3D não é para todos

por Lorena Molter

Os filmes em 3D não podem ser vistos por todos. As pessoas que sofrem de ambliopia, deficiência em que um dos olhos se desenvolve menos que o outro devido a algum tipo de problema, não conseguem enxergar a terceira dimensão. Esse quadro pode ser observado nos casos de estrabismo, em que um dos olhos assume a preferência e vê melhor, enquanto o outro, menos participativo, não desenvolve toda a capacidade visual.

O professor da Faculdade de Comunicação da UFJF, Álvaro Americano, tem estrabismo e não consegue ver as imagens em 3D justamente por ter a visão mais desenvolvida em um dos olhos. Álvaro acredita que as pessoas com estrabismo enxergam de forma diferente por uma medida de defesa do corpo.  “Acho que o cérebro de nós, estrábicos, nos ensina a ver melhor com um olho de cada vez, por precaução, já que não temos noção de distância e podemos, por exemplo, nos machucar ao esbarrar em algo. Isso nos impede a enxergar as três dimensões, uma vez que essa tecnologia exige a visão dos dois olhos, simultaneamente, para a combinação das imagens que é apresentada a cada um dos olhos de forma separada”.

 

Formação das imagens em 3D

A tecnologia dos filmes em três dimensões depende da visão dos dois olhos para funcionar. Nos filmes em 3D, as imagens destinadas tanto para olho direito quanto para o esquerdo são formadas ao mesmo tempo, embora levemente deslocadas para o lado de uma e de outra. As pessoas não enxergam de uma forma dupla porque cada uma das imagens é tratada de uma forma, devido a um tratamento chamado polarização.

A luz pode viajar na horizontal ou na vertical. Através da polarização, uma imagem segue em um sentido e a outra no sentido oposto. Cada uma das lentes dos óculos utilizados para ver as três dimensões possui um filtro (um capta a luz horizontal e o outro a vertical). Dessa forma, as imagens do olho esquerdo vão apenas para o olho esquerdo, o mesmo ocorrendo com o olho direito. A sensação de profundidade é resultado da junção das duas informações diferentes que chegam ao mesmo tempo.

Tecnologia que exclui?

As pessoas que não enxergam os filmes em 3D ainda não vão perder as estréias nos cinemas. Avatar, por exemplo, ofereceu exibições em duas ou três dimensões. Assim, quem sofre de ambliopia tem a opção tradicional para acompanhar as histórias exibidas. O professor da Faculdade de Comunicação, Nilson Alvarenga, destaca que as produções são as mesmas nas duas formas de apresentação. “No momento, essa nova tecnologia é apenas um efeito, um enfeite, e não influencia no conteúdo do que é apresentado. A experiência é insubstituível, mas a história não é afetada”. O professor ressalta, no entanto, o que seria um ponto negativo dessa inovação. “Essa nova tecnologia pode ser uma desvantagem se, no futuro, ela privar algumas pessoas de determinados conteúdos que só poderão ser vistos em três dimensões”.

Álvaro Americano fala o que sente por não poder ver as três dimensões. “Fico incomodado em não poder ver tudo o que as pessoas vêem, mas, como nasci com este problema, já estou acostumado”.

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