Arquivo do mês: dezembro 2010

TV Digital em terras brasileiras

Por José de Assis
TV Digital

Interatividade, alta definição, mobilidade. O novo sistema de transmissão digital no Brasil trará para as telinhas uma nova plataforma de possibilidades que promete revolucionar a maneira com que hoje assistimos TV no Brasil. Anunciado em dezembro de 2007, pelo Presidente Lula, em uma solenidade no Salão São Paulo, a TV Digital Brasileira trouxe consigo uma série de discussões sobre o futuro da Televisão. Como funcionaria, o que mudaria e questões sobre interatividade estavam entre as mais freqüentes preocupações de emissoras e telespectadores, já familiarizados com o velho sistema analógico.

Uma diferença essencial entre a TV Digital e a Analógica são as bandas de transmissão que cada canal ocupa. No padrão antigo, um canal como a Globo ocupava 9 bandas. No Digital, 4 bandas são suficientes para se transmitir um canal. Assim, a Globo poderia oferecer nessas mesma 9 bandas, 2 canais em HD (High Definition). Nesse sistema, mais opções de programação serão oferecida ao telespectador.  O professor de TV da Faculdade de Comunicação Social da UFJF, Marcos Antônio Bonetti, explica que o telespectador que estiver assistindo a um jogo de futebol e quiser acompanhar outro jogo, terá essa opção, sem trocar de emissora. “A emissora poderia, por exemplo, passar o jogo do fluminense num canal, e passar o jogo do coríntias no outro. E o telespectador apertando um botão, vai mudando do jogo do fluminense para o jogo do coríntias; os dois acontecendo ao mesmo tempo”, explica o professor. Além dos dois canais, que ocuparão juntos 8 bandas, haverá a possibilidade de a emissora transmitir um terceiro canal móvel, que ocuparia essa banda de transmissão que sobra.

O padrão digital adotado no Brasil foi o chamado ISDB-TB, uma espécie de adaptação do japonês ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial), escolhido entre os três padrões existentes até então (o Japonês, o Estadunidense e o Europeu), por oferecer a melhor opção de mobilidade – além de atender melhor as necessidades de energia nos receptores, ou seja, se assiste à TV Digital móvel gastando-se pouca energia dos aparelhos. Para se ter uma idéia, um “telespectador móvel” europeu, por exemplo, que assiste à TV direto do celular ou Pager, paga uma taxa cobrada pelas operadoras de telefonia para utilizar o serviço. Já no sistema Japonês, e conseqüentemente, no sistema brasileiro, ele pode assistir a seus canais favoritos, transmitidos em digital, sem pagar a mais por isso.
Mobilidade
A nova TV Brasileira oferecerá, além da mobilidade tão esperada, uma série de serviços desde compras direto da TV, até acesso a sites, e-mails e outros ambientes da internet, como explica o professor de TV da Faculdade de Comunicação da UFJF e da PUC-Rio (universidade responsável – junto à UFPB – pelo desenvolvimento do sistema GINGA, que possibilitará a interatividade na TV brasileira). “No padrão digital, um produto exibido na propaganda de um filme ou de um jornal, poderá ser comprado instantaneamente pelo telespectador”. Outra opção de interatividade que o sistema oferece, é a interatividade na própria programação. Quem está assistindo a uma novela, poderá decidir o destino dos personagens; se o galã morre ou se ele consegue se salvar de uma situação de perigo. Portanto, uma plataforma de possibilidades estará ao alcance do telespectador digital, que começa a participar da TV, escolhendo a sua programação sem que precise mudar de canal.

Mesmo com todas as possibilidades que a técnica oferece, hoje, dessa plataforma, apenas a transmissão em alta definição já está disponível para os telespectadores de algumas regiões do país (capitais e algumas cidades do interior)

Veja lista das cidades.

