Volta, volta Bejani …

 Por Aldine Mara
beja e esposa
Alberjo Bejani e a esposa, Vanessa Loçasso se filiaram ao PTB

 Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). É esse o destino político-partidário do ex-prefeito de Juiz de Fora Alberto Bejani. A informação foi divulgada no dia 14 de outubro, após o término do período de entrega da lista de filiados ao partido à Justiça Eleitoral. Mas Bejani não está sozinho. O nome da sua esposa, Vanessa Loçasso Bejani, também aparece na relação de filiados do PTB.

                 A ligação de Bejani ao partido não é inédita, uma vez que foi pelo PTB que ele se elegeu prefeito da cidade em 2004. Mas sua segunda passagem pela prefeitura não chegou até o fim do mandato (o primeiro mandato foi em 1989 a 1993). Em abril de 2008, o então prefeito, foi preso durante a chamada “Operação Passárgada” da Polícia Federal, acusado de desvio de recursos que eram repassados pela  União através do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Porém, em junho do mesmo ano, Bejani renunciou ao cargo a fim de evitar a cassação de seu mandato.(*Entenda o caso)

                A filiação do ex-prefeito representa “a volta” de Bejani ao cenário político, já que desde a sua renúncia é a primeira vez que ele se relaciona com algum partido oficialmente. De acordo com o presidente da comissão provisória da legenda do PTB, o ex-vereador Rogério Ghedin, a filiação foi uma decisão exclusiva da comissão provisória de Juiz de Fora: “isso é uma decisão local”. O presidente comentou ainda que a saída de Bejani do PTB no ano passado foi iniciativa do próprio Bejani. E hoje, ele tem direito como qualquer cidadão da cidade de se filiar a qualquer partido da cidade. “Nós não temos restrições quando uma pessoa tem legalidade para se filiar.” Como renunciou ao mandato antes de ser cassado pela Câmara, o ex-prefeito conseguiu manter seus direitos políticos.

             Quanto a possíveis candidaturas do ex-prefeito e de sua esposa pelo partido, Ghedin afirmou que isso é uma decisão pessoal dos dois: “uma coisa é se filiar ao PTB outra coisa é se candidatar”, diz. Como os processos contra Alberto Bejani ainda não foram julgados, a lei permite que ele possa se candidatar. Mas Rogério confirmou que o PTB de Juiz de Fora pensa em participar das eleições do ano que vem, porém não disse nomes: “Juiz de Fora é uma cidade com um colégio eleitoral de quase 400 mil eleitores, e a participação da cidade vai acrescentar e somar para a legenda”, explica.

              Mas há quem diga que Bejani vai sim ser candidato. Omar Peres, agora do PFL, escreveu em seu blog que o ex-prefeito será candidato: Esse retorno significa, também, a candidatura do ex prefeito à Deputado. Não se sabe se Estadual ou Federal. Provavelmente o segundo, onde teria maiores chances. Isso porque, certamente, haveria um embate e uma polorização direta entre ele e Omar Peres, provável candidato, também a Deputado Federal. A eleição ganharia um grande foco.”

             Para o presidente da Câmara Municipal, o vereador Bruno Siqueira (PSDB), a volta de Alberto Bejani ao PTB faz dele apto a se colocar como candidato ano que vem ou posteriormente. Porém, é o poder judiciário que vai decidir se ele pode ou não ser, de fato, um candidato. “Nós temos que esperar a resposta da Justiça para tomarmos alguma posição. Caso ele possa se candidatar, cabe a população analisar e escolher bem os seus representantes”, conclui o vereador.

             O cientista político, Paulo Roberto Leal, analisa a volta de Bejani ao PTB como uma medida “surpreendente”, uma vez que foi convidado a se desligar desse mesmo partido recentemente. Mas que essa filiação pode ser um indicativo sim de uma possível candidatura caso ele não tenha nenhuma condenação, mesmo que não seja em 2010.

paulo

O cientista político, Paulo Roberto Leal: "ainda existem eleitores fiéis ao Bejani".

            Quanto à receptividade da população diante uma possível candidatura, Paulo acredita que mesmo que grande parte do eleitorado tenha uma resistência a Bejani, é possível que o ex-prefeito tenha um nicho eleitoral considerável: “Não é absolutamente descartável que ele possa concorrer com alguma chance de sucesso em algum cargo legislativo, por exemplo. Talvez não seja mais possível concorrer com sucesso a um cargo executivo. Mas eu não apostaria que ele ainda não tenha uma parcela de eleitores que se mantêm fieis a ele”, finaliza.

             Para o engenheiro José Roberto Silas, a candidatura de Bejani é inadmissível: “É impossível acreditar que ele ainda pode se candidatar e ser eleito depois de tudo que ele fez. Espero que a justiça seja coerente e condene Bejani pelos casos de corrupção que ele cometeu”, desabafa o juizforano. Também contrária a candidatura do ex-prefeito, a comerciante Alessandra Alves afirma que ele não conseguirá se eleger: “o povo não vota nele mais não. Ele tem que pagar pelo o que fez e por ter envergonhado Juiz de Fora”, conclui.

  * Caso Bejani : breve retrospectiva 

                 O segundo mandato de Alberto Bejani (2004 – 2008) foi marcado por irregularidades. Em 20 de abril de 2007 o Ministério Público deu entrada a uma ação de improbidade administrativa pelo uso de uma logomarca personalizada da administração em obras públicas. De acordo com juíza responsável pelo caso na época, Maria Lúcia Cabral Caruso, a ação trata do uso da logomarca “Ação e Resultado” pela administração do ex-prefeito sob alegação de promoção pessoal.

               Em 9 de abril de 2008, Bejani foi preso durante a chamada “Operação Passárgada” da Polícia Federal, acusado de desvio de recursos que eram repassados pela União através do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Em sua casa foram encontrados e apreendidos 1,12 milhão de reais em espécie, um revólver de uso exclusivo das Forças Armadas, duas pistolas e uma carabina.

             Treze dias depois, em 22 de abril, Bejani foi libertado através de habeas corpus do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Voltou a ser preso em 12 de junho, por não conseguir comprovar a origem do dinheiro apreendido em sua casa. No mesmo dia, o site da revista Época divulga um vídeo em que Bejani aparece recebendo sacolas de dinheiro.

            No dia 13 de junho a Câmara Municipal de Juiz de Fora, após realização de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), decidiu pedir a cassação de Bejani. Ele, porém, se antecipou à decisão anunciando a renúncia em 16 de junho de 2008. O vice-prefeito, José Eduardo Araújo assumiu o cargo.

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