Festa Alemã do bairro Borboleta: 15 anos de história

Por Patrícia Rossini e Vanessa Vieira

Há quinze anos, os moradores do bairro Borboleta celebram a chegada dos imigrantes alemães em Juiz de Fora, com a tradicional Festa Alemã. Danças típicas, salsichão, joelho de porco e chucrute não faltam durante as festividades, sempre regadas a chopp. O evento, que já faz parte do calendário oficial da cidade, reúne juizforanos de todos os bairros e atrai visitantes de diversos lugares do Brasil.

Maria Inês Haider

Maria Inês Haider

Além de aproveitar o momento para lembrar as origens alemãs, muitos moradores do Borboleta investem na festa para incrementar a renda, montando as tradicionais barracas de família. É o caso de Maria Inês Haider, 35, que trabalha há 13 anos na festa. “A preparação começa quinze dias antes da festa, com a compra dos ingredientes. Aqui, nós fazemos tudo em família, todos trabalham juntos na barraca.” Segundo ela, o investimento gira em torno dos R$ 12 mil, e o lucro médio é de R$ 4 mil.

Há cinco anos atrás dos balcões da festa alemã, Marcos Kirchmaier ressalta a importância do resgate das memórias dos antepassados. “É um momento de troca, de interação entre as famílias alemãs, de prestigiar as receitas de família. Quem visita a festa, tem a oportunidade de conhecer um pouquinho da cultura alemã.”

Depois de participar da Oktoberfest, em Blumenau, e de festas

Marcos Kirchmaier
Marcos Kirchmaier

alemãs em Petrópolis e no Espírito Santo, Kirchmaier garante que Juiz de Fora tem uma das melhores festas de rua do Brasil. “Aqui, é tudo aberto ao público, a festa fica no meio do bairro e todos os moradores entram no clima, enfeitando as fachadas e participando do evento. Conheço muitos descendentes alemães de São Paulo e Belo Horizonte que sempre estão por aqui, reencontrando os amigos durante a festa e trocando histórias.”

Quem mora no Borboleta, mesmo sem participar ativamente da organização do evento, acaba alterando a rotina para prestigiar os vizinhos. Maria Aparecida Agostinho, moradora do bairro há 60 anos, apoia a festa. “Aqui, a grande maioria das pessoas é de origem alemã, e, por isso, é muito importante lembrarmos nossos antepassados. Algumas tradições se mantém até hoje no bairro, como o consumo do pão alemão durante o ano inteiro, as tortas e o grupo de danças típicas.”

Mariléia Haber Eiterer, 54, nascida e criada no bairro, destaca a importância econômica do evento. “Com o grande número de visitantes da festa, todo mundo sai ganhando. As empresas de ônibus, o comércio local e os moradores que montam as barracas típicas, e isso tudo alegra o bairro. Meus avós maternos vieram da Alemanha e eu considero importante homenageá-los, bem como aos outros imigrantes que fundaram o Borboleta.”

Os destaques da Festa Alemã

Grupo de dança Schmetterling

Grupo de dança Schmetterling (assista)

A atração principal do evento é o grupo de dança folclórica Schmetterling (vídeo). A tradução do nome é “Borboleta”, uma homenagem ao bairro juizforano onde funciona a sede da Associação Cultural e Recreativa Brasil-Alemanha (ACRBA). De acordo com Vera Lúcia Schäfer Kirchmaier, vice-presidente da associação, as coreografias têm origem na Casa da Juventude, em Gramado – Rio Grande do Sul. “Duas vezes por ano, um representante daqui vai até lá, acompanha as aulas e volta trazendo os CDs e DVDs para transmitir aos demais”, afirma.

Além das apresentações nos quatro dias de festa em Juiz de Fora, os dançarinos viajam durante o ano para diversas cidades do país como Petrópolis e São João Nepomuceno, que já viraram tradição. Segundo Vera, qualquer pessoa desde os três até os 60 anos pode participar da equipe Schmetterling, não é necessário ser descendente de alemão. “O importante é manter as tradições e levar um pouco da cultura germânica até a população”, acrescenta.

Dilza Masson Franck e Nilo Sérgio Franck

Dilza Masson Franck e Nilo Sérgio Franck

Durante o primeiro dia da 15ª edição da Festa Alemã, no dia 1º de outubro, um casal vestido com trajes típicos chamou a atenção. Dilza Masson Franck e Nilo Sérgio Franck, integrantes do grupo de dança, falaram com emoção sobre a importância da comemoração. “É uma oportunidade de estar no meu solo sagrado. A festa é muito boa… as tortas, as comidas típicas. Temos a oportunidade de aparar muitas arestas, de rever a vida e ver que ela é muito boa”, revela Dilza. (ouça)

Outro evento de sucesso na clássica festa do bairro Borboleta é o Concurso de Chopp a Metro. O participante que conseguir beber, em menos tempo, um metro da bebida sem tirar o copo da boca e sem babar, vence a competição.

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1 comentário

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Uma resposta para “Festa Alemã do bairro Borboleta: 15 anos de história

  1. Iluska Coutinho

    Boa abordagem, ressaltando tanto o lado econômico quanto cultural da festa alemã. Contextualização apropriada do evento, destacando a importância da preservação da cultura alemã no bairro e ainda enfocando o incremento na renda familiar de diversas pessoas em função da montagem de barracas e do trabalho desenvolvido na festa. Inserção de vídeo do grupo de dança destacando o evento de maneira apropriada, ilustrando a festa feita no Borboleta, e ainda mostrando que esta é uma maneira de resgatar e manter a cultura germânica, e também de manter a tradição da cultura alemã no bairro. Faltou, apenas, que a matéria ficasse mais bem amarrada no final, para que a leitura do encerramento fosse tão prazerosa quanto o restante da reportagem. Parece que a matéria terminou sem que a informação tivesse sido completamente repassada.

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