O Brasil vem investindo, desde 1994, em pesquisas sobre TV Digital numa parceria entre universidades, emissoras de telev isão e empresas privadas interessadas no novo sistema. Mas, segundo o Professor Marcos Antônio Bonetti, a TV Digital Brasileira, pouco mudou em relação ao padrão analógico. “A transmissão continua a mesma. Você tem a antena da Globo mandando o sinal e a sua antena de casa recebendo. A única diferença é que transmite em HD.” Segundo, Bonetti, mudaria quando as emissoras passarem a utilizar os elementos que a plataforma oferece. “No Brasil, somente a CNT utiliza o segundo canal, num experimento de programação em 3D. Não existe interatividade na transmissão digital que temos hoje no Brasil. No dia em que alguém produzir alguma coisa interativa e der lucro, as produções interativas vão acontecer. E porque não acontecem antes? Porque elas implicam em custo e enquanto o lucro não aumenta, ninguém vai aumentar custo. Esse é o maior problema da TV Digital no Brasil.”

→ No portal Brasil Tv Digital você acompanha todas as notícias e curiosidades sobre a TV Digital Brasileira. http://www.brasiltvdigital.com/

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“Natal em Manuel Bandeira e Cândito Portinari”

Exposição inaugura comemorações dos 25 anos da Biblioteca Regional Delfina Moreira

Por José de Assis

Natal em Manuel Bandeira e Cândido PortinariAs obras do pintor Cândido Portinari e do escritor Manuel Bandeira se juntaram para mostrar que as fronteiras entre artes plásticas e literatura, são bem mais próximas do que se imagina. O palco é Juiz de Fora, desta vez longe do centro ou das galerias da cidade alta e zona sul. Mais uma edição do projeto Exposições Itinerantes, da Secretaria Estadual de Cultura de Minas Gerais chega ao Bairro Benfica, na Biblioteca Delfina Fonseca Lima, única sucursal da Biblioteca Municipal Murilo Mendes (BMMM) na cidade.

A exposição apresenta em 11 banners que se colocam entre as velhas estantes de livros e seus leitores numa série de imagens e textos sob a temática natalina, tão presente na trajetória dos dois artistas brasileiros. Em meio aos freqüentadores, as obras apresentam seus presépios, reis magos e a sagrada família sob os traços do pintor, do óleo sobre tela ao desenho a grafite, completadas pelas palavras, da “Anunciação”, do “Natal sem Sinos”, no universo do poeta Manoel Bandeira.

Foto ExposiçãoA mostra marca os 25 anos da Biblioteca Delfina Fonseca Lima, a única biblioteca pública, mantida pela Prefeitura fora do centro da cidade. Segundo Vanderley Tomaz, coordenador da BMMM, receber essa exposição é uma honra para a sucursal e para os moradores do bairro Benfica e proximidades. “Muito nos honra saber que a Biblioteca Delfina Fonseca foi a escolhida para receber essa exposição. É uma exposição que nós poderíamos ter levado para o centro na Biblioteca Murilo Mendes. Mas nós achamos  melhor trazê-la para a nossa sucursal, oferecendo  aos usuários da nossa biblioteca uma literatura de qualidade imagens de qualidade e ao mesmo tempo compartilhar com essas pessoas que freqüentem esse espaço a possibilidade de comemorar com a gente os primeiros 25 anos da biblioteca.”

Umas das freqüentadoras da biblioteca, a estudante Teily’Ane Teles, aprova a idéia da exposição e diz estar curiosa para conferir as obras. “Eu acho que pode ser atrativo para o local. Porque apesar de ter uma estrutura legal, as pessoas que moram na região acabam não aproveitado o que a biblioteca tem para oferecer. Aqui já tiveram muitas apresentações interessantes e o bairro tem muito potencial”. Para ela falta divulgação mais específica direcionada para os moradores dos bairros próximos que muitas vezes não usufruem da cultura oferecida por não tomarem conhecimento desses eventos.

Foto Exposição

O coordenador da Biblioteca Municipal, Vanderley Tomaz avalia se tratar de uma exposição rica e espera uma boa recepção das pessoas. “Acredito que a maioria das pessoas, estando no espaço e conhecendo o que está sendo expondo, com certeza haverá uma aprovação imediata. Temos a expectativa de uma aceitação plena do que está sendo apresentado e o desejo de que outras exposições continuem a vir.”

Exposições importantes já passaram pela Biblioteca Delfina Fonseca Lima, como a mostra “Cem Anos da Imprensa em Benfica”, que contou a trajetória de jornais locais, como o extinto jornal O Independente. Para os próximos meses já estão previstas diversas exposições, entre elas a mostra do escritor Pedro Nava, um dos principais memorialistas da literatura brasileira.

