Arquivo do mês: julho 2010

Treinamento para saber lidar com os desafios

Como os futuros jornalistas se prepararam para cobrir a Copa à distância

Por Camila Carolina, Dafne Nascimento e Nathalie Guimarães

Muita dedicação, pesquisa, horas dentro do estúdio e comprometimento com o ouvinte. Isso é o que foi exigido de cada um dos integrantes da Equipe de Esportes da Rádio Facom durante o período da Copa. Se os jornalistas já formados sofrem para driblar o desafio de cobrir o evento à distância, com os futuros profissionais não é diferente. Porém, o treinamento e a vontade de um dia estar no país sede do Mundial são o que motivam o trabalho dos estudantes.

Do dia 11 de junho ao dia 6 de julho foram 64 jogos, todos transmitidos pela Rádio Facom e pelos 32 alunos que compõem a equipe de Esportes. Mas antes de entrarem no estúdio, narradores, repórteres e plantonistas passaram por um treinamento onde aprenderam  as técnicas de uma transmissão esportiva e as formas de lidar com a cobertura de um evento à distância. Leia mais sobre como foi o treinamento dos alunos.

“Procuramos trazer uma cobertura forte em análise, com uma boa dose de opinião. Evidente,  também apostamos em muitas informações. Desta forma, a ideia central era levar aos ouvintes o máximo de informação mas com análise. Não quisemos levar puramente a notícia, quisemos repercuti-la, discutir suas implicações. Ajudamos o ouvinte a compreender melhor a Copa fazendo isso”, fala um dos narradores da equipe de esportes Henrique Fernandes. Veja um trecho da transmissão do jogo Portugal x Espanha pelas quartas de final da Copa 2010.

Sem dúvida, o distanciamento da notícia e do país sede da Copa forçou jornalistas e o público a confiarem na apuração de profissionais que viajaram até a África. O furo de reportagem e  a informação exclusiva foram quase impossíveis para quem cobria daqui o Mundial. Para driblar as dificuldades, a Equipe de Esportes apostou no talento e no acaso. Para dar mais dinamicidade às transmissões, todos os jogos contavam com um repórter nas ruas para dar voz aos ouvintes a respeito das partidas. E sem auxílio de correspondentes no país sede, a equipe pode contar com o trabalho de um integrante, que em período de estudos na Inglaterra, pode transmitir aos ouvintes da Rádio Facom o que os ingleses estavam achando da Copa. O estudante do oitavo período de Comunicação João Henrique manteve contato com a Equipe direto das ruas de Londres e deixou a transmissão ainda mais interessante.

E foi a estratégia utilizada pela equipe de tirar as transmissões do lugar comum, que fez da cobertura do Mundial feita pela Rádio Facom reconhecida. “Foi uma das melhores coberturas feitas pela Rádio, o comprometimento dos alunos e o tom profissional deles construiu uma imagem de grande credibilidade”, ressalta o diretor da Rádio Facom, professor Márcio Guerra. De acordo com o professor, as técnicas e todo o conhecimento adquirido nas transmissões vão poder auxiliar os alunos no desempenho de trabalhos futuros não só no rádio, mas em qualquer outro meio (ouça).

O jornalista esportivo da Tribuna de Minas Wallace Mattos cobre sua segunda Copa do Mundo como profissional e dedica à Rádio Facom sua habilidade em lidar com as dificuldades. “Muito do que faço hoje ao cobrir a Copa, ou até mesmo ao apurar notícias do cotidiano vem da experiência que tive com as transmissões da Rádio. A falta de recursos, a equipe reduzida e o trabalho em grupo nos forçava a buscar estratégias para fazer do nosso trabalho de estudante um trabalho profissional”, lembra Wallace.

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Eventos destacam empresas juniores e universidades

As premiações reconhecem as melhores práticas de gestão e enriquecem o aprendizado dos estudantes.

Por Gisele Ribeiro e Magali Pereira

Nas EJs os trabalho em equipe é essencial para o sucesso da empresa

Capacitação, trabalho em equipe, iniciativa, liderança. Muitas características são desenvolvidas por estudantes em uma empresa junior (EJ). E o reconhecimento por todo esse empenho vem por meio de premiações em eventos que reúnem empresários juniores de todo país. Esses encontros acontecem tanto regional, nacional quanto mundialmente.

