Futebol 1 x 0 Política

Por Pedro Henrique Carpanês

O Brasil é uma nação predominantemente reconhecida pelo amor ao futebol. Em ano de Copa do Mundo o país chega a parar para acompanhar as partidas. Essa paixão é tão grande que deixa de escanteio assuntos importantes para a vida das pessoas e também para a pátria.

Em 2010, dois importantes eventos para o calendário nacional coincidiram: a Copa do Mundo e as Eleições. Nesse ano os eleitores vão às urnas para escolher seus governadores, deputados estaduais e federais, senadores e presidente.

Quase simultaneamente com o fim da Copa, as campanhas políticas começaram. Mas o brasileiro não migrou seu foco de atenção tão rápido. Mais de um mês pós mundial, alguns ainda falam da competição e, principalmente, do desempenho de seus times no campeonato brasileiro, que não chegou às finais e ainda pode ter tido mudança de técnico.

Para o cientista político Fábio Lacerda, o Brasil coloca outros temas à frente da política. Isso devido a grande descrença e à falta de cultura política. “O brasileiro, ao falar em política, só lembra do presente. Do asfalto que está ruim, dos impostos altos, do salário que não aumenta. Ele não tem uma análise crítica de todo o contexto. Não sabe pesar em uma balança todos os prós e os contras, o passado político do candidato ou sua vida pública” diz o cientista, que ainda arremata ressaltando “só teríamos eleições justas, se o voto deixasse de ser obrigatório, pois assim teríamos um resultado de acordo com aqueles que realmente se preocupam e se interessam, tanto com a política quanto com o futuro do país”.

Nas ruas a fala de Fábio se confirma. Muitos andam desgostosos com a política nacional e preferem deixar para pensar nela só em outubro. Outros já escolheram seus candidatos por conhecerem os rostos de eleições passadas.

O aposentado Paulo Ferreira diz não acompanhar mais a política por estar cansado das mesmas promessas e das roubalheiras que sempre vem à tona. Esse ano ele anulará seu voto. “Meu futebol é bem melhor do que a política. Meu time perde e ganha, e eu não vou dormir com o peso na consciência de ter aprovado uma pessoa que fará mal para milhões de pessoas”, justifica, desapontado, Paulo. Já para sua esposa, a aposentada Diná Ferreira, “política se resumiu a uma obrigação”. Para cumprir seu dever, dona Diná pretende votar nos candidatos que já conhece e tentam a reeleição. “Não tenho mais paciência para ficar vendo propostas, se o candidato já está lá, e nunca apareceu nada contra ele, é melhor ele ficar, do que entrar outro e ser pior”, explica a aposentada.

O brasileiro não anda muito contente com a situação de sua política, mas pelo menos ainda tem uma válvula de escape para os problemas do dia-a-dia: o futebol. Só temos que tomar cuidado para que esse lazer não entorpeça o voto consciente e a vontade de um país melhor.

1 comentário

Arquivado em Cotidiano

Uma resposta para “Futebol 1 x 0 Política

  1. Fernando Luiz de Pércia Gomes

    O futebol já entorpeceu, há muito, a consciência dos brasileiros.

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