Arquivo do mês: abril 2010

Vacina contra H1N1 causa reações que incomodam

por Laís Souza

Pode parecer só uma picadinha. Mas, muita gente está com receio de tomar a vacina contra o vírus H1N1. Isso porque as reações têm incomodado grande parte daqueles que se submeteram à vacinação.

As reações são diversas, dependem de cada organismo e da resposta imunológica que cada pessoa desenvolve quando entra em contato com o vírus inativo. A maioria das pessoas sente apenas uma forte dor no local da aplicação da vacina. Algumas são pouco afetadas: “Tive uma dor leve no braço, que durou umas 24 horas, conta o economista Rafael Cury, de 25 anos”. Mas em alguns casos, a vacina provoca muitas reações adversas de uma só vez.

Segundo a enfermeira da Secretaria de Saúde, Marcilene Costa, os sintomas tendem a desaparecer em 48 horas. Mas para muitas pessoas, esse prazo tem se excedido. “Tive muita dor no braço, até o terceiro dia, e uma dor leve até o quinto dia. Fiquei com o corpo doendo, tive um pouco de febre e cansaço. Era como se eu estivesse meio gripado”, conta o economista Rodrigo Chaves, de 25 anos. A mãe dele, de 49 anos, teve febre alta e muita dor no corpo. Já a irmã, de 20 anos, reclamou apenas de forte dor local.

Para amenizar as reações adversas, Marcilene dá algumas dicas: “Para dor local, pode-se colocar compressa fria, sem massagear. No caso da febre, a pessoa pode tomar o antitérmico de costume”. Para as outras reações, a recomendação é ficar de repouso, tomar bastante líquido e esperar.

A campanha está sendo feita por etapas. Cada faixa etária tem seu prazo para tomar a vacina. Porém, algumas pessoas acima de 29 anos, conseguiram tomar a vacina no prazo destinado à adultos de 20 a 29 anos. Marcilene, explica que, depois de constituída, a vacina é valida por 24 horas. “Às vezes, já está no final do dia e se deixar para o dia seguinte, a vacina vence. Então pode acontecer de ter uma pessoa fora da faixa etária programada para aquele dia, que acaba sendo vacinada”, completa.

Quem tem alergia a ovo não pode tomar a vacina. Mas, as pessoas que estão com a imunidade um pouquinho mais baixa, não tem razão para se preocupar. As reações adversas não aumentam por conta disso. “A gente só está pedindo para adiar a vacinação no caso de pessoas com dengue, porque tem uma queda de plaquetas, em pessoas com doenças agudas graves e em caso de quadro febril. Fora isso, os imunodeprimidos, inclusive, estão incluídos na normativa do Ministério (da Saúde) para serem vacinados como portadores de comorbidade crônica.”

Nem todo mundo pode tomar a vacina contra o vírus que assustou o país no ano passado. Essa foi uma resolução do Ministério da Saúde, que precisou administrar a quantidade insuficiente de vacinas para toda a população brasileira. “A gente está seguindo uma normativa do Ministério da Saúde, onde ele concluiu que a faixa etária que houve maior incidência da doença no ano passado foi de 20 a 39 anos e que o restante da população abaixo disso respondeu bem à doença. Então como o Ministério não tem número de doses para atender todo mundo, ele preconizou essa faixa etária, que foi mais atingida, inclusive com índice maior de mortalidade”, explica Marcilene.

Em Juiz de Fora, já foram vacinados cerca de 70.944 pessoas segundo dados divulgados pela Secretaria de Saúde, no último dia 16. Além das unidades básicas de saúde, shoppings e universidades abriram postos de vacinação, o que, segundo Marcilene, surtiu um efeito positivo: a demanda foi grande.

Para quem ainda não tomou a vacina, é melhor deixar o medo de lado. Segundo o Ministério da Saúde, as reações adversas, embora incômodas, são mínimas perto dos sintomas provocados pela Gripe A.

