Feriados: alívio para alguns, ameaça para outros

Por Anelise Polastri Ribeiro

Tiradentes, Dia do Trabalho, Semana Santa, Carnaval, Corpus Christi… Para muitos trabalhadores e estudantes, os feriados geralmente são glorificados, por proporcionarem um descanso extra na rotina. Para outros, no entanto, representam uma verdadeira ameaça aos lucros.

Segundo a consultora internacional Mercer, o Brasil empata com a Lituânia em números anuais de folga, com 41 dias que incluem férias, dias santos e feriados nacionais. Os dois países ocupam a primeira posição dentre mais de 40 países analisados. Os dados são da Mercer`s 2009 Worldwide Benefit and Employment Guidelines, que orienta os serviços de recursos humanos em multinacionais.

Com relação ao número de feriados nacionais, o Brasil ocupa a 6º posição, junto com Suíça, Itália, Nova Zelândia, Singapura e China, totalizando 11 dias de folgas cada um. Inglaterra, Austrália e Noruega são os que apresentam o menor número de feriados nacionais,oito no total.

Para alguns setores econômicos, a interrupção do processo produtivo gera fortes prejuízos. Para uma indústria, interromper a produção por questões de datas de feriado significa reduzir sua produtividade e, consequentemente, criar possibilidades de menor volume de vendas. Para o comércio, também significa vendas elucros menores, o que é sempre prejudicial para estas empresas.

O que a economia perde com os feriados

Potenciais consumidores-o que a economia da cidade perde com os feriados

Segundo o economista Marcus David, não é simples dizer quanto o Brasil perde com os feriados, em termos de lucratividade. Se por um lado a indústria e o comércio perdem, setores como a indústria do entretenimento e do turismo são ativadas, o que gera uma certa compensação. Apesar disso, os setores afetados apresentam prejuízos muito maiores do que os lucros dos que são beneficiados. Portanto, a tendência é um prejuízo médioelevado para economia do país, difícil de ser mensurado.

Minimizando prejuízos

O feriado é um direito trabalhista em que funcionários não têm a obrigação de trabalhar. Para garantir o volume de produção e atender aos seus pedidos, o que a empresa pode fazer é negociar com o sindicato e tentar fazer o chamado banco de horas. Assim, o trabalhador se beneficia com o feriado, mas compensa em horários extras, de forma a tentar garantir o mesmo nível de produção. “As indústrias só utilizam essa metodologia, quando apresentam demanda elevada e os dias parados em função de feriado vão gerar prejuízos de vendas”, ressalta Marcus.

Dentre os setores que mais se prejudicam com os feriados estão a indústria pesada e a extrativista, que têm grandes gastos para ligar e desligar equipamentos e fazer ajustes nas máquinas (os chamados set up).

De acordo com o economista, empresas de grande sazonalidade, como a alimentícia, a de vestuário e a de brinquedos, podem evitar prejuízos causados pelos feriados, fazendo um planejamento em função da redução na produção estimada.

Segundo um dos donos da Duduxo alimentos congelados, Wagner Sarchis, a empresa deixa de produzir 10 toneladas por dia não trabalhado, o que acarreta em um prejuízo maior que 624 mil reais por ano. A alternativa encontrada foi fazer um acordo com os funcionários, para que eles trabalhem nos feriados e a indústria consiga suprir a demanda.

Esta é, no entanto, uma medida paliativa. Atualmente, a empresa está investindo em automatização, para que seja possível produzir além da demanda, durante os dias normais de trabalho. “Trabalhar nos feriados gera um custo de mais de 50 mil reais por ano, pois é necessário pagar horas extras. Além disso, é muito desgastante para os funcionários”, comenta Wagner. A Duduxo possui porte médio e tem como ponto forte a produção de pão de queijo, sendo fornecedora de quase todos os estados brasileiros.

Celso

Celso

Celso Rezende de Paula é vendedor de picolés em Juiz de Fora e também tem prejuízos com os feriados. Nos dias de semana, ele vende cerca de 150 sorvetes e picolés, geralmente em agências de carros e malharias. Segundo ele, as vendas caem muito nos fins de semana e feriados, mesmo em pontos de atração turística da cidade, pois como são poucos, a concentração da concorrência é grande. “Nos fins de semana e nos feriados, há poucos lugares em que há muita gente, diminuindo as opções de pontos de venda. Isto faz com que a concorrência de vendedores de picolés seja acirrada e os lucros, menores”, relata Celso.

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