A falta de ideologia partidária

Por: Thiago Menini

Nesta semana as vésperas das eleições do dia 3 de outubro, a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) publicou uma pesquisa que aponta que a população está preferindo votar em qualidades pessoais ao partido. A pesquisa foi feita pelo Centro de Pesquisas Sociais (CPS) onde 541 pessoas foram entrevistadas na primeira quinzena de setembro.

A pesquisa revelou que 61,5% dos juizforanos preferem votar em candidatos que sejam simpáticos; 80,6% nos que possuam estudo; 34,1% nos que sejam religiosos; 50,7% são os que preferem candidatos com idéias similares as suas; 98,5% preferem os honestos e 99,1% os que sejam trabalhadores.

Estes índices apontam uma tendência que está ocorrendo no mundo todo e não só no Brasil, a falta de ideologia partidária. No Brasil existem 27 partidos políticos e vários outros a espera de registro. Entretanto suas ideologias pouco se diferem basta ver os estatutos dos principais partidos que estão disputando a presidência, o PT, o PSDB e o PV. Lembrando que de acordo com o dicionário Aurélio ideologia, seria “o pensamento teórico que pretende desenvolver-se sobre seus próprios princípios abstratos, mas que, na realidade, é a expressão de fatos, principalmente sociais e econômicos, que não são levados em conta ou não são expressamente reconhecidos como determinantes daquele pensamento”.

De acordo com o artigo 1º do estatuto do PT, o partido “é uma associação voluntária de cidadãs e cidadãos que se propõem a lutar por democracia, pluralidade, solidariedade, transformações políticas, sociais, institucionais, econômicas, jurídicas e culturais, destinadas a eliminar a exploração, a dominação, a opressão, a desigualdade, a injustiça e a miséria, com o objetivo de construir o socialismo democrático.

Já a ideologia do PSDB contida no artigo 2º de seu estatuto, o partido “tem como base a democracia interna e a disciplina e, como objetivos programáticos, a consolidação dos direitos individuais e coletivos; o exercício democrático participativo e representativo; a soberania nacional; a construção de uma ordem social justa e garantida pela igualdade de oportunidades; o respeito ao pluralismo de idéias, culturas e etnias; e a realização do desenvolvimento de forma harmoniosa, com a prevalência do trabalho sobre o capital, buscando a distribuição equilibrada da riqueza nacional entre todas as regiões e classes sociais”.

O PV apresenta a seguinte plataforma no artigo 2º do seu estatuto, o partido “tem como objetivo alcançar o poder político institucional, de forma pacífica e democrática, em suas diversas instâncias, para aplicar e propagar o seu Programa”.

A partir dos fragmentos é possível perceber que as diferentes palavras utilizadas em seus objetivos, ou das pequenas diferenças ideológicas não são relevantes para de apontar ideologias antagônicas entre os partidos políticos, tornando-os muito parecidos. Para o cientista político Paulo Roberto Figueira Leal, “quanto mais os partidos ficam parecidos uns com os outros maior é a tendência do eleitorado em buscar supostas qualidades.”

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