População idosa em Juiz de Fora

Será que a Juiz de Fora tem políticas públicas que atendem aos mais de 65 mil idosos residentes na cidade?

por Pedro Brasil e Eduardo Malvacini

Na ultima semana, Juiz de Fora comemorou o Dia Municipal do Idoso (09/05). Com 11% da população na terceira idade, a média de idosos na cidade supera a brasileira. O atendimento do grupo, composto por mais de 65 mil pessoas, representa um desafio em relação à formulação de políticas públicas. Será que a cidade tem mesmo boas condições para a população da melhor idade?

O gerontólogo e assistente social José Anísio da Silva, conhecido como Pitico, acredita que não há muito o que comemorar e que a cidade precisa de dar um fôlego maior nas medidas públicas direcionadas aos idosos. “Nos últimos 10 anos não houve nenhum tipo de incremento das ações públicas em outras áreas que não a da assistência social e da saúde, para esse segmento na cidade de Juiz de Fora. Nesses 160 anos a cidade continua devendo muito ao seu cidadão da melhor idade”.

Na cidade, pondera José Anísio, “os serviços são muito poucos, o que não quer dizer que não sejam de qualidade. O necessário, porém, é a ampliação desses serviços, não só na área de assistência social e saúde, mas também nas áreas de educação, transporte e trânsito, alimentação e moradia –  fundamentais para a autonomia da pessoa idosa”.

Assista a um trecho da entrevista com José Anísio

Com a chegada da terceira idade muitas transformações são notadas, não só fisicamente, mas também de estados psicológicos, como de solidão ou depressão, “que não significam fracasso nem declínio”, afirma  o gerontólogo. Nesse sentido, programas como os existentes na cidade, a exemplo do Centro de Convivência do Idoso (mais conhecido como Pró-idoso), ajudam a combater aquele que talvez seja o pior mal dessa idade: o isolamento. São mais de quatro mil usuários inscritos, com uma freqüência mensal de 450 pessoas.  No local,  são oferecidas atividades físicas e culturais, além da convivência com pessoas da mesma e de outras idades.

Desde 2006, a terceira idade conta também com o Centro de Proteção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, que acolhe denúncias de violência contra essa população. Além disso, existe o Departamento de Saúde da Terceira Idade, que oferece atendimento médico clínico para pessoas com mais de 60 anos de idade, e o CREAS Idoso/Mulher, responsável pela oferta de serviços especializados de apoio a idosos em situação de violência ou abandono. O CREAS também mantém em seu site um catálogo de serviços voltados ao idoso, nas áreas de assessoria jurídica, saúde, assistência social e outros.

Como relata José Anísio, para uma população de aproximadamente 60 mil idosos, como em Juiz de Fora, é fundamental que outras atividades sejam desenvolvidas, levando em consideração o conjunto de necessidades que a população de terceira idade tem. “O que falta é a cidade assumir firmemente um trabalho social visando o envelhecimento ativo, com autonomia e independência dessas pessoas”.

Serviços de assistência são subutilizados

Os motivos são variados. Mas o fato é que ainda existe uma parcela da população da cidade que não utiliza os serviços de assistência. A aposentada Cleusa Caniato, 72, afirma que nunca usou serviços como o do Centro de Convivência do Idoso por ter vergonha e que prefere ficar em casa porque “pegar ônibus desanima bastante”, já que, segundo ela, os coletivos demoram muito para passar e vem sempre cheios. “As pessoas não cedem lugar pra sentar e na hora de descer do ônibus é difícil também. O degrau é alto e às vezes o ônibus pára longe do passeio.”

Em outros casos, existem pessoas que nem conhecem quais os serviços prestados, como o aposentado Adoniram Rodrigues, 70. “Nunca fui a nenhum centro de assistência. Nem sei te falar o que acontece lá, mas acho importante ter esse espaço.”

Segundo José Anísio, para se tornar uma cidade mais amiga do Idoso, Juiz de Fora precisa de inúmeros investimentos, “mas um grande passo seria ouvir as necessidades dos idosos e também tomar medidas simples como, por exemplo, melhorar as calçadas da cidade, para que os idosos possam se locomover com mais facilidade e assim participarem mais da vida social da cidade.” Uma conquista recente dos idosos neste sentido foi a aprovação da lei que reserva 5% das vagas de estacionamento em ruas e avenidas para pessoas com mais de 60 anos.

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