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em Cotidiano

Pesquisadores da UFJF participam do Experimento Atlas

por Eduardo Malvacini

Área ocupada pelo LHC

Uma equipe da UFJF composta de três professores e três estudantes de mestrado e de pós-doutorado da UFJF integra o grupo de trabalho no experimento Atlas – parte do LHC (Grande Colisor de Hadrons) – no Cern (Organização Européia para Investigação Nuclear), que fica na fronteira da França com a Suíça. A equipe ajudou a projetar um sistema automatizado que testa as milhares de ligações que compõe o Experimento Atlas – um enorme detector de partículas – parte do experimento que tentar provar a existência do Bóson de Higgs.

O Cern é o maior centro de estudos sobre física de partículas do mundo. Integra seis aceleradores de partículas e é também conhecido por ter sido um dos berços da World Wide Web. O LHC, segundo Augusto Cerqueira, professor do Departamento de Circuitos Elétricos da Faculdade de Engenharia da UFJF, tem 27Km de circunferência e “é o maior instrumento científico já construído, não só porque reúne uma equipe de mais de 3 mil pesquisadores de todo o mundo, mas também em consideração ao investimento e à tecnologia que ele envolve”.

Atlas durante sua montagem

O LHC é um enorme acelerador de partículas que consegue inserir grande quantidade de energia em uma área extremamente reduzida de um pacote de prótons, fazendo com que esses prótons sejam acelerados a uma velocidade próxima a da luz. O experimento consegue, hoje, atingir uma energia de 7 TeV (tera eletróns-volt). Antes dessa tecnologia, o acelerador mais potente era o Tevatron, que alcançava uma energia de 1TeV. Os 7 TeV podem ser comparados a, por exemplo, a energia do bater de asas de um mosquito.”A diferença é que essa energia está concentrada em um feixe de prótons e a dificuldade é justamente de imprimir essa energia em um volume tão pequeno”, afirma Augusto. “Isso faz com que se consiga gerar mais partículas nas colisões e, portanto, eventos mais raros”.

Nos pontos de impacto do acelerador acontecem, em média, 600 milhões de colisões por segundo. Para analisar esses dados foram criados novos sistemas, dentre eles um filtro de eventos que só grava os dados de possíveis colisões interessantes, descartando os milhões impactos comuns. Mesmo depois de filtrada, a quantidade de dados é tão grande que uma equipe de aproximadamente 3 mil físicos, em todo o mundo, é responsável pela análise dos eventos.”Tanto o financiamento do LHC quanto a análise dos resultados são divididos entre vários países, membros ou usuários” pondera o professor.

Com tamanho equivalente a um prédio de cinco andares, o Experimento Atlas é composto por diversas camadas de detectores. Cada uma das partes tem a função de detectar e interagir com diferentes tipos de partículas para que, através da trajetória das partículas detectadas e de sua interação com o detector, seja possível saber que tipo de partícula está sendo vista.

Em função da radiação gerada pela aceleração e colisão de prótons, é mais seguro trabalhar em um ambiente subterrâneo, principalmente em caso de acidentes, por isso o LHC é instalado a mais de 100 metros abaixo do solo.

É assim que o Atlas "enxerga" uma colisão

Para organizar os mais de 3 mil colaboradores do LHC, as pesquisas são divididas em diferentes áreas; mesmo dentro de um experimento como o Atlas. Como relata Augusto Cerqueira, “essas partes dos projetos são divididas entre grupos menores que os desenvolvem, apresentam e defendem perante os outros pesquisadores para que então possam integrar o Atlas. Eles passam por testes rigorosos não só de funcionamento, mas também de compatibilidade com os outros sistemas”.

A equipe da UFJF trabalha no projeto desde 2003, em conjunto com equipes da USP e da UFRJ, auxiliando no teste de conexões dos sensores do Atlas. Atualmente, as equipes trabalham em um projeto de atualização do LHC, para tornar o filtro de eventos mais eficiente e inteligente, já que não só a energia das colisões irá aumentar, mas também o número de colisões por segundo. “Atualmente, trabalhamos com um projeto que vai ler os resultados de um dos calorímetros e comparar com os do detector de múons”, explica o professor. “A taxa de colisões, bem como a energia do acelerador vai aumentar nos próximos anos. Esse upgrade tem a intenção de deixar o sistema mais robusto, aumentando sua eficiência e facilitando a análise off-line do material gerado”.
Para Augusto “a formação tanto do aluno quanto do pesquisador ganha muito com a participação nesse experimento e, do ponto de vista da pesquisa, a universidade só tem a ganhar porque quanto mais produz, mais recursos consegue”.

