Videogames: prática que traz benefícios e exige cuidados

por Magali Pereira

Paciente durante sessão de fisioterapia com Nintendo Wii

Com o desenvolvimento acelerado dos meios eletrônicos, a rotina das pessoas está constantemente ligada às máquinas que dominam a maioria dos setores de prestação de serviços, que vão desde os serviços bancários ao lazer familiar. Esse contato precoce se dá tanto com as crianças e adolescentes, que se adaptaram mais rápido e incorporaram os novos produtos eletrônicos ao seu dia a dia, quanto com os adultos, que tiveram que se acostumar com as modernidades da era digital.

Aproveitar essas vantagens de forma saudável é um desafio para pais e filhos. O videogame, por exemplo, que ganhou vários recursos novos ao longo dos anos e tornou-se mais atrativo e funcional, é muitas vezes considerado vilão – e outras mocinho – da saúde do ser humano. Todavia o que era apenas entretenimento chegou hoje à área médica, sendo utilizado no tratamento fisioterápico.

É o caso da reeducação por biofeedback postural, em que o principal instrumento utilizado é o Nitendo Wii, um videogame lançado no mercado em 2006, pela marca Nintendo. O Wii se destaca pelo controle sem fios, o Wii Remoto, dotado de um acelerômetro capaz de detectar movimentos em três dimensões. A partir disso, o usuário simula práticas de esportes e atividades físicas que trabalham a coordenação motora e o equilíbrio.

Há um ano, a fisioterapia com Nintendo Wii é realizada em uma clínica de Juiz de Fora. O fisioterapeuta Marcelo Zanirato acredita que o videogame é uma oportunidade a mais para o paciente. “A técnica pode tanto complementar um tratamento convencional quanto ser usada como única forma de tratamento”, avalia.

Marcelo destaca que, com o tratamento, o paciente adquire consciência corporal muito mais rápido, equilíbrio e consciência do centro de massa. O corpo é trabalhado como um todo durante as sessões. A musculatura ocular, labirinto e a postura são outros pontos beneficiados. “É um tratamento, que feito corretamente, demanda menos tempo”, pondera Marcelo.

Para evitar danos a saúde, é recomendável não exagerar nas horas passadas em frente ao videogame. Obesidade e alterações na visão, como a miopia transitória, são alguns problemas que podem aparecer. Para preservar a parte física do corpo, a orientação é fundamental. A tendinite, inflamação de um tendão que surge usualmente através do excesso de repetições de um mesmo movimento, e problemas no joelho são outras conseqüências do uso sem supervisão. O próprio videogame alerta o jogador para fazer pausas ou avisa quando a pessoa está “pegando pesado” nos exercícios. Marcelo recomenda que o usuário aumente gradualmente o nível dos exercícios e respeite os limites do próprio corpo para não cometer excessos.

Mas não é apenas a parte física que fica vulnerável, o psicológico também sofre com o uso excessivo dos videogames e de outros aparelhos eletrônicos, como o computador e a televisão.

A psicóloga Marcella Machado alerta para problemas como o isolamento afetivo e social, o aumento de comportamentos violentos, problemas escolares, alterações no sono e maior tendência à depressão. Para Marcella, “a ficção invadiu o cotidiano dos jovens e retirou muitos deles da realidade social, isolando-os em mundos imaginários, onde podem tudo. Bastante diferente do mundo real, onde existem leis a serem cumpridas”.

E como controlar o período em que as crianças passam em frente ao computador ou à televisão? Cada família, de acordo com sua cultura e com as características individuais de cada criança ou adolescente, vai definir uma forma para controlar melhor esse tempo. Mas Marcella ressalta que é fundamental “os pais serem os mediadores e interventores desse contexto, colaborando para o melhor aproveitamento dos benefícios que os adventos tecnológicos podem trazer aos seus filhos”.

Manter atividade física extra momentos com o videogame e outras formas de diversão são recomendáveis para que os impactos do excesso com jogos eletrônicos não seja negativo. O fisioterapeuta Marcello Zanirato acredita que a atividade física com o videogame é mais uma oportunidade da pessoa não ficar parada e sair do sedentarismo. Mas alerta que o exercício físico com orientação é importante. “Não trocaria o exercício físico pela prática exclusiva com Nintendo Wii, por exemplo”, completa.

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1 comentário

Arquivado em Ciência & Tecnologia

Uma resposta para “Videogames: prática que traz benefícios e exige cuidados

  1. Matéria legal. Você poderia me enviar o nome dessa clínica que faz esse tratamento com Wii, em JF, por email?

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