Da Universidade para o mercado

por Laís Souza

O projeto de um dinamômetro eletrônico manual, desenvolvido na UFJF, está prestes a sair do papel. Isso, porque ele foi contemplado no projeto Inventiva da Fapemig, (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais) e vai receber um investimento de 30 mil reais. Com esse empurrãozinho, será desenvolvido um protótipo do dinamômetro, com um perfil de produto pronto para ser inserido no mercado. E, um detalhe: já existem empresas interessadas na tecnologia.

O idealizador do projeto foi o professor e pesquisador José Marques Novo Júnior, da Faculdade de Educação Física e Desportos. Segundo ele, a ideia surgiu há cerca de 20 anos, quando o professor começou seu mestrado na USP. Por lá, ele chegou a desenvolver quatro protótipos artesanais. Três deles, já foram testados em estudos. Mas o novo projeto é bem diferente. Devido às inovações que fazem o produto se diferenciar dos similares disponíveis no mercado, o novo protótipo não apenas ganhou investimento, como também a patente da UFJF.

Aplicações do protótipo

Modelo de dinamômetro disponível no mercado (Foto: Mercado Livre)

Você deve estar se perguntando: Afinal de contas, para que serve um dinamômetro? São aparelhos graduados que indicam a intensidade da força aplicada em um dos seus extremos. “O equipamento pode trazer informações sobre a força muscular isométrica de preensão da mão (quando se segura ou agarra alguma coisa), como força máxima, índice de fadiga muscular, controle motor, dentre outros parâmetros. Pode ser usado para orientar procedimentos de reabilitação física, como pacientes com traumas ou disfunções neuromusculares provenientes de doenças crônicas (como diabetes e doença renal) e lesões músculo-esqueléticas (como síndrome do túnel do carpo)”, explica o pesquisador.

Além da aplicação em serviços ambulatoriais de ortopedia e fisioterapia, o dinamômetro também poderá ser usado para fazer trabalhos preventivos em empresas, visando à saúde e ao bem estar dos funcionários. A prevenção evita grandes remanejamentos e custos elevados com afastamentos.

Outra aplicação é na educação física. É importante observar a evolução da força dos usuários em práticas esportivas onde a mão é fonte de resultados, ou seja, onde a pegada interfere no rendimento do atleta. Esportes como judô, jiu-jitsu e escalada esportiva são alguns exemplos que se enquadram nesse perfil.

Inovações que fazem a diferença

No mercado, já existem vários modelos de dinamômetros – ou handgrip dynamometer, como também são conhecidos esses aparelhos. Mas, o modelo que será desenvolvido pelo pesquisador, em parceria com o professor da Faculdade de Fisioterapia, Eduardo Danza, e com o professor da Faculdade de Engenharia Elétrica, David Sérgio, traz muitas inovações. Uma delas é o maior controle dos dados coletados através de uma interface direta com o software. Segundo José Marques, essa troca de informação instantânea entre dois sistemas permite análises estatísticas que resultam em melhor diagnóstico e prognóstico.

Os outros dinamômetros disponíveis no mercado funcionam baseados em princípios eletrônicos, eletro-mecânicos ou mecânicos. Isso significa que a força muscular exercida sobre o aparelho é convertida em deslocamento de ponteiro (no caso dos aparelhos que possuem mostrador analógico) ou em números (como acontece no mostrador digital). Com esse método, o resultado do teste mostra apenas a força máxima da mão. No novo dinamômetro, a novidade é que será possível fazer a análise da força em cada dedo. Segundo José Marques, graças a esse exame segmentado e detalhado, os profissionais poderão identificar possíveis disfunções neuromotoras ou ósteo-mio-articulares em seus pacientes.

O professor José Marques mostra as curvas de força/tempo (Foto: Livro PII - UFJF)

O protótipo também irá traçar o perfil da força do usuário, avaliando a evolução dessa força ao longo do teste através da criação, no computador, de gráficos de força em relação ao tempo. O aparelho poderá estar diretamente ligado ao computador ou transmitir os dados através de um sistema wireless, que já está em fase de desenvolvimento. Outra proposta é associar aos mecanismos eletrônicos um chip de memória.

Até mesmo o conforto do usuário foi pensado na hora de fazer o projeto. O protótipo terá uma empunhadura ajustável ao tamanho da mão. Segundo o pesquisador, esse encaixe certo na mão do indivíduo permite que se obtenha a identificação correta do esforço muscular isométrico.

Ainda não há uma previsão de quando o dinamômetro ficará pronto. Marques afirma que pretende ter o modelo comercialmente disponível em cerca de doze meses, a partir do prazo em que os recursos forem liberados. “Mas estamos trabalhando para concluirmos muito antes disso”, completa.

O preço do novo equipamento ainda não foi definido. Além dos custos com a nova tecnologia, José Marques pretende considerar o preço de mercado antes de definir o valor de seu produto.  “Já estamos fazendo uma pesquisa de mercado, mas precisamos do resultado dela para identificar qual seria o preço justo desse equipamento”, pondera.

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