O Movimento Empresa Junior (MEJ) reúne alunos de graduação em torno de um objetivo comum: a troca de experiências. Hoje, são mais de 22 mil universitários espalhados em cerca de 700 empresas juniores e realizando mais de 2 mil projetos por ano.

O empreendedorismo é uma alavanca para o desenvolvimento da EJ e, consequentemente, para os alunos que a integram. Dessa forma, os empresários juniores buscam inovação em seus projetos, visando oferecer qualidade e um produto ou serviço diferenciado no mercado.

Além dos alunos se beneficiarem com a presença de uma empresa junior na universidade, esta também se favorece. Para Rodrigo Pedrotti, ex- empresário junior, a universidade possuir uma EJ é mais uma maneira de atrair estudantes para a instituição. “Com a participação em eventos e premiações, os estudantes levam o nome não só da empresa, mas também da universidade da qual fazem parte”, destaca. Ouça.

Para auxiliar na capacitação, os eventos que acontecem para os empresários envolvem palestras, grupos de discussões e apresentações de casos de sucesso das empresas. Além disso, os encontros premiam as melhores práticas em categorias específicas.

O 18º Enej vai reunir 1.500 empresarios juniores

Um dos eventos do MEJ de maior visibilidade no Brasil é o Encontro Nacional de Empresas Juniores (ENEJ). Em 2010, o encontro acontece na Costa do Sauípe, na Bahia, entre os dias 4 e 8 de agosto. O Enej é realizado uma vez por ano e cada edição em uma região do país. Sua organização é feita pelas próprias EJs, que dividem as funções necessárias à realização do evento.

A presidente da Federação de Empresas Juniores do Estado de Minas Gerais (Fejemg), Paula Baccaglini, explica que a apresentação dos trabalhos em eventos é importante tanto para a empresa ganhar visibilidade quanto para promover trocas de experiências com outras EJs. “Ao assistir a apresentação de uma prática de sucesso, os empresários podem avaliar se esse procedimento também seria interessante para sua empresa e, assim, promover a melhoria de suas ações”, ressalta.

Este ano, as empresas juniores Acesso, Campe e Porte da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) tiveram seus trabalhos aprovados para apresentação no Enej Bahia. O encontro deve reunir cerca de 1.500 empresários juniores de todo o país.

17 consultores da Acesso vão a Bahia representar a empresa

A empresa junior da Faculdade de Comunicação, Acesso Comunicação Jr. irá apresentar o case “Gerenciamento de projetos: um caminho estratégico para a satisfação do cliente”, na categoria “Modelo de Gestão”. A Porte Engenharia e Arquitetura Jr., da Faculdade de Engenharia, aprovou o case “A busca de conhecimento como forma de consolidação de Empresa Júnior”, selecionado para ser exposto em pôster na categoria “Projeto Interno”. A Campe, empresa junior da Faculdade de Economia e da Faculdade de Administração, apresenta dois cases: o primeiro na categoria “Modelo de Gestão”, com o título “Dos fundamentos à excelência” e outro na classificação “Projeto Externo”, de nome “Confronto de valores entre duas consultorias” .

O diretor de Marketing da Porte, Ítrio de Freitas, ressalta que o reconhecimento do trabalho é uma maneira de incentivar os integrantes e proporcionar trocas de experiências com outras realidades, além de demonstrar a seriedade com que as EJs realizam seus projetos.

A diretora vice-presidente da Acesso, Natália Lopes, explica que a conquista é uma oportunidade de expor as práticas de gestão da empresa em eventos de peso. “Podemos conversar com empresas diferentes e que também buscam melhorar seus trabalhos. Isso torna a empresa cada vez mais profissional e estratégica”, completa. Assista ao vídeo.