Se você se interessou pelo tema e gostaria de saber mais sobre o que faz e o que se pretende descobrir no LHC, clique aqui e leia mais.

Deixe um comentário

Arquivado em Ciência & Tecnologia

Beber para não Comer – a filosofia da anorexia alcoólica

por Laís Souza

Consumir bebida alcoólica em excesso e deixar de se alimentar. Esses são os principais sintomas que caracterizam um distúrbio muito comum nos dias de hoje. A anorexia alcoólica, ou drunkorexia, como foi batizada informalmente nos Estados Unidos (drunk em inglês significa bêbado), atinge principalmente, jovens e adultos de 20 a 40 anos. As causas são as mais diversas.

A cantora Amy Winehouse, antes e depois da anorexia alcoólica (Foto: Mail Online)

O que leva alguém a protagonizar cenas tão desconcertantes como Amy Winehouse andou fazendo nos últimos tempos. Assim como ela, atrizes que integram o time das celebridades de Hollywood, como Lindsay Lohan e Kirsten Durst, também são vítimas do distúrbio que leva ao alcoolismo e à perda excessiva de peso.

Problemas emocionais

Nas mulheres, o distúrbio está muito associado ao estado emocional. Problemas como depressão e ansiedade são uma das causas que levam as mulheres a beber demais. “Nesses casos, o álcool funciona como anestésico para emoções negativas e a pessoa frustrada, consome para esquecer os problemas”, explica a psicóloga Ana Stuart. “O alcoolismo esconde carências profundas e a anorexia é a negação da vida. É um processo depressivo, em que a pessoa desiste de viver. Na anorexia alcoólica, os dois problemas aparecem simultaneamente”, completa.

Emagrecer a todo custo

Por outro lado, a busca pela perda de peso pode ser proposital e estar relacionada ao desejo de se adequar ao padrão de beleza vigente. As modelos magras que figuram nas passarelas e estampam capas de revistas, se transformam em um ideal a ser alcançado pelas mulheres comuns. O álcool então, é utilizado como auxiliador no processo de emagrecimento. Age como um inibidor de apetite e à medida que seu efeito passa, a pessoa consome doses maiores e com mais freqüência, evitando com isso, a ingestão de nutrientes.

Modelos que vendem a magreza nas passarelas e nas capas de revistas (Fotos: Jornal O Globo online e Editora Abril online)

A novela de Manoel Carlos, Viver a Vida, retrata bem esse distúrbio. A personagem Renatinha, interpretada por Bárbara Paz, é uma garota jovem, viciada em álcool e extremamente preocupada com a forma física. Dona de um corpo com proporções ideais, Renatinha se acha gorda e tem um medo constante de ganhar mais peso. Por conta disso, substitui a comida por bebida alcoólica a qualquer hora do dia e acaba se debilitando. Além de protagonizar cenas de escândalos provocados pela embriaguês, a personagem sente-se fraca e sem capacidade para guiar a própria vida.

Renatinha, personagem de Bárbara Paz na novela Viver a Vida, em uma cena na qual se machucou por estar embriagada (Foto: internet)

O vício que pode levar à perda de peso

No caso de jovens, é comum comportamentos que incentivam um grande consumo de álcool em um curto espaço de tempo. Na busca pela aceitação pelo grupo, muitos adolescentes acabam tornando-se viciados em bebidas alcoólicas. E aí, podem trocar a comida por álcool não por opção, mas por uma conseqüência fisiológica. “Porque o álcool causa, organicamente, a sensação de saciedade. Por isso é comum encontrar mendigos que bebem muito”, explica Ana.

