“ENEM” agora também para os professores

A partir de 2011 professores serão avaliados pelo MEC

Por Camila Carolina

No dia 24 de maio, o MEC instituiu o Exame Nacional de Ingresso na Carreira Docente, uma espécie de “Enem” para professores. A medida foi criticada pela categoria: “Esperamos que qualquer outra decisão do Ministério da Educação (MEC) em relação à categoria seja melhor discutida antes”, declara o diretor do Departamento Jurídico do Sindicato dos Professores de Juiz de Fora (SINPRO/JF), Péricles de Lima.

A primeira edição do exame, prevista para o ano que vem, inicialmente vai avaliar professores do 1° ao 5° ano do ensino fundamental e da educação infantil. O objetivo é obter dados que vão auxiliar o governo na criação de políticas públicas para a formação dos professores. O cientista político Paulo Roberto Leal acredita que o exame vai contribuir para a tomada de decisões do governo, mas pondera que há pontos que ainda precisam ser discutidos. “O exame vai identificar e constatar as deficiências existentes na educação pública do país em números, mas não será suficiente para resolver a carência. O problema da educação se resolverá a longo prazo e o exame é uma boa iniciativa. Mas ainda é preciso estudar uma forma de aumentar a qualificação dos docentes antes de avaliá-los”, comenta Leal.

Nos próximos anos o intuito é extender a avaliação aos professores do 6°ano em diante. As provas serão de responsabilidade do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o mesmo Instituo que elabora o Enem.. Serão avaliados os conhecimentos, competências e habilidades do docente. “Acredito que o exame seria mais eficaz se existisse um método de avaliar o professor em relação ao seu desempenho dentro da sala de aula. Muitos deles têm uma enorme bagagem de conhecimento, mas não sabem desempenhar um bom trabalho dentro da classe”, desabafa a professora de português de uma escola pública, Mariana Silva.

A primeira edição do exame será em 2011

Professores e líderes sindicais temem que a avaliação gere uma concorrência entre os professores e que os objetivos principais fiquem de lado, como apontar a qualificação real dos professores. É o que pensa o cientista político Paulo Roberto: “Apesar do exame apontar realmente onde há carências no ensino, isso ficará evidente entre as regiões do Brasil, o que pode ser constrangedor para alguns docentes. Quando o que deveria ser evidenciado é que os pisos salariais podem repercutir na qualificação dos professores”.

O SINPRO/JF ainda não se reuniu para discutir a proposta instituída pelo MEC e uma série de reuniões estão marcadas para que o sindicato se posicione oficialmente a respeito do assunto. Péricles apenas adiantou que antes de se instituir o exame era necessário discutir o problema do piso salarial dos professores que se arrasta há anos.

O exame será realizado anualmente e será aplicado a professores das redes municipais e estaduais. A participação dos professores é voluntária e assim como no Enem, o docente receberá um boletim com os resultados da prova que servirá para o ingresso em qualquer uma das redes de ensino que aderirem o programa.

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