A Exposição Natal em Manuel Bandeira e Cândido Portinari começou nesta sexta-feira, 10 e vai até 31 de dezembro. A Biblioteca Delfina Fonseca Lima fica na Rua Marília, nº631, no Bairro Benfica e funciona de segunda à sexta, das 8:15h às 17:45h.

Vanderley Tomaz convida a população a prestigiar a exposição (Confira aqui).

Roseli Maria de Paiva - Foto Benfic@Net

Uma peculiaridade da Biblioteca Delfina Fonseca Lima são seus funcionários, como Roseli Maria de Paiva. Ela está na Biblioteca desde o primeiro dia da biblioteca que surgiu em 14 de dezembro de 1985. A maioria dos funcionários estão na instituição há mais de 10 anos.

Professora Delfina Fonseca LimaDelfina Fonseca Lima nasceu na zona rural do município de Lima Duarte, Minas Gerais, em 5 de maio de 1911. Ainda criança veio para Juiz de Fora iniciar seus estudos no internato do Colégio José Bicalho. Concluiu o curso ginasial no Colégio Granbery o magistério na Escola Normal Oficial, em 1932, integrando a primeira turma de diplomandas. Lecionou nas escolas estaduais Antônio Carlos, Almirante Barroso e Professor Lopes, sendo que desta última foi integrante do grupo de fundadores. Apreciava cinema e uma boa leitura. Delfina Fonseca Lima, Dona NONOCA, faleceu em 29 de dezembro de 1980.

A Biblioteca Delfina Fonseca Lima recebe doações de livros, revistas ou outros materiais. Para doar entre em contato através do telefone 3222-4320.

Mais Links:

Vida e Obra do pintor Cândido Portinari

Vida e Obra do escritor Manuel Bandeira

Bairro Benfica

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A Arte, do Morro para a cidade

Exposição Morro da Favela mostra a Providência do olhar do Fotógrafo Maurício Hora

Por José de Assis

Exposição Morro da Favela

Seria possível fotografar a beleza do Rio de Janeiro sem se olhar o Pão e Açúcar, o Cristo Redentor ou o Arpuador, se distanciando do Municipal, do Palácio da República, do Leblon ou de Copacabana? Este é o trabalho de Maurício Hora, fotógrafo do Morro da Providência, que há mais de 20 anos apresenta um lado diferente da cidade, uma favela espontânea, sob uma perspectiva localizada: o olhar que o morro tem de si e do seu espaço na metrópole.

Espaço Cultural dos Correios - Juiz de Fora

Sua forma de retratar essa realidade cotidiana está exposta no Espaço Cultural dos Correios, na exposição Morro da Favela, em fotografias que contam a história da primeira favela carioca, a Providência.

O fotógrafo Ivan Lima já dizia que a fotografia, antes de tudo, é um testemunho. Para Maurício Hora, o fotógrafo da favela, como costuma se denominar, a Providência é muito mais que um lugar a ser retratado. Lá, ele nasceu e foi criado e reside até hoje. Um personagem que resolveu contar história com luz e câmera.

A fotografia se tornou um objeto de manifestação para o fotógrafo, de discussão do espaço ocupado pela favela na realidade do Rio de Janeiro mostrando o “olhar da favela sobre a cidade”. “Eu não levei a fotografia para a favela, eu tirei a fotografia da favela… porque a beleza sempre existiu”, revela o artista. Apresentando o que não é mostrado, suas fotografias descobrem um espaço vivo, com personagens reais, de forma humana, abrindo espaço, sim, para se discutir os problemas do morro, mas essencialmente explicitando a identidade da favela, longe da violência, do trafico e da miséria explorados pela mídia que, para ele, não contribuem para a transformação do espaço.  “A minha fotografia não explícita uma violência. É claro que eu poderia fotografar isso muito bem, afinal, eu estou dentro da favela. Mas não me interessa porque eu não vou conseguir transformar. Eu prefiro fazer o espectador da favela subir na favela, porque ai eu vou conseguir transformar o olhar que se tem desse espaço.” Para ele a violência não pode ser vista como mito, mas também não constrói identidade e por isso deve ser encarada como uma ferida na favela, não como uma assimilação dela. “A violência decorre de uma falta de interação social, de uma divisão social extrema. É o lado de lá querendo engolir o de cá”, explica Maurício Hora. Sobre o papel da fotografia como transformadora o fotógrafo expõem que “ela dá resultado sim, mas somente quando ela faz o espectador da favela ver o morro com um olhar da favela”.