No grupo de apoio à alcoólatras, conhecido como AA (Alcoólicos Anônimos), essa situação é bastante comum. Nelson (que prefere não relevar o sobrenome por conta de uma tradição de anonimato do AA) sabe bem como é isso. Ele já foi alcoólatra e hoje trabalha na sede dos Alcoólicos Anônimos de Juiz de Fora. Nelson explica que, quando a pessoa bebe além do limite que o organismo suporta, acaba perdendo o apetite. “O álcool dá a falsa sensação de saciedade, mas ele não tem as vitaminas e os nutrientes de que a pessoa precisa para o organismo se suprir. Quando termina a embriagues, dá tremedeira. Tanto pela falta do álcool, quanto pela fraqueza do organismo. E aí, a pessoa bebe de novo e não come. E se comer, a bebida não pára no estômago, dá enjôo”, completa. E aí, o emagrecimento é questão de tempo.

Começar aos poucos é a saída

A recuperação é um processo lento. Nelson explica que é preciso começar devagar, com alimentos leves, para que o organismo não se ressinta e tenha tempo de adaptação. “É como uma pessoa que ficou internada e não pôde comer nada por um certo tempo. Se quando ela voltar a comer, investir logo em uma feijoada, o organismo vai se ressentir”, exemplifica.

Mas para que o tratamento comece de fato e tenha sucesso, é preciso muita força de vontade. Para Ana Stuart, se a pessoa que sofre o distúrbio ainda não estiver disposta a iniciar o tratamento. “A família tem que deixar o indíviduo chegar ao fundo do poço. Porque quando não quer, a pessoa burla tudo. Para quem está no vício, você falar que não pode é reforçar esse vício. Um grande exemplo disso é a Renatinha, da novela. Foi só quando todo mundo desistiu dela, que ela resolveu aceitar o tratamento”, pondera.

E com a experiência de quem já vivenciou essa situação, Nelson conta que nos primeiros três meses a situação é mais complicada. “No começo da abstinência, eu tremia tanto que quando segurava uma xícara de café, entornava a metade. Tive insônia. E o pior é que o subconsciente sabe que se tomar um copo de cachaça, tudo isso pára. O problema é que você não fica no primeiro copo”.

Durante o tratamento, as recaídas são mais do que aceitáveis. São esperadas, mas, ao mesmo tempo, perigosas. “O problema é que o organismo não está preparado e é aí que vem a overdose”, pondera Ana Stuart.

Nelson e Ana são unânimes quanto à cura da anorexia alcoólica: é um processo de tratamento do corpo, da mente e do espírito. Para tratar da mente, o psicólogo busca as causas ocultas do distúrbio. Encontra os problemas emocionais que motivaram o vício e trabalha essas carências junto com os pacientes. Para auxiliar o corpo, o psiquiatra é o mais indicado, porque pode prescrever medicamentos para ajudar nas primeiras fases de abstinência, para que elas se tornem suportáveis ao indivíduo. Mas, e quanto ao espírito?

“A Fé é fundamental. Aqui no AA, recebemos pessoas de todos os tipos. Cada uma tem a sua religião e nós respeitamos isso. Tem uns que dizem até que são ‘ateus, graças a Deus’, mas eles acreditam em alguma coisa, nem que seja neles mesmos. Ensinamos a todos, que eles precisam buscar forças no Poder Superior. As mensagens que retiramos são todas da Bíblia Sagrada, que é a mesma para qualquer religião”, comenta Nelson.

Deixe um comentário

Arquivado em Cotidiano

Pulseiras do sexo mostram a falta de informação entre pais e adolescentes

Cada uma das cores representa uma atitude que a pessoa que arrebenta tem o direito de exigir de quem usa

Hoje em dia, a moda entre as adolescentes é usar várias pulseiras . Elas são de silicone, baratas e estão à venda em barracas de ambulantes pelas ruas. Mas, o que muitos não sabem é que essas pulseiras, tão comuns e aparentemente inocentes, têm alguns significados de acordo com a cor. São as chamadas pulseiras do sexo. É sobre isso que a psicóloga Regina Castelo alerta: “O problema é que tem muita gente que compra a pulseira sem saber do que se trata”. O acessório é polêmico. A favor ou contra, as opiniões são sempre exaltadas.