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Cobertura das redes locais de TV: a outra angulação

Por Camila Carolina, Dafne Nascimento e Nathalie Guimarães

Cobrir os jogos de forma que fiquem interessantes para o telespectador, trabalhar uma angulação diferente e inovadora. É assim que o jornalista Ricardo Ribeiro define a cobertura realizada pela TV Panorama. “Geralmente a gente cobre o comportamento da torcida, como as pessoas reagem e não o jogo em si. O legal é ficar tentando descobrir algo que ninguém fez e assim chamar a atenção do telespectador. Tivemos a oportunidade de cobrir uma pauta nesta Copa a respeito do que faz as pessoas que não gostam de futebol durante a Copa. Com os cinemas fechados, bancos, lojas, tudo parado, fomos ver quem estava pelas ruas na hora do jogo”, exemplifica. (ouça)

Ricardo destaca que a cobertura à distância possibilita ao público escolher a que lhe atende melhor. “A busca das emissoras por dar um tratamento específico às notícias que chegam da África proporciona ao público a contraposição de informações e assim enriquece o meio jornalístico e a gama de conhecimento recebida pelos telespectadores.”

O jornalista da TVE Juiz de Fora André Cristino concorda com Ricardo. “Busco fazer matérias diferenciadas, afinal, o que chega de informação da Copa é sempre a mesma coisa que vai para todas as outras emissoras. Como exemplo, no dia do jogo do Brasil com Portugal, utilizei uma metáfora com as vuvuzelas para comparar o sentimento do brasileiro antes e depois do jogo. A má atuação do Brasil refletiu no desânimo das cornetas”, afirma.

André também conta que esta é a primeira vez que ele cobre uma Copa como profissional e diz que, para dar conta da responsabilidade, é preciso fugir do óbvio. “O que eu sempre procurei foi achar um detalhe, algo que pudesse ser trabalhado para transformar algo comum em algo novo”, frisa. (ouça)

Já para Ricardo, esta é a quarta Copa como profissional. Ele diz que a preparação antes da competição é essencial para um bom trabalho. “Me preparo da melhor possível, pois é preciso falar para um público que não conhece e não gosta de futebol e, ao mesmo tempo, com um público que gosta, entende e lhe cobra isso. Para isso, procuro ler bastante, saber dos times, mas também sobre a política e a cultura do local da Copa”.

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Copa do Mundo: Jornalistas de Juiz de Fora buscam cobrir o Mundial de uma maneira diferente

Por Camila Carolina, Dafne Nascimento e Nathalie Guimarães

As vuvuzelas verde e amarelas se calaram com a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2010. Depois da derrota de virada para a Holanda nas quartas de final da competição, a seleção canarinho deixou escapar mais uma vez a chance de conquistar o Hexacampeonato. Fim do sonho para nós brasileiros, mas esperança para holandeses e espanhóis que podem gritar pela primeira vez: “É campeão”.

Apesar da saída prematura da Seleção Brasileira da Copa, os jornalistas de Juiz de Fora têm o dever de continuar o seu trabalho. Cada veículo dribla os mais de seis mil quilômetros que separam o Brasil da África do Sul, com suas próprias estratégias, para transmitir aos juizforanos o que acontece no continente africano.

“O maior desafio enfrentado por nós, jornalistas de cobertura local, ao cobrir um evento à distância, como a Copa do Mundo, é que ficamos reféns do conteúdo repassado pela emissora principal, a Rede Globo. Ela tem os próprios correspondentes e comentaristas e isso dificulta fazermos o mesmo daqui. Fica difícil fazer algo com o material que ela disponibiliza”, revela o jornalista da TV Panorama Ricardo Ribeiro, que cobre sua quarta Copa como profissional. Saiba como a TV Panorama e a TVE Juiz de Fora cobrem o Mundial através das opiniões de alguns jornalistas.

Sem o auxílio de correspondentes no país sede, os veículos locais buscam alternativas de modo a passar informações diferenciadas ao público. Esse é o caso do site Zine Cultural: “A gente tenta levar Juiz de Fora até a África através de pessoas que estão lá, a gente entra em contato com elas ou com pessoas que já foram em outras edições do Mundial para relatar como é a emoção de estar no país sede”, conta a estagiária do site Thamara Gomes.