A estudante Ivilaine no Morro da Providência

A estudante Ivilaine Cássia na cobertura da sede do Favelarte, na Casa Amarela - Morro da Providência, RJ

A estudante de Turismo, Ivilaine Cássia de 26 anos, conferiu o trabalho de Maurício Hora exposto em Juiz de Fora e disse ter se impressionado com a construção artística. “Fiquei surpresa com a percepção que ele tem sobre um lugar que inicialmente não é visto pelas pessoas da maneira como foi mostrado. Gostei tanto que fui ao Morro da Providência e vi que ele não retrata nada além da realidade. Tudo é como sua arte mostra: maravilhoso.” Para ela, Hora demonstrou que a favela não pode ser tida como um espaço a ser excluído das cidades. Ela faz parte da cidade e constrói a história da cidade. Sobre o que mais a impressionou a estudante contou que se emocionou especialmente com as fotografias que retratam o cotidiano da Providência, do homem com sua bacia, às conversas e sorrisos dos moradores.

Sonora com estudante de administração Priscila.

Sonora com estudante de história Cintia Filipino.

Trajetória da Favela da Providência

Mas o trabalho de Maurício Hora vai além da fotografia. Ele é idealizador do Projeto Favelarte que surgiu como um site com temática ativista, com espaço para a divulgação da fotografia, mas acabou superando esse patamar inicial quando Hora percebeu a necessidade de transformar o Projeto em Instituto. “O projeto foi tomando proporções cada vez maiores; conseguimos tanta coisa para o Favelarte que ele precisou se tornar uma instituição.” Hoje o Favelarte é um instituto, no alto do morro da Providência, na Casa Amarela, e trabalha pelo resgate da identidade do Morro através da pesquisa e, como não, da própria fotografia. Segundo o historiador, Luiz Torres – integrante do projeto –, o nome Morro da Favela – como era chamada a Providência – é uma forma de resgatar a identidade que se tinha no morro, de uma fortaleza engajada pela mistura de cores, de intensa cultura.

Confira artigo do historiador Luiz Torres sobre a história da favela.

Esse olhar sobre uma favela real, já surtiu bons resultados. Além de o projeto ter se expandido, levou a arte do fotógrafo da favela para Paris, na França. Em 2005, Maurício Hora foi chamado para expor suas fotografias no metrô de Paris no ano do Brasil na França e surpreendeu com a exposição Favelité, cobrindo 70 metros do metrô parisiense com fotografias da Providência em tamanho real. Quatro anos depois, Maurício Hora surpreendia novamente na Casa França Brasil, no Rio, convidado pelo amigo e fotógrafo, o francês JR, parceiro do Favelarte. Perguntado sobre a maneira como suas fotografias exploram da luz do ambiente, Maurício Hora disse que se trata apenas do olhar. “Não tem maquiagem nenhuma, o que eu mostro ali é o que eu vejo. Se está bonita aquela luz, é aquela luz que minha fotografia vê”.

Confira as fotos da mostra na Casa França Brasil.

exposição

A exposição Morro da Favela permaneceu em Juiz de Fora até o dia 10 de dezembro no Espaço Cultural dos Correios contado com grande aprovação um público de mais de 800 pessoas; dentre elas, quase 600 alunos de escolas públicas da cidade – muitos que tiveram seu primeiro contato com a fotografia e principalmente com a realidade das favelas.

Alunos na exposição

O Espaço Cultural dos Correios fica na Rua Marechal Deodoro, nº 470 e funciona de segunda à sexta, das 8h às 18h e aos sábados, das 14h às 17h. O telefone de contato é 3211-9660.

→ O Morro da Providência completou, este ano, 113 anos de favela resgatando sua história através do Instituto Favelarte. O Favelarte está aberto para todos que querem contribuir com o projeto ou mesmo saber mais sobre a história desses espaços que compõem a cidade.