O estudante Vinícius Almeida, de 18 anos, afirma que não conhece ninguém que usa a pulseira. Mas, ele se espanta ao perceber que na internet o assunto é muito discutido. “É só escrever a palavra ‘pulseira’ em qualquer site de busca que todos os resultados são sobre a pulseira do sexo”. Ele garante que não se interessaria por uma garota que usasse o acessório. “Em primeiro lugar, acho que quem usa isso não se dá valor. Ninguém precisa sair por aí mostrando o que quer de forma tão vulgar. E, em segundo lugar, não tem graça nenhuma se não houver o jogo da conquista”.

Já o estudante Gabriel Cunha, de 17 anos, não vê problema nenhum em usar a pulseira. “As pessoas são livres para fazerem o que tem vontade”, afirma. Porém, confessa que também não se interessaria por uma garota que usasse os acessórios para um relacionamento mais sério.  A psicóloga Regina Castelo acredita que “a consciência te permite tudo”. No entanto, reflete que a sociedade precisa discutir com que idade a pessoa tem consciência do que são esses atos que as pulseiras indicam. Para Regina, o  que está acontecendo é a iniciação precoce do jogo do corpo, através das pulseiras. Ela avalia que a geração usuária nem sempre se dá conta do que significa tudo isso.

Em Juiz de Fora, houve colégios que proibiram o uso desse acessório. Outros só não recomendam a utilização. E há aqueles que não se pronunciaram sobre o assunto. A psicóloga não concorda com a proibição, mas acredita na discussão que deve ser feita a esse respeito nas escolas e nas famílias. E ressalta que esses acontecimentos, que deveriam motivar a educação e o conhecimento, têm calado as pessoas. “Falar de sexo nunca foi fácil”, afirma.

Em seu artigo Fast Food do Amor, recentemente publicado na Revista do Conselho Regional de Psicologia, Regina

As pulseiras são vendidas sem nenhuma identificação.

Castelo compara a comida fast food com as  divisões do corpo que cada pulseira representa. “Como as pessoas tem que comer rápido, elas não têm tempo e não querem envolvimento. Então, é fast food nesse sentido, de que é uma comida rápida e a nível de self service”, explica. E completa que a modernidade é líquida, rápida e se liquefaz rapidamente como o planeta.

Segundo Regina, esse fenômeno das pulseiras é reflexo da cultura que vivemos na modernidade. “É obvio que esse capitalismo selvagem teria conseqüências na cultura como um todo, nas formas de amor e nas formas de relacionamento”. Para ela, nós transferimos para as relações a mesma fragilidade da durabilidade e sustentação dos objetos, já que atualmente tudo é muito descartável. A psicóloga alerta para o que, na opinião dela, advém da cultura consumista: “A  Biologia diz que o homem é 90% água e a psicologia diz que ele é 100% afeto. O ser humano não pode ser reduzido ao biológico. Se você reduz uma dimensão extremamente afetiva, que é o encontro sexual, a uma dimensão biológica, é a devastação”.

Deixe um comentário

Arquivado em Cotidiano

Equilíbrio e Harmonia: o diferencial da formação das crianças com as artes marciais

As artes marciais são a favor da não-violência. Por isso ensinam o respeito mútuo e a cordialidade.

Os praticantes são unânimes em dizer que as artes marciais, muito mais do que lutas, são verdadeiras artes, em que não só a disciplina física é exigida e ensinada, mas também toda uma filosofia de respeito a si mesmo e dos outros. No caso do caratê, o professor Fernando Rodrigues, praticante da atividade há 18 anos, explica que os princípios básicos são a cordialidade, o respeito e a integridade, visando também o crescimento interior.  “Nas artes marciais, trabalhamos o ser humano e seu caráter. Não focamos só na prática de exercícios físicos, mas também na sua formação humana pela questão de formar um indivíduo que venha a conviver numa sociedade melhor, praticando a não-violência, ao contrário do que muita gente acha”.

Leonardo Guimarães, de 18 anos e praticante há 8 do caratê, explica que “nós devemos superar nossos próprios limites. O único inimigo que a gente enfrenta somos nós mesmos”. Ele ressalta que está numa hierarquia inferior, o que ainda não o permite pensar em competições profissionais por enquanto. Mas faz planos: “quando eu for mais experiente, gostaria de dar aulas de caratê para crianças”.

Como em qualquer arte marcial, os princípios da luta são ensinados com muito rigor aos alunos. Fernando, que também é vice-campeão mineiro de kata, explica que algumas pessoas procuram as artes marciais para melhorar o condicionamento físico. Outras já o fazem pelo fato de gostar de cultura oriental e algumas até mesmo para trabalhar a defesa pessoal. Para o professor, o motivo real do interesse pelo esporte é a filosofia trabalhada pelo caratê e as qualidades físicas gerais que o exercício físico promove, como é o caso do estudante Leonardo Guimarães. “Eu entrei procurando uma atividade física, mas depois descobri que o caratê tem toda uma filosofia, que faz dele uma arte. Por isso chama arte marcial”.

João Vitor Soares também se apaixonou pelas artes marciais há um ano e meio. Aos 8 anos, treina três vezes por

O professor Fernando Rodrigues ensina aos alunos os golpes do caratê

semana e, segundo Fernando, é um excelente lutador. O pai, João Batista Soares, conta que a idéia de lutar foi do próprio filho. “Ele via na televisão e resolveu tomar a iniciativa de nos pedir para treinar”. E o garoto, tímido, conta que, além de adorar artes marciais, pretende seguir a carreira de lutador.

Fernando explica que a prática do caratê é muito importante para as crianças. “Primeiro pela gama de movimentos que o caratê propõe, promovendo o enriquecimento motor. Até mesmo pela situação de muitas crianças hoje em dia, que vivem dentro de apartamentos, presas, sem saber fazer muito movimento. E em segundo lugar, por toda essa formação de caráter”. João Batista concorda. “No João Vitor o caratê melhorou a parte de concentração e o condicionamento físico. E ele gosta bastante”.

João Vitor e Leonardo têm o professor como um ídolo. Fernando, que começou a treinar com 14 anos de idade, conta: “por causa dele eu fiz faculdade de educação física e tem 18 anos que eu treino caratê. Sou faixa preta há 3 anos. Além disso, já viajei boa parte do Brasil para fazer cursos me aperfeiçoando e participando de competições”, conta o professor. Esse ano, ele pretende prestar exame para segundo dan. E é com essa determinação que ensina, além da técnica, uma filosofia de vida chamada caratê.

Deixe um comentário

Arquivado em Esporte

Economia familiar dos brasileiros apresenta melhorias significativas

O perfil econômico do brasileiro está mudando. É o que afirma o coordenador de remuneração Emerson Detoni, com base na pesquisa Observador 2010, feita pelo Instituto de Pesquisa Ipsos e pela financeira Cetelem. De acordo com Emerson, é possível fazer essa afirmação já que a pesquisa aponta, além do aumento da renda do brasileiro em 2009, o fato de que a população brasileira tem usado mais a poupança. Historicamente no Brasil não há o hábito de guardar dinheiro. Detoni acredita que essa realidade esteja mudando. “Creio que o aumento da inclusão econômica nos últimos anos, associado ao aumento real da renda tenha permitido ao brasileiro poupar. Este é um movimento bom para o país e suas demandas de crédito e investimentos”, afirma.

Há um aumento significativo da classe C e uma diminuição das classes D e E

A pesquisa também mostra que houve crescimento das classes A, B e C. Segundo dados divulgados, a classe C representa hoje, no Brasil, 49% da população. Houve também um encolhimento das classes D e E, que eram 40% e agora somam 35%.  “Estes números não deixam dúvidas quanto à mudança do perfil econômico do brasileiro e com certeza irão influenciar fortemente nas relações sociais e econômicas do Brasil”, afirma Emerson. Segundo o professor Marcelo Néri, da Fundação Getúlio Vargas, o Brasil dever ter pelo menos mais cinco anos de ascensão social, com a entrada de 9,4 milhões de pessoas nas classes A e B.