Incentivada por uma amiga, a técnica em computação Marina Gabriela Silva acompanhou pela internet a transmissão de um jogo da Seleção Brasileira pela Rádio Facom, rádio da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal de Juiz de Fora. “Eu nunca tinha ouvido e aí resolvi ver como que era. Gostei bastante. Não é como a gente assiste na TV, com o Galvão Bueno. Como são estudantes, a voz é diferente. E eles também fazem alguns plantões. Mas achei que os alunos foram bem, estavam preparados para narrar e também para comentar. Parece que eles pesquisam muita coisa, de outros jogos, de outras Copas. Foi diferente”, descreve. Clique aqui e saiba como funciona a transmissão da Rádio Facom.

O estudante Bruno da Silva costuma se informar sobre o campeonato principalmente pelo site Globoesporte.com. “Sempre tem informações sobre o dia-a-dia das seleções e também porque não tenho muito tempo de ler jornais ou ver televisão”, explica. Mas ele afirma que nas poucas vezes que viu pela TV Panorama, gostou das matérias. “Vi duas reportagens que chamaram minha atenção. Uma delas foi quando eles assistiram o jogo do Brasil em um bar em Juiz de Fora mesmo e uma que eles foram numa cidade aqui perto para mostrar o jogo de lá. Achei legal porque eles mostraram as ações do pessoal, o que eles pensavam em relação à Copa. Parece que fica mais popular, aquele contato com o povão. E também complementa o que a gente vê pela internet”, destaca.

A opinião do torcedor Bruno confirma, em parte, o que diz o jornalista de esportes do jornal impresso Tribuna de Minas, Wallace Mattos. Segundo ele, a presença do leitor no jornal faz toda a diferença. “Para fazer com que a cobertura seja interessante e atrativa, é preciso colocar o leitor dentro do jornal. Cobrir a Copa na África, mas colocar a visão do torcedor daqui, o comportamento, a opinião.”

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Programa Mosaico completa três anos

Por Anna Flávia Horta e Mário Braga

Em julho de 2010, o programa Mosaico completa 3 anos no ar. Ele é o primeiro programa produzido por alunos da Faculdade de Comunicação da UFJF a ser veiculado por um canal de televisão aberta. Com exibições semanais, ao longo dos últimos 3 anos, já foram produzidos mais de 160 programas retratando bairros, ruas e avenidas da cidade, além de especiais sobre escolas, igrejas, museus e asilos, por exemplo.

O objetivo de levar às telas o cotidiano dos juizforanos é a essência do programa e o principal motivo de seu nome. A idéia é veicular, a cada programa, um pedaço que compõe o grande mosaico que é a cidade de Juiz de Fora. O diretor geral da Produtora de Multimeios da UFJF e diretor geral do programa, Márcio Guerra, conta como começou a história do Mosaico. “O programa teve origem em uma disciplina de rádio que eu ministrava e eu pedia para os alunos visitarem os bairros e mostrarem, através do rádio, como eles eram”. Guerra afirma que em 2006, quando assumiu a direção da Produtora de Multimeios, começaram as tentativas de transpor o programa para o meio televisivo.

As etapas do Mosaico

ilha de edição da Produtora de Multimeios

Cada programa leva, em média, três semanas para ficar pronto, cada uma corresponde a uma etapa diferente: produção, gravação e edição. Na primeira etapa, a equipe de produção visita a rua ou o bairro a ser retratado e faz um levantamento da história do lugar, das origens dos primeiros moradores e busca conhecer pessoas com histórias interessantes para serem mostradas no programa. Posteriormente, a equipe de produção acompanha as etapas de gravação e edição. Mayra Sá atua na produção do Mosaico há um ano e conta como é a experiência. “Eu acho muito importante, porque pra você fazer um programa legal, pra conseguir contar a história do lugar, você tem que ir no bairro, conhecer os moradores, saber o que cada um tem pra contar. Além disso, você tem que ter uma sintonia com os cnegrafistas, alertando sobre as imagens que a gente vai precisar e, por fim, acompanhar o trabalho da edição, porque é a Produção que sabe o que cada entrevistado tem de importante e o que pode se utilizado.” Ouça aqui a produtora Mayra falando da importância do trabalho realizado.