Fotógrafo Maurício Hora

Fotógrafo Maurício Hora - Foto Culto Circuito

Mais Links:

Site oficial do Instituto Favelarte

Blog do Favelarte

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Das favelas para o brejo

Traficantes cariocas em fuga podem parar em Juiz de Fora

Por Luiz Felipe Saleh

Dois complexos de favelas do Rio de Janeiro foram dominados pela ação conjunta das polícias federal, militar e civil, além do Exército nas últimas semanas. É um momento de paz nesses territórios, já que, ao que tudo indica, todos os traficantes foram mortos, presos ou fugiram. Mas, se para os moradores do complexo do alemão e do complexo da Vila Cruzeiro o momento é de paz, para os moradores das cidades próximas o clima é de tensão.Confira imagens da ação conjunta das polícias contra o trafico de drogas no Rio de Janeiro:

Para coibir a entrada de traficantes foragidos do Rio em Minas Gerais, a Polícia Rodoviária Federal, em operação conjunta com a Militar e a Civil começou a “Operação Fronteira”. O inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Walace Winchansky explica o que é a operação:

Quanto ao risco de invasão dos traficantes, o Inspetor Winchansky tranqüiliza a população:

Além das rodovias, existem outras formas de fuga para os bandidos do Rio. O primeiro suspeito ligado ao tráfico nas favelas cariocas em terras mineiras chegou de trem. O bandido, que era responsável pela fabricação de armas, embarcou em um trem de carga, na cidade de Barra Mansa, interior do estado do Rio, e foi encontrado pela polícia mineira em Barbacena (100 km de Juiz de Fora).

Caminho entre Barra Mansa e Barbacena

Além deste caso, as polícias de Juiz de Fora estão atentas a qualquer suspeita. No inicio da semana a Polícia Militar esteve no bairro Marilândia averiguando uma casa, suspeita de abrigar traficantes cariocas. Veja as imagens:

Apesar das suspeitas, nenhum indício da vinda dos traficantes cariocas para Juiz de Fora foi confirmado.

 

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Veio e vem chuva aí

Defesa civil espera período de chuvas mais tranquilo este ano

Por Luiz Felipe Saleh

O período mais chuvoso do ano em Juiz de Fora começou. Junto com ele, a preocupação com alagamentos e desabamentos vem à tona. Tentando antecipar as tragédias que acontecem todos os anos, a defesa civil de Juiz de Fora começa sua atual campanha com um novo lema. Antes a frase “vem chuva aí gente” era a forma de alertar a população para os cuidados com tempestades. Desta vez “cidade prevenida, população protegida” estampa os anseios dos moradores que há um ano viram mortes e destruição, pouco podendo fazer para se proteger.

As nuvens começam a aparecer e rapidamente viram chuva

Não foi somente a frase da campanha de prevenção que mudou este ano. Enfrentando seu primeiro período de chuvas fortes como superintendente da Defesa Civil de Juiz de Fora, o Major José Mendes da Silva destaca que as ações serão direcionadas aos moradores de áreas de maior propensão a alagamentos e desabamentos. Terminado no mês de julho deste ano, as pesquisas sobre as áreas de risco alcançaram, pela primeira vez, todo o território de Juiz de Fora. Foram dois meses para mapear os 1.429 quilômetros quadrados do município. “Com essas informações mais precisas, temos maior possibilidade de antever tragédias e salvar vidas” afirma o Major Silva.

Foto: Carlos Mendonça, Janeiro de 2010

A vendedora, Sueli Campos, moradora do bairro Linhares não acredita que irá ser diferente este ano. Nos últimos cinco anos, a parte onde está sua casa fica alagada e são muitos prejuízos com móveis e eletrodomésticos. Para dona Sueli, somente obras de melhoria na rua e no córrego do Young, que passa ao lado de sua casa, podem resolver o problema. Quanto a isso, a Secretaria de Obras de Juiz de Fora informou que estão previstas intervenções na região. Segundo a secretaria, as obras da “NOVA JUIZ DE FORA “ foram planejadas, também, para evitar alagamentos e outros problemas decorrentes das chuvas. Mesmo com a promessa, Dona Sueli afirma que não vai ficar de braços cruzados quando a primeira tempestade chegar: “Estamos aprendendo a minimizar as perdas. Todo ano é isso, eles prometem e não fazem nada” afirma.

