no último dia, em que o principal ponto discutido foi o Jornalismo, poucos estudantes universitários da área estiveram no festival. Para Paulo Roberto, outro evento realizado na Faculdade de Comunicação da UFJF no mesmo dia pode ter contribuído para a ausência destes alunos: “No mesmo dia ocorreu na Facom/UFJF um debate sobre o fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. Ainda assim, alguns estudantes de Comunicação estiveram presentes e a participação deles foi importante”.

Filmes ligados ao período ditatorial e documentos oficiais de censura da época complementaram o ciclo de palestras e debates. O evento foi marcante também para o Museu Ferroviário, por tratar-se do primeiro evento totalmente desvinculado de trens e ferrovias na história do espaço. Para a diretora do Museu Ferroviário de Juiz de Fora, Ana Maria Ribeiro de Oliveira, a realização do “É proibido proibir” foi extremamente positiva para o espaço: “O Museu tem que cumprir esta função social. Pretendemos dar continuidade a atividades desse tipo.”

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