Na semana seguinte à produção, outra equipe entra em campo. Além dos produtores,  os cinegrafistas e apresentadores vão aos locais gravar entrevistas com moradores e coletar fotos antigas ou documentos que contribuam para o registro da história do local.

Depois de uma semana de gravações, as fitas são encaminhadas para  ilha de edição. O trabalho lá é transformar as mais de 6 horas de gravações em trinta minutos de programa.

Anderson Oliveira é bolsista da Produtora de Multimeios e fala da sua experiência no programa Mosaico. Ele destaca a responsabilidade de colocar um programa no ar toda semana e a possibilidade de desempenhar diferentes funções. Anderson atua como cinegrafista e apresentador do Mosaico.

Ponte para o mercado de trabalho


Daniel Couto (dir.) gravando o programa Mosaico.

O estudante Daniel Couto sempre gostou de audiovisual e acredita ter sido o primeiro a começar a trabalhar tão cedo na Produtora:  “Acho que fui a primeira pessoa a ter ingressado na Produtora com menos de dois meses de estadia na Faculdade de Comunicação.” Daniel ficou na Produtora durante dois anos; começou trabalhando com a parte de assessoria, durante seis meses. Depois, trabalhou principalmente como editor do programa Mosaico, e nos últimos seis meses revezou nas funções de editor e cinegrafista. Ele considera a experiência muito enriquecedora e afirma que é possível ter noção de todas as etapas pelas quais o programa passa. Além disso, conta que “é interessante porque o aluno entra em contato com o mercado de trabalho já na época de Faculdade e também é bom pra desenvolver o trabalho em equipe, já que você está em contato com todas as áreas, ao mesmo, tempo, inevitavelmente.”

Atualmente, ele trabalha com a carteira assinada como editor na TVE de Juiz de Fora, e ainda nem terminou a graduação na Faculdade. Ele acredita que todo esse tempo que passou trabalhando lá foi determinante para conseguir o emprego que tem hoje.


Confira abaixo fotos relacionadas ao programa Mosaico.

entrada da Produtora de Multimeios, na Faculdade de Comunicação

Sala de produção e decupagem da Produtora de Multimeios

gravação de entrevista para o Mosaico Santa Tereza

alunos trabalhando na edição do Mosaico

O Mosaico vai ao ar toda segunda-feira, às 21h30, pela TVE JF e é reprisado aos sábados às 18h30. A Produtora de Multimeios também disponibiliza alguns programas em seu site.

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Banda Hakunna: 10 anos de sonhos e histórias pra contar

Por Isabela Lobo e Márcia Costanti

Nelson, Álvaro, Arthur e Pedrinho. Quatro nomes unidos pela música numa história que já dura dez anos. A banda Hakunna, que vem se consolidando no cenário musical de Juiz de Fora, comemora a data com a preparação do primeiro álbum do grupo.

Quem viu os irmãos Álvaro, Arthur e Nelson começando ainda crianças não poderia imaginar que a música viria a se tornar profissão. Antes de começarem o projeto da banda Hakunna, eles faziam parte do grupo “Free hands”. A antiga banda, que foi desfeita em 2000, era composta por oito integrantes e tinha um estilo bem diferente do grupo atual. Desde então, os irmãos decidiram apostar numa proposta musical voltada para o pop rock e com produções autorais.

Segundo o vocalista do grupo, Nelson Dias, a principal dificuldade do inicio da carreira na cidade foi o número reduzido de casas de shows. “Optamos por participar do circuito de exposições agropecuárias em Minas Gerais. Isto nos fez ganhar bagagem e, conseqüentemente, sermos convidados para tocar em Juiz de Fora”, explicou. Eles apontam ainda, como estratégia de divulgação, a internet, através do site oficial da banda e dos sites de relacionamento, como o twitter e o Orkut.

