Pulseiras do sexo mostram a falta de informação entre pais e adolescentes

Cada uma das cores representa uma atitude que a pessoa que arrebenta tem o direito de exigir de quem usa

Hoje em dia, a moda entre as adolescentes é usar várias pulseiras . Elas são de silicone, baratas e estão à venda em barracas de ambulantes pelas ruas. Mas, o que muitos não sabem é que essas pulseiras, tão comuns e aparentemente inocentes, têm alguns significados de acordo com a cor. São as chamadas pulseiras do sexo. É sobre isso que a psicóloga Regina Castelo alerta: “O problema é que tem muita gente que compra a pulseira sem saber do que se trata”. O acessório é polêmico. A favor ou contra, as opiniões são sempre exaltadas.

O estudante Vinícius Almeida, de 18 anos, afirma que não conhece ninguém que usa a pulseira. Mas, ele se espanta ao perceber que na internet o assunto é muito discutido. “É só escrever a palavra ‘pulseira’ em qualquer site de busca que todos os resultados são sobre a pulseira do sexo”. Ele garante que não se interessaria por uma garota que usasse o acessório. “Em primeiro lugar, acho que quem usa isso não se dá valor. Ninguém precisa sair por aí mostrando o que quer de forma tão vulgar. E, em segundo lugar, não tem graça nenhuma se não houver o jogo da conquista”.

Já o estudante Gabriel Cunha, de 17 anos, não vê problema nenhum em usar a pulseira. “As pessoas são livres para fazerem o que tem vontade”, afirma. Porém, confessa que também não se interessaria por uma garota que usasse os acessórios para um relacionamento mais sério.  A psicóloga Regina Castelo acredita que “a consciência te permite tudo”. No entanto, reflete que a sociedade precisa discutir com que idade a pessoa tem consciência do que são esses atos que as pulseiras indicam. Para Regina, o  que está acontecendo é a iniciação precoce do jogo do corpo, através das pulseiras. Ela avalia que a geração usuária nem sempre se dá conta do que significa tudo isso.

Em Juiz de Fora, houve colégios que proibiram o uso desse acessório. Outros só não recomendam a utilização. E há aqueles que não se pronunciaram sobre o assunto. A psicóloga não concorda com a proibição, mas acredita na discussão que deve ser feita a esse respeito nas escolas e nas famílias. E ressalta que esses acontecimentos, que deveriam motivar a educação e o conhecimento, têm calado as pessoas. “Falar de sexo nunca foi fácil”, afirma.

Em seu artigo Fast Food do Amor, recentemente publicado na Revista do Conselho Regional de Psicologia, Regina

As pulseiras são vendidas sem nenhuma identificação.

Castelo compara a comida fast food com as  divisões do corpo que cada pulseira representa. “Como as pessoas tem que comer rápido, elas não têm tempo e não querem envolvimento. Então, é fast food nesse sentido, de que é uma comida rápida e a nível de self service”, explica. E completa que a modernidade é líquida, rápida e se liquefaz rapidamente como o planeta.

Segundo Regina, esse fenômeno das pulseiras é reflexo da cultura que vivemos na modernidade. “É obvio que esse capitalismo selvagem teria conseqüências na cultura como um todo, nas formas de amor e nas formas de relacionamento”. Para ela, nós transferimos para as relações a mesma fragilidade da durabilidade e sustentação dos objetos, já que atualmente tudo é muito descartável. A psicóloga alerta para o que, na opinião dela, advém da cultura consumista: “A  Biologia diz que o homem é 90% água e a psicologia diz que ele é 100% afeto. O ser humano não pode ser reduzido ao biológico. Se você reduz uma dimensão extremamente afetiva, que é o encontro sexual, a uma dimensão biológica, é a devastação”.

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