Quando o celular vira um vilão

por Eduardo Malvacini

Uma pesquisa recente mostra que 14% da receita das operadoras de telefonia vem de serviços de valor adicionado, como mensagens, internet, downloads, músicas e jogos.  Além disso, a pesquisa mostrou que o brasileiro paga a tarifa mais cara do mundo pelo uso de celular, quando comparado ao seu poder de compra.

Com preços tão altos, não há quem nunca tenha levado um susto com a conta de celular. Tiago Lopes, gerente de uma loja de móveis, recorda que já pagou uma conta de 600 reais. Ele conta que “gastava muito pela falta de entendimento com as operadoras, e então haviam algumas surpresas desagradáveis”. Todavia, Tiago acrescenta que, já há alguns anos, os pacotes das operadoras têm ficado mais acessíveis, o que permitiu um melhor controle da conta. O gerente pondera ainda que, quando gastava muito, tinha a sensação de que não existia uma relação entre custo e benefício, mas hoje já consegue encaixar a conta do celular no orçamento.

*foto de Frank Lenzi

Segundo o estudioso de macroeconomia, Luiz Antônio Mattos, o celular ainda deve ser considerado um item de luxo. Mattos analisa que “muitas pessoas usam o celular para falar ou fazer coisas que certamente poderiam fazer depois ou por um meio mais barato, como pelo telefone fixo ou até mesmo pela internet domiciliar”. A conta de celular, segundo ele, deve ser incluída no orçamento doméstico depois de despesas de primeira necessidade, como moradia, alimentação, locomoção, educação. Deve então se ajustar à renda que sobra, e não tornar-se prioridade.

Para aquelas pessoas que precisam do celular para trabalhar, Luiz Antônio explica que “o valor gasto para o trabalho tem sempre que gerar uma renda superior. Se você está ganhando pouco mais do que gasta para o trabalho, às vezes é melhor começar a investir seu tempo e dinheiro em outro negócio”, e aconselha que o importante é manter na ponta do lápis a renda e as despesas familiares.

O representante de vendas Sérgio Portes, apesar de possuir três celulares – um da empresa, um de cartão e um de conta – tem sempre em mente quanto já gastou com cada um deles. Além disso, para não gastar tanto, usa também os telefones públicos. Ainda assim, a conta de Sérgio fica mais cara do que o esperado por ele em alguns meses, e explica que algo tem de ser sacrificado para que ela seja paga em dia.

Para que isso não aconteça, fica a dica do estudioso em macroeconomia: “o importante é educar-se para o consumo, para que sempre seja levada em conta a adequação entre custo-benefício quando se compra um produto ou serviço. Além disso, deve-se sempre reservar uma parte da renda em uma aplicação, para utilizá-la em imprevistos”.

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