Além das exposições, o grupo venceu o “Festival Nacional de Novos Talentos”, produzido pela MTV em 2001. Álvaro, tecladista e guitarrista, ressalta que o festival foi fundamental para que eles encarassem a música como carreira: “Quando fomos tocar no festival, mesmo muito garotos, tivemos a preocupação em estudar e decidimos nos profissionalizar dali pra frente”. Outra participação que trouxe visibilidade para a banda foi no quadro “Novo som do Brasil”, que fazia parte do “Jornal Hoje”, veiculado pela Rede Globo.

Em 2008, a banda deu uma pausa na carreira. No entanto, a volta do grupo foi em grande estilo, marcada pela conquista da premiação no concurso “Garagem do Faustão”, em Junho de 2009. Enquanto o anúncio era feito, os integrantes estavam todos na maternidade: era o dia do nascimento do filho do baixista Arthur. Nelson conta que o clipe foi enviado na segunda-feira, e, no domingo, já foi apresentado no programa. “Não esperávamos que fosse tão rápido e realmente não tivemos como acompanhar ao vivo, mas com certeza não trocaríamos a emoção do nascimento do meu sobrinho”, afirma. O clipe da música “Gigante” recebeu cerca de 18 mil votos. Clique aqui para ouvir a banda falando sobre a participação no \”Garagem do Faustão\”.

A participação no concurso rendeu ao grupo a oportunidade de tocar em novos lugares e promoveu a reaproximação com Emmerson Nogueira, conhecido da banda desde o início da carreira. Mas a amizade se tornou parceria: o cantor é o responsável pela produção do primeiro CD do Hakunna. A previsão é que o álbum esteja pronto até o final deste ano.

Com o passar dos anos, eles se tornaram cada dia mais conhecidos e hoje possuem fãs fiéis, com quem tentam manter a proximidade. Segundo Álvaro, a internet é importante aliada nesse sentido, pois traz para o público um contato diferenciado com o artista. Eles afirmam ainda que estão sempre ouvindo as sugestões dos fãs.

Como toda banda que ganha visibilidade, o Hakunna também sofreu com a cobrança do público depois da conquista de espaço na mídia). Nelson conta que a banda não tem problemas em encarar as críticas e, busca encontrar os próprios erros. Todos os shows são gravados e avaliados pelos integrantes, com o objetivo de fazer possíveis modificações e manter os pontos positivos. Segundo ele, é necessário manter o equilíbrio entre aquilo que a banda espera de suas produções e o que é esperado pelo público. Assim, eles procuram composições com a cara do Hakunna, mas que agradem a platéia.

Apesar de jovens, os integrantes do Hakunna já têm experiência de veteranos no que diz respeito ao mundo da música. Eles acreditam que o importante ao começar uma banda é encontrar algo novo e que tenha o estilo do grupo. “Quando começamos a nos dedicar às nossas composições e ao nosso jeito, as coisas fluíram muito mais. O ideal é fechar os ouvidos para os palpites e apostar em uma música que tenha diferencial”, aconselha Nelson.

O Hakunna faz 10 anos, com muito gás e os planos não param. Mesmo com a agenda cheia para o segundo semestre, os irmãos Nelson e Álvaro, afirmam que a principal meta da banda é se empenhar na produção do primeiro DVD. Nelson acredita ainda que o DVD vai  aproximar mais o público do trabalho do  grupo: “Imagino que as pessoas queiram ver os bastidores do show e a convivência da banda também”. Clique aqui para ouvir sobre a produção do DVD. Ainda este mês, a banda cai na estrada e volta às apresentações em exposições agropecuárias. E, para a tristeza dos fãs, voltar para casa agora, só no final de Agosto.

Assista ao video da música “Gigante”, que participou do quadro “Garagem do Faustão”.

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Empreendedor Individual completa um ano de existência

por Randolfo Oliveira

No dia 1º de julho de 2009 entrou em vigor a lei complementar nº 128/2008, que instituiu a figura jurídica do Empreendedor Individual, um aprimoramento da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Com isso, aqueles que trabalham por conta própria ou com a ajuda de até um funcionário e tenham renda bruta anual de até R$36 mil, agora podem registrar seu negócio de maneira muito mais fácil e rápida, além de usufruir de inúmeros benefícios fiscais e previdenciários.