O coordenador de remuneração acredita que a melhoria de vida da população está relacionada com o aumento de investimentos públicos e privados nos últimos anos. Os números divulgados esse ano pelo Ministério Público confirmam. Foram criados 12 milhões de empregos formais nos últimos anos e o trabalhador tem conquistado aumentos salariais acima do INPC: “O ganho de escala e a consequente redução dos custos permitiram que as empresas praticassem uma remuneração mais agressiva”, explica. E conclui: “é uma prática que tende a se manter”.

A renda familiar média do brasileiro aumentou.

Segundo ele, a população brasileira não entrou no clima da crise nos últimos anos e o governo apostou no consumo, o que alavancou a economia do país, e permitiu essa melhoria na vida do brasileiro. A crise não alterou as políticas salariais, por causa de uma perspectiva de que ela passaria rápido, pelo menos no Brasil. “Embora o PIB tenha recuado 0,2% no ano passado, houve um crescimento de 2% se compararmos o primeiro trimestre de 2010 com o último de 2009”, ressalta.Segundo Emerson Detoni, muitos setores já apostaram que em junho a economia estará nos patamares pré-crise. E conclui com expectativas favoráveis: “Eu acredito que será mantida a atual tendência no mercado de salários, onde as empresas continuarão a praticar uma remuneração competitiva com vistas principalmente as retenções de capital intelectual.”

Deixe um comentário

Arquivado em Economia

Teatro em Juiz de Fora

Por Pedro Brasil

As origens e a importância cultural da arte de representar

Marcos Marinho, José Luiz Ribeiro, Márcia Falabella, Pedro Bismarck, Natálio Luz, Loló Neves, Nilza James, José Eduardo Arcuri, Toninho Dutra, Cintia Brugiolo, Luciana Fins, Gueminho Bernardes. O que esses nomes têm em comum? Todos eles são atores e atrizes importantes da nossa cidade.

Vários grupos teatrais fazem parte desses anos de história. Entre tragédias e comédias, a cidade foi se desenvolvendo e tomando sua face atual, de centro cultural e artístico. O Diretor, Ator e Produtor do Grupo Divulgação, um dos mais antigos de Juiz de Fora, acredita que “a história do teatro de Juiz de Fora se confunde com o desenvolvimento da cidade. Existe uma vertente muito forte do teatro feito em escolas, depois o teatro feito em Associações Culturais. Os grêmios recreativos tiveram um papel importante. O teatro estudantil foi responsável por manter acesa a chama durante muitos anos. Agora se esboça uma pequena vertente de grupos profissionais”.

Dia do Teatro

Apesar das dificuldades, os atores do Brasil têm o que comemorar. Afinal de contas, dia 27 de março é festejado o Dia Internacional do Teatro e do Circo. Em Juiz de Fora, o dia do Teatro é comemorado há 25 anos com o “Seminário: Os caminhos do teatro”, promovido pelo Fórum da Cultura. Além disso, a Cia. de Atores Academia apresentou no último final de semana de março, a peça “O Grande Circo Místico”, musical de Edu Lobo e Chico Buarque.

História do Teatro em Juiz de Fora

Não há um registro oficial sobre o “nascimento” do teatro na cidade. Alguns registros históricos apontam que, até 1858, quando Juiz de Fora ainda era um povoado, as primeiras manifestações teatrais surgiram para que, começaram a surgir. Através de uma ação comunitária para a construção de uma igreja no vale, eventos sociais eram realizados, ainda no prédio inacabado. E, entre circos de pano e taquaras, surgem as cavalhadas, consideradas as primeiras manifestações teatrais, dessa terra ainda povoada por coronéis.

Outros grupos de estudiosos acreditam que a primeira peça teatral da cidade aconteceu quando um grupo, vindo de fora, fez uma apresentação na casa do Dr. Eduardo de Menezes, como conta Albino Esteves em sua obra, “O Teatro em Juiz de Fora”. Desde então, inicia-se aqui uma caminhada que, a partir de 1858, mostra “as delícias de um cenário e maravilhas dos bastidores”. A partir daí, há uma verdadeira explosão de grupos teatrais. Misericórdia, o Perseverança e Novelli são exemplos dos grupos que nasceram para encenar suas peças nos novos espaços teatrais que surgiam como a Casa d’Itália e o Sírio e Libanês.

No dia 30 de março de 1929, a inauguração de um espaço agrega o público da cidade. O Cine-Teatro Central torna-se o centro das manifestações de artes cênicas e musicais da região. Juiz de Fora entra no cenário nacional e internacional de grandes peças, óperas, balés e concertos. Paralelamente a isso, colégios religiosos, como o Academia de Comércio, Colégio Santa Catarina e Instituto Granbery passam a desenvolver espetáculos teatrais.

O começo da década de 60 é marcado pela efervescência dos movimentos culturais e políticos. Em Juiz de Fora, podemos colocar o Teatro do Estudante do Brasil (futuro Teatro Universitário), apoiado pela recém-criada UFJF como modelo de um movimento de contestação. Em 1966, nasce o Centro de Estudos Teatrais, hoje conhecido como Grupo Divulgação.

Nos anos 70 e 80, uma nova “safra” de grupos surge apoiada pela maior atenção midiática sobre a cultura local. A efervescência de grupos também atinge as companhias de dança. O Grupo Sensorial e o Grupo Teatral Embaixo do Céu nascem nessa época. Os anos 90 são marcados pela tentativa de profissionalização dos grupos teatrais. A criação da Lei Murilo Mendes (que tem o objetivo de oferecer incentivos financeiros às criações culturais do município) aumentou as tentativas dos grupos de “viver apenas de Teatro”. Surgem também grupos especializados em teatro religioso, como o Grupo ART-Vida. Além disso, atores humorísticos da cidade ganham espaço no circuito da TV e do Teatro Nacional, como Loló Neves e Pedro Bismarck. De lá para cá, a veia humorística da cidade se intensifica e segue a tendência nacional pela busca do humor de improviso do Stand-up comedy (comediante sozinho, com texto próprio, com iluminação básica).

“Mede-se a cultura de um povo pelo seu teatro”  Garcia Lorca

O teatro é um formador de opinião. Pode ser questionador, educativo e discutir assuntos atuais, além de promover o crescimento cultural e social da cidade. O teatro é capaz de suscitar o raciocínio, poder de dedução e de crítica. “A arte mostra o que as pessoas não conseguem ou não querem ver. É importante na educação porque promove valores”, é o que acredita a produtora artística da Companhia de Atores Academia, Lella Ganimi.

Em Juiz de Fora, cidade com um potencial artístico enorme, o teatro é, além de uma forma de expressão das mais profundas e abrangentes, uma fonte de trabalho. Lella pondera que conhece “muitas pessoas que vivem exclusivamente da arte. Não é fácil, mas existe. Juiz de Fora ainda é uma cidade que, embora tenha muita gente boa, ainda não tem, na minha opinião, apoio, oportunidade e espaço apropriados”.

Professor José Luiz Ribeiro acredita que o teatro sofre concorrência direta com outras formas de entretenimento

Já José Luiz Ribeiro, diretor e produtor do Grupo Divulgação considera que são três fatores que dificultam a possibilidade do ator viver do Teatro, fatores esses que, segundo ele, são comuns aos grandes e médios centros culturais:

-A ausência de espectador que pague o preço justo de um produto artesanal.

-A ignorância da importância do teatro como formador de opinião.

-A concorrência de entretenimentos preferidos ao teatro. (bares e motéis, por exemplo).

Popularização do Teatro

Em Juiz de Fora, existem alguns projetos que auxiliam a popularização e democratização do teatro. Um deles é a Lei Murilo Mendes (lei municipal de cultura que financia os trabalhos selecionados da cidade) Outro é o projeto Sérgio Lessa (feito pelo teatro Central, concede o teatro gratuitamente para peças selecionadas, que podem cobrar ingresso de, no máximo, cinco reais). E o mais conhecido deles é o projeto da Campanha de Popularização do Teatro e Dança (feito todo início de ano com peças que foram apresentadas durante o ano anterior)

Deixe um comentário

Arquivado em Cultura e Arte, Webjornalismo