Exposição retrata paisagem em meio ao espaço urbano de Juiz de Fora

por Hellen Katherine

Exposição fica em cartaz até o dia 30/11.

A pressa do dia a dia pode impedir que o juizforano perceba, entre prédios e avenidas, as belezas naturais da cidade. Esses detalhes de paisagem, em meio ao ambiente urbano, serviram de inspiração para a artista plástica Rachel Gouvêa. O resultado pode ser admirado na exposição “Olhar Juiz de Fora – A natureza em evidência”, que está em exibição no Espaço Cultural da Sociedade de Medicina e Cirurgia. Os 22 quadros retratam o convívio da natureza com o espaço urbano e chamam a atenção para a poluição da cidade.

A ideia do evento começou há dois anos, com a paixão de Rachel por fotografia e pela natureza. A partir da margem do Rio Paraibuna, na Avenida Brasil, local onde sempre realiza caminhadas, a artista deu início a uma série de fotografias de belas paisagens naturais. O que era apenas um hobbie, sem intenção alguma, tornou-se um projeto cujo objetivo era fixar o que Juiz de Fora tem de mais belo. “As fotos passaram a ser intencionais e mais diversificadas. Queria mostrar esse contraste, abstrair o negativo”, conta. Assim, todas as pinturas são baseadas em fotos tiradas pela artista.

Artista procurou mostrar o contraste entre o urbano e a natureza.

Além de retratar o convívio entre o natural e o artificial, Rachel tinha ainda um outro objetivo para a exposição: despertar e conscientizar as pessoas para a necessidade de manter a cidade limpa. “Existem muitas campanhas, mas os hábitos não mudam. A exposição é também uma denúncia e uma forma de conscientizar, ao mesmo tempo”, explica.

Para tornar essa conscientização mais prática e real, a artista realizou a abertura da exposição, no dia 05 de novembro, de uma forma diferente. Os convidados que chegavam ao local eram obrigados a interagir com o lixo reciclável que estava espalhado por todo o salão. Segundo Rachel, as pessoas estranhavam aquela situação e desviavam das garrafas e dos pneus jogados pelo chão. “Mostramos que o lixo não apenas faz mal à saúde, mas também deixa qualquer ambiente feio”.

Após o impacto, os convidados souberam qual era o objetivo da ação. Sacolas plásticas e luvas de borracha foram distribuídas a cada um e, em poucos minutos, o salão estava completamente limpo. “Fiquei muito satisfeita, a mensagem foi entendida e todos participaram. As pessoas ficaram realmente tocadas e esse era o objetivo, chamar a atenção. No final, não havia nem um papel no chão”, relembra.

A tela "Castelinho da CEMIG" é uma das preferidas de Racquel.

Para Rachel, a atividade de interação na abertura condiz com o sentido da exposição e representa um pouco do dia a dia da cidade. “As pessoas se sentem incomodadas e devem fazer algo pela natureza de onde vivem. A exposição mostra isso: o patrimônio associado à natureza”. De suas 22 obras, ela confessa algumas preferências. “Gostei muito da cena do Museu Mariano Procópio e da paisagem no Castelinho da CEMIG”, revela.

A paixão que virou profissão

Rachel Gouvêa sempre gostou de pintura e desenho. Seus primeiros rabiscos apareceram aos 12 anos de idade, em Juiz de Fora, sua cidade natal. “Eu já nasci com vontade de me expressar pela arte, de expressar o meu exterior e o que está dentro de mim”, afirma. Cirurgiã dentista formada, Rachel teve que abandonar a profissão devido a um problema de saúde. Assim, o que antes era apenas uma paixão acabou tornando-se o foco de sua dedicação e passou a ser, de fato, sua atividade profissional.

Racquel busca abordar temas variados em seus trabalhos.

Sua primeira exposição coletiva ocorreu em 1995. Depois disso, a artista realizou alguns eventos individuais, entre os quais destaca exposições de retratos em grafite, temas variados e natureza viva. “Sempre busco temas diferentes e atrativos”.

Hoje, com 40 anos, o currículo da artista reúne uma coleção de prêmios. Entre eles, Rachel destaca sua primeira medalha de bronze, em 1995, pelo Salão Oficial Municipal. “Quase fui desclassificada, por duvidarem que meu desenho fosse um desenho mesmo. Acharam que era foto”, lembra. Além disso, a pintora conquistou, nesse ano, a medalha de prata no Salão Primaveril da cidade.

A exposição “Olhar Juiz de Fora – A natureza em evidência” tem entrada gratuita e pode ser conferida de segunda a sexta-feira, das 09h às 18h, até o dia 30 de novembro.

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