Portal do Empreendedor

Todo processo de registro do Empreendedor Individual é feito através da internet

Quem deseja se formalizar na nova categoria agora só precisa acessar o Portal do Empreendedor e seguir as instruções na página, que contém informações detalhadas sobre o processo de inscrição. Caso o futuro empresário ainda necessite de ajuda, o registro pode ser feita com o auxílio de empresas de contabilidade optantes pelo Simples Nacional, listadas aqui, que farão o processo de abertura e a primeira declaração gratuitamente.

Segundo balanço divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), até o dia 08 de junho 311 mil brasileiros aderiram ao novo sistema, registrando seus negócios e deixando a informalidade. Minas Gerais é o terceiro estado com mais empreendimentos individuais registrados no país, 34.513, atrás apenas de São Paulo (70.061) e Rio de Janeiro (41.487). A meta do Governo Federal é tirar um milhão de brasileiros da informalidade até o final de 2010.

Foi através do Emprendedor Individual que, em Juiz de Fora, a cabeleireira Aline Seródio conseguiu se tornar empresária, saindo da informalidade e realizando o sonho de abrir o seu salão, no bairro São Pedro. E ela está satisfeita com a mudança. “Quando você se formaliza, as pessoas te tratam de forma diferente. Eu achava que era um bicho de sete cabeças, tinha um medo enorme dos impostos, mas hoje não tem mais tantos impostos, que é o que mais assusta. Eu tenho uma casa pequena nos fundos da minha casa e era lá que eu atendia, ficava escondida para não pagar impostos. Eu resolvi procurar o Sebrae e quando eu recebi todas as orientações, vi que era tudo muito fácil. Então, hoje eu aconselho as pessoas a fazerem o mesmo que eu”, comenta. OUÇA

Mas Aline teve alguns problemas. Segundo a empresária, apesar de todas as facilidades para registrar o seu negócio, o que aconteceu em apenas dois dias, o alvará da prefeitura levou mais de quarenta dias para ser expedido, depois de muita dor de cabeça. Para Jefferson Santos, analista do Sebrae, esse é um erro muito comum. “O ideal é que, antes de qualquer coisa, os empreendedores procurem a prefeitura para verificar se o tipo de negócio que pretendem abrir é compatível com o local escolhido. Aí sim, após obter a autorização, a pessoa pode continuar o processo de registro da sua empresa. Após a emissão do CNPJ o empresário tem um prazo de 180 dias para apresentar o alvará de funcionamento da prefeitura e, caso não o apresente, o CNPJ é cancelado”, explica.

Jefferson comenta também sobre as vantagens para aqueles que se formalizam através do Empreendedor individual. “Os benefícios previdenciários são os mesmos que qualquer pessoa que contribui para o INSS, como aposentadoria por invalidez, aposentadoria por idade, auxílio maternidade e auxílio doença e, para a família, auxílio reclusão e pensão por morte. Eles ainda têm acesso a linhas de crédito criadas pelos bancos, principalmente Banco do Brasil e Caixa, com limite pré-aprovado e que fazem parte de um pacote de benefícios que os bancos oferecem. Por fim, eles têm acesso à capacitação, como aquelas oferecidas pelo Sebrae especificamente para o empreendedor individual.”


Assista à entrevista com Jefferson Santos

O Sebrae Minas desenvolveu diversos materiais para auxiliar as pessoas que desejam se formalizar e oferece em sua página na internet uma cartilha, programas de rádio com explicações para as principais dúvidas e 10 manuais com idéias de negócio para os empreendedores individuais. Além disso, oferece orientação gratuita nos seus escritórios em diversas cidades ou na sua central de relacionamento, através do telefone 0800 570 0800. Com essas ações, a expectativa é atingir a marca de 102 mil empreendedores individuais formalizados em Minas Gerais até dezembro.

Como surgiu o Empreendedor Individual

Em 2003, a segunda pesquisa sobre a economia informal no país (Ecinf2003), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Sebrae,  identificou que 98% dos 10.525.954 pequenos empreendimentos brasileiros não eram formalizados. Anteriormente, o levantamento de 1997 apontou que esse número chegava a 99%. Apesar da ligeira melhora, percebeu-se a necessidade de realizar ações que incentivassem esses trabalhadores a se formalizar.

O estudo ainda constatou de que 95% das pequenas empresas do país tinham apenas um proprietário e 80% apenas uma pessoa ocupada, mostrando que a grande maioria dos empreendimentos era formada por pessoas que trabalhavam sozinhas, sem sócios ou ajudantes não-remunerados. Dentre os trabalhadores por conta própria, a receita mensal média era de pouco mais de R$1.100 e o lucro (receita menos despesas) ficava abaixo de R$700.

A partir desses e de outros dados do Ecinf, começou a discussão de propostas para simplificar o processo de abertura de empresas e criar condições para que os empreendedores se formalizassem e passassem a ter mais oportunidades para se desenvolverem no mercado. A primeira vitória aconteceu em 2006, com a implantação da Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas, que promoveu mudanças importantes para os pequenos negócios brasileiros. Alguns dos benefícios conquistados foram a desburocratização na abertura das empresas, possibilidade de formação de consórcios de empresas para obter vantagens competitivas, acesso aos recursos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) para obter financiamentos com juros mais baixos e a unificação dos tributos federais, estaduais e municipais, com a consequente redução das alíquotas, o chamado Super Simples ou Simples Nacional, que começou a vigorar em julho de 2007.

Por fim, em dezembro de 2008, foi sancionada a lei que regulamentou a atividade do Empreendedor Individual e estabeleceu normas e prazos para sua implantação, assim como todos os benefícios fiscais, tributários e de assessoria para abertura e gestão do negócio.

Algumas vantagens de se tornar um Empreendedor Individual
Fonte: Sebrae

Empreendedor Individual

Modelo de divulgação do Empreendedor Individual pelo Sebrae

1- A legalização do negócio bem como a primeira declaração anual serão feitas de forma gratuita pelos contadores listados no Portal do Empreendedor.

2- Toda a parte burocrática terá custo zero também para as taxas de alvará etc.

3- Os impostos serão em valores fixos e hoje, no valor máximo de R$ 62,10, sendo R$ 56,10 para a Previdência Social (equivalente a 11% do salário mínimo), mais R$ 5,00 de ISS – Imposto Sobre Serviços e apenas R$ 1,00 de ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias. Mais nada.

4- Os novos empresários terão direito aos benefícios da Previdência Social como aposentadoria por idade e outros auxílios.

5- A empresa será registrada no CNPJ (Cadastro Nacional das Pessoas Jurídicas) e terá personalidade jurídica própria. Isso quer dizer que a empresa poderá comprar, vender e até participar de licitações, podendo gerar uma renda extra que antes nem se poderia imaginar em obter.

6- Poderão ser emitidas Notas Fiscais para todas as suas vendas, sendo obrigatórias somente quando houver venda para pessoas jurídicas, ou seja, para outras empresas.

7- O Empreendedor Individual ainda poderá ter um empregado registrado – desde que este receba entre o salário mínimo e o piso salarial da categoria, pagando apenas mais 3% do salário do empregado, a título de Previdência Social. É uma excelente forma de evitar ter empregados sem registro e estar sujeito às reclamações trabalhistas. Também caso o empregado sofra um acidente de trabalho, por exemplo, terá sua remuneração assegurada pela Previdência Social.

8- Praticamente todos podem ser Empreendedores Individuais. Camelôs, ambulantes, vendedoras de cosméticos, verdureiros, cabeleireiros, eletricistas e outros profissionais que vivem sem poder comprovar uma renda formal, sem poder emitir uma nota fiscal e até mesmo sonhar mais alto com um crescimento pois a carga tributária era incompatível com o início dos pequenos negócios.

9- A partir da formalização da empresa, poderá fazer empréstimos bancários para crescer, com taxas bem menores que as praticadas para as pessoas físicas.

Para mais informações sobre o Empreendedor Individual:
Sebrae – 0800 570 0800
Previdência Social – 135

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