Investimento em infraestrutura na cidade

São muitos os problemas a serem resolvidos durante as chuvas, mas as ações feitas em áreas de risco anteriormente podem garantir mais segurança aos moradores. Ano passado, foram pouco mais de mil ocorrências, sendo 20% com maior gravidade. A zona leste da cidade é a que mais sofre e consequentemente foi a que mais recebeu atenção dos órgãos municipais e nacionais, como o investimento do ministério das cidades em infraestrutura.

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Pato Fu toca musicas de brinquedo


Por Luiz Felipe Saleh

O público que lotou o Cine-Teatro Central pôde recordar bons momentos da infância ao som divertido da banda de Belo Horizonte, Pato Fu. Com instrumentos de brinquedo, os músicos John Ulhoa, Ricardo Koctus, Lulu Camargo, Xandi Tamietti e Fernanda Takai fizeram um show diferente. Mesclando músicas próprias e grandes sucessos nacionais e internacionais, o show impressionou pela habilidade dos músicos de lidar com instrumentos inusitados e, na maioria dos casos, tão pequenos.

A idéia de fazer um disco com instrumentos de brinquedo existe desde quando a banda foi formada mas, segundo a vocalista Fernanda Takai, o sonho foi adiado em 18 anos por alguns motivos: “Não realizamos este projeto antes por achar que não estávamos prontos. Sempre foi uma vontade, mas era um desafio muito grande e queríamos consolidar a banda antes”, afirma Fernanda.

Tudo parece uma grande brincadeira quando se curte o show. Mas para que desse certo, muito trabalho foi feito, principalmente para encontrar os instrumentos exatos e combinar seus “ruídos”. Dezenas de lojas e centenas de brinquedos foram exaustivamente testados. “De tudo se tira som, mas nem todos os sons combinam. No final, deu trabalho, mas é maravilhoso ver no rosto das pessoas que a música mexeu com elas”, afirma o guitarrista John Ulhoa.

Outro elemento de destaque no disco são as vozes doces e infantis de Nina Takai, Matheus D’Alessandro e Mariana Devin. Nina é filha de Fernanda Takai e John Ulhoa. Já Matheus é o pequeno cantor que mora na casa ao lado e Mariana é sobrinha de Fernanda e John. Juntos os pequenos são, o que podemos chamar de “a cereja do bolo” no álbum “Músicas de Brinquedo”. Infelizmente, e até por motivos óbvios, as crianças não participam da turnê.

Não é a primeira e muito menos a última vez que a banda de Fernanda Takai e John Ulhoa visita Juiz de Fora. Neste ponto o casal é unânime: “É muito bom vir tocar em Juiz de Fora. Sempre somos bem recebidos aqui e o astral do público é ótimo”. Eles também lembram que, no site da banda, podem ser vistas imagens das gravações do disco.

O site da banda é: www.patofu.com.br

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Governo de Minas lança programa de combate à dengue

Por Igor Simões

O período de chuvas chegou, e com isso volta a crescer a preocupação com a dengue. O governador Antonio Anastasia lançou o Programa Estadual de Controle Permanente da Dengue. Um conjunto de ações, reunindo o esforço do Governo de Minas, Exército, Aeronáutica, Ministério da Saúde, prefeituras e sociedade no enfrentamento à ameaça de uma grande epidemia da doença no Estado.

Entre as ações está a criação de uma Força Tarefa formada por cerca de 400 profissionais e voluntários. O Governo de Minas investirá no programa R$ 60 milhões até junho de 2011. Confira a entrevista com o governador Antonio Anastasia no lançamento do programa.

A Força Tarefa atuará nos 20 municípios mineiros que concentram o maior número de casos de dengue (63,33%). São eles: Belo Horizonte, Betim, Montes Claros, Juiz de Fora, Contagem, Teófilo Otoni, Ribeirão das Neves, Sete Lagoas, Carangola, Unaí, Paracatu, Divinópolis, Uberaba, Uberlândia, Sabará, Curvelo, Santa Luzia, Patos de Minas, Passos e Manhuaçu.  De acordo com o Ministério da Saúde, Minas Gerais está entre os estados brasileiros com alto risco de enfrentar a doença no próximo verão.

Juiz de Fora

Pela primeira vez na história, Juiz de Fora vive uma epidemia de dengue. Até agora são 9.439 casos, 20 vezes mais do que em todo o ano passado. A Força Tarefa quer evitar que em 2011 a epidemia se repita e ainda de forma mais grave. