Um país em busca do reconhecimento

Por Leonardo Civinelli


Rolando Paternina é estudante de Medicina, 23 anos, e vem de Mañizales, cidade do norte da Colômbia. Em intercâmbio no Brasil, Rolando é interessado no tema de HIV, com o qual já geriu projetos e trabalha na ONG Grupo Casa na cidade. Mas quando chega do trabalho, às 6 horas da tarde, já tem sua rotina: ler as notícias de seu país, prestes a realizar novas eleições presidenciais. Como um ritual religioso, o hábito se repete todos os dias, buscando reconhecer o orgulho de seu país; fica estampado no semblante o orgulho por Colômbia ter sido campeã panamericana sênior em jogos escolares, e o sentimento se espalha a cada palavra; mas como um país assolado por uma guerra civil, vítima de inúmeros preconceitos, encontra forças para crescer?

A Colômbia é o terceiro país mais rico da América Latina e tem 45 milhões de habitantes. Mas o fato que tornou o país conhecido foi o narcotráfico: problemas com uma milícia que insistiu em derrubar o poder público e, fortalecida em grande parte por cartéis de todos os países vizinhos, por anos se apoderou e espalhou o medo pelo país. Mas hoje, ações pontuais tornaram a força das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) bem menor do que antes. E mais do que isso, despertou no povo um patriotismo que há tempos era oculto pelo medo. “Eu posso mudar a imagem de meu país sendo uma imagem viva do que representa a Colômbia. A paixão dos colombianos, a beleza de suas terras e as oportunidades de melhorar no cotidiano. Creio que a melhor maneira de mudar nossa imagem é mostrar o que somos e não o que os meios de comunicação mostram sobre minha terra”, afirma Rolando.

O engajamento nas eleições vai desde campanhas com os amigos, apresentação de danças colombianas e, principalmente, muita conversa sobre o dia a dia deste país. Sobre as eleições, Rolando acredita na importância da participação nas escolhas políticas do país: “Em decisões capitais e momentos transcendentais, cada voto pode fazer a diferença. E ainda que esteja longe e não possa votar, posso dar sim minha opinião e impactar as pessoas que estão ao meu redor na Colômbia através de canais virtuais”.

Estima-se que nas eleições de 2008 no Brasil, entre os eleitores obrigatórios, cerca de 3% não votaram (justificados ou não).  O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) foi responsável por cancelar mais de 550 mil títulos de eleitores que não cumpriram seus deveres. Neste ano de eleições, o número de voluntários caiu em relação a eleição anterior. Os dados acima mostram algumas situações díspares entre a juventude que pretende mudar e o estado atual da nação.

As eleições na Colômbia estão sendo disputadas por Antanas Mockus e Juan Manuel Santos, que estão tecnicamente empatados a poucas semanas da votação, marcada para dia 30 de maio. A expectativa é que o histórico de grandes abstenções do país seja modificado pela nova mobilização gerada a partir de jovens como Rolando. Para saber mais sobre as eleições colombianas, clique aqui.

Mais que isso, o sentimento ufanista e patriota aflora durante o mês da copa do mundo, mas logo se faz esquecido entre os escândalos de corrupção que aparecem vez ou outra nos noticiários, tornando 2010 não simplesmente o ano da Copa, mas sim ano de escolher o novo presidente.

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