Internet na geração Z: conhecimento a mais ou desconhecimento?

Internet na Geração Z gera conhecimento ou desconhecimento?

Por Leonardo Civinelli e Marcella Campos


A cena é comum. Daniel Lima chega em casa todos os dias por volta das 12h30min. Além de praticar Judô, o adolescente de 13 anos é adepto da modalidade de ciclismo Downhill. Mas, ao chegar em casa, depois do almoço, não é a bicicleta que ele procura; é o seu computador, conectado a internet por uma banda larga de alta velocidade. A viagem pelos sites mais badalados do planeta (vídeos no youtube e jogos online) dura horas, só terminando antes da aula de inglês. Daniel não percebe, mas passou 3 horas em frente ao computador.

Alguns especialistas denominam que os nascidos na década de 1990 (já outros consideram de meados dos anos 80 a meados dos 90) constituem a chamada Geração Z; o fato é que esta geração tem algo em comum: são pessoas que nasceram imersas num mundo de tecnologia e globalização que tornou o acesso a informações muito mais dinâmico se comparado às gerações anteriores. Para elas, é normal a utilização da tecnologia e de recursos dos mais diversos, o que acelera o fluxo de aprendizado e exige um critério maior do usuário acerca de como deve utilizar seu tempo. Se em 1981 Bill Gates afirmou que 640 KB seria suficiente para uma pessoa usar a vida toda, a geração Z já cresceu acostumada a encher discos rígidos de mais de 300 GB, como no caso de Daniel. Toda esta realidade suscita uma discussão: o conteúdo que os adolescentes acessam na internet é de fato relevante para a formação profissional do mesmo?

Como reagir à geração Z? Como educar os filhos de modo que eles acessem a internet e busquem conteúdo relevante? Como evitar falhas na formação lingüística desta geração? Qual é o impacto destes aspectos no mercado? Os questionamentos são muitos. Quem nos ajuda a respondê-los é Adriana Bruna, mestre em Educação à distância. Para ela, “formar leitores é o grande desafio da Educação. Para formar leitores, você deve ser um leitor; temos um quadro na educação nacional em que não há uma grande quantidade de professores leitores. O outro ponto é que devemos compreender a realidade do aluno, que é um contexto midiático, repleto de games, e que para o ponto de vista dos adultos é caótico, porque você vê um jovem escutando seu Ipod, vendo televisão, com o Youtube aberto, e tudo ao mesmo tempo. E nós, adultos, temos dificuldades em entender este processo, pois os estudos ainda estão caminhando neste sentido”.

Daniel Lima, personagem inicial da reportagem, não se lembra do último livro que leu. “Acho que foi Percy Jackson, mas já tem um tempo” diz, referindo-se ao fenômeno da literatura infanto-juvenil que já vendeu milhões de cópias ao redor do mundo. Mas o adolescente tem consciência da importância da leitura: ”De tanto procurar sobre bicicletas e downhill, eu e meus amigos fizemos um blog e postamos sempre que possível alguma coisa pras outras pessoas verem, e pra escrever a gente tem que ler alguma coisa antes”, explica. A educadora Adriana Bruna comenta sobre uma possível disputa entre livros e internet: “A palavra de ordem do século XXI não é o “E”, mas sim o “Ou”. Não existe a questão de concorrência entre mídia impressa e digital; existem várias possibilidades e elas devem conviver. Fala-se de convergência das mídias, mas isso está além da simples integração de recursos. Entender que todas as mídias estão a serviço do conhecimento e das formas de aprendizado. E quem deve decidir o mais interessante é o usuário”, afirma.

Para avaliar o impacto da digitalização nas crianças, fizemos uma visita ao Centro Cultural Bernardo Mascarenhas, onde se localiza a Biblioteca Municipal Murilo Mendes, a maior da cidade de Juiz de Fora. Na seção infanto-juvenil, encontramos Marília Pedrosa, bibliotecária há 6 anos. Ela revela que são realizadas uma série de atividades lúdicas para incentivar a leitura: clube de leitura, que acontece às terças e quintas-feiras no local, além de atividades com crianças, envolvendo livros, gibis, informativos – leitura com as crianças ou discussão sobre um devido tema.

Em geral, a freqüência do setor é de 1200 leitores/mês. Só no mês de abril, houveram 332 empréstimos de livros infantis. E ela é categórica ao afirmar: “a leitura para diversão ainda continua. Os pais que trazem desde novos os filhos, fazem com que eles continuem vindo mesmo depois de adultos”. Logo na sala ao lado, a frequência no laboratório de internet também chama a atenção: são 600 usuários por mês, que tem o limite de uma hora de uso cada um.”Em geral, as crianças preferem fazer pesquisas pela internet, e procuram a biblioteca para livros de entretenimento.”

Não apenas para respeitar e compreender a formação desta nova fase da sociedade, mas também para moldá-la e conscientizá-la da importância da leitura de conteúdo relevante é uma responsabilidade dos educadores, como se vê a partir dos relatos. A capacitação dos responsáveis pelo ensino torna-se uma necessidade para que a era digital não gere desconhecimento ao invés de conhecimento.

Deixe um comentário

Arquivado em Webjornalismo

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s