Alunos podem justificar falta no Enade até o dia 23/11

por Hellen Katherine

Mais de 5000 universitários de Juiz de Fora realizaram, no dia 8 de novembro, as provas do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, o Enade. Neste ano, a prova foi aplicada em todos os alunos que possuíam de 7% a 22% da grade curricular feita ou 80% das matérias obrigatórias já concluídas até o dia 1º de agosto desse ano. Os participantes foram selecionados pelo Ministério da Educação (MEC) para realizar o exame que, desde 2004, substitui o antigo Provão na avaliação do ensino superior brasileiro.

O aluno que deixa de participar do Enade é impedido de concluir o curso, uma vez que não consegue receber o diploma ao se formar. Porém, aqueles que não compareceram ao exame podem justificar a ausência até o dia 23 de novembro. Para isso, o estudante deve encaminhar o pedido de dispensa pelos Correios, incluindo requerimento de dispensa preenchido, declaração de aluno regular e habilitado no Enade 2009, comprovada por meio de assinatura do responsável pela instituição, e cópia autenticada de documento que comprove o impedimento de participação na prova. Os requerimentos e declarações estão disponíveis para download na página eletrônica do Enade.

A data de postagem do envelope no Correio será considerada para comprovar o prazo de apresentação das solicitações. Não serão aceitos pedidos por faz ou por e-mail e o MEC não irá se responsabilizar por eventuais extravios de correspondência.

As justificativas serão analisadas por uma comissão designada especificamente para este fim, formada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep). O prazo para a resposta do Instituto aos estudantes irá até 26 de março de 2010. Além disso, segundo o Inep, os alunos que foram informados do endereço errado de aplicação da prova e, por isso, não conseguiram realizá-la, também terão atestado de dispensa.

A justificativa deve ser encaminhada ao Ministério da Educação, Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Comissão Especial de Análise e Julgamento de Dispensa do Enade de 2009. Caixa Postal 9520, Agência AC Banco Central. SBS, quadra 3, bloco A, 2º subsolo. CEP 70070-972, Brasília, DF.

Problemas de organização e conteúdo

Alunos do curso de Comunicação se depararam com uma surpresa na hora de resolver as questões do Enade. A prova estava dividida em habilitações e muitos estudantes estavam classificados em áreas que não correspondiam ao

Para a aluna Monique Soares, fiscais do Enade estavam tão desinformados quanto os participantes.

curso que fazem. A confusão causou transtornos na hora do exame, já que os alunos não haviam sido devidamente informados da classificação. Além disso, os fiscais presentes nos locais não souberam orientar ou orientaram de forma errônea, o que causou polêmica entre os participantes.

A aluna do sétimo período, Monique Soares, foi uma das alunas da Faculdade de Comunicação da UFJF, cuja habilitação é Jornalismo, classificada para realizar a prova da categoria Editoração. Ela afirma que descobriu isso por acaso, ao buscar, na internet, o local exato onde deveria fazer o exame. “Na hora, eu não dei importância porque estava mais preocupada com o local da prova e como eu ia fazer pra chegar lá. Quando vi a prova, surgiu a dúvida. Ninguém sabia dessa divisão”, conta.

Monique afirma que, em discussão no momento da prova, os próprios alunos decidiram por ignorar o possível erro e realizar a prova da habilitação de sua faculdade. Enquanto isso, segundo ela, os fiscais não demonstraram conhecimento algum sobre o problema. “Nem eles estavam sabendo sobre o que deveria ser feito. A gente perguntou, eles estavam meio perdidos, nenhum deles sabia dessa divisão”.

Luciane Carvalho reprovou o conteúdo da prova.

Para a estudante, o fato mostra desorganização e descuido. “Acredito que foi uma desorganização muito grande, que prejudica muito a faculdade e pode prejudicar demais o resultado. A gente fez a nossa parte”, opina.

A prova também foi criticada no que diz respeito ao seu conteúdo. Uma das questões discursivas da área destinada a Jornalismo apresentou descrições de linhas editoriais de jornais populares e de grande porte como veículos que “inventam fatos” e “manipulam notícias”, respectivamente.

A afirmação foi avaliada pelos estudantes de Comunicação como equivocada. “Já definem o que a gente tem que pensar e eu não concordo com as definições, generalizaram o jornalismo. Foi muito preconceituoso”, afirma Luciane Carvalho, aluna do 2º período, também da UFJF.

O conteúdo da prova não foi o esperado pelo estudante Thanius Sarchis.

Já o aluno do 7º período, Thanius Sarchis, mostrou-se decepcionado com o conteúdo da prova. “Na hora que eu vi na prova, achei um pouco estranho e pensei que essa prova realmente não esta de acordo com o que eu esperava, uma prova séria feita para avaliar os alunos. Ainda mais por ser uma prova de jornalismo falando mal do jornalismo”, diz.

Para ele, fatos como esse prejudicam não apenas os resultados, mas a credibilidade do exame. “Até dá pra entender que quem fez aquela prova com conteúdo jornalístico não foi um jornalista. Isso compromete a credibilidade da prova como uma avaliação nacional”, finaliza.

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