Intercâmbio internacional: muito mais do que uma opção para as férias

Por: Carla Sanches e Maíra Pimenta

Com as férias de julho se aproximando, o intercâmbio torna-se um assunto muito frequente, especialmente entre estudantes. Interessados em se aprofundar em uma língua, cursar uma faculdade diferente, trabalhar no exterior, ou, simplesmente, viver uma experiência única, a viagem representa, para eles, uma oportunidade de crescimento profissional e pessoal.

Segundo a consultora de uma agência especializada em intercâmbio, Adriana Sampaio, apesar de representar menos tempo de viagem, o mês de julho acaba sendo tão procurado quanto os meses de dezembro e janeiro. A consultora explica ainda que um mês de intercâmbio geralmente visa o estudo de línguas, já períodos maiores podem ser úteis para trabalhar e fazer cursos especializados. No entanto, ela lembra que cada país obedece a um sistema. “No Canadá, é permitido primeiro estudar e somente depois, trabalhar. Já na Austrália, os dois podem ser feitos ao mesmo tempo, assim como na Irlanda.”, exemplifica.

De acordo com Adriana Sampaio, é recomendado que o planejamento para um intercâmbio comece com, no mínimo, quatro meses de antecedência. “Além de geralmente ter que fazer parte do pagamento antecipado, é preciso organizar a documentação, e, neste processo, podem surgir alguns contratempos”, alerta.

A estudante de direito, Talita Abreu, que no começo do ano fez um intercâmbio para o Canadá, garante que a viagem foi uma de suas melhores experiências de vida até hoje. “O intercâmbio me ajudou a melhorar meu inglês, e, além disso, me ajudou muito a crescer como pessoa. Tive que resolver meus problemas, tomar conta de mim mesma”, explica. No entanto, a estudante conta que o frio, de até quatro graus negativos, surpreendeu no início da viagem. Neste ponto, o mês de julho, época de verão no hemisfério norte, representa uma vantagem para quem teme a diferença climática.

O frio não desanimou o estudante de comunicação José Roberto Castro, que fez um intercâmbio de trabalho nos Estados Unidos entre dezembro de 2009 e abril deste ano. De acordo com o estudante, a experiência de morar fora do Brasil por alguns meses fez com que ele mudasse. “Eu brinco que eu embarquei um e desembarquei outro, porque é tudo muito diferente. Eu já moro sozinho há cinco anos, mas lá eu morava sozinho a 7.500 quilômetros de casa, com uma língua diferente. Eu fui para um lugar em que eu não conhecia absolutamente ninguém”, rassalta. (Ouça)

José Roberto afirma que enfrentou muitas dificuldades para se adaptar com a vida nos Estados Unidos. “O clima, o fuso horário, a língua, os costumes, a cultura: é tudo muito diferente da gente. Enfrentei dificuldades já previstas, mas isso não fez com que fosse menos difícil. Eu fui para lá atrás dessas dificuldades mesmo, porque é em cima delas que a gente cresce”, acredita. (Ouça)

Já a estudante de arquitetura Nicole Machado, a estudante de farmácia Ana Paula Duque e o estudante de economia Renan Pontes decidiram fazer um intercâmbio de estudo em Portugal. Através da Coordenação de Relações Internacionais (CRI) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), eles moraram seis meses no exterior.

Os três afirmaram que tiveram dificuldades durante o processo de preparação para o intercâmbio, já que os processos iniciais são burocráticos. “Antes da viagem foi um pouco complicado. Tive que correr atrás de passaporte e de visto. Talvez essa tenha sido a etapa mais difícil de toda a experiência”, argumenta Nicole. (Ouça) “É muita burocracia para poder tirar o visto, recolher documentos, autenticar documentos e ter que se deslocar para fazer isso tudo”, concorda Ana Paula. (Assista ao vídeo da entrevista na íntegra).

Para a coordenadora de Relações Internacionais da UFJF, professora Rossana Melo, o intercâmbio internacional é muito importante para o aluno. “O intercâmbio é um grande diferencial na visão de mundo do estudante. Ele passa a olhar o mundo de uma maneira diferente e isso reflete na sua vida profissional”, destaca. (Assista ao vídeo)

O estudante de economia concorda com a importância do período de vivência no exterior. “Esta experiência de intercâmbio internacional acrescenta muito na questão cultural. Você interage muito com outros povos, no meu caso não só os portugueses, mas também espanhóis, poloneses e outros povos de toda a Europa e até da Ásia. O fato de você conviver com pessoas de outras religiões, outras culturas e outras vivências cotidianas acaba te forçando a tentar ter uma personalidade acessível a todos”, ressalta. (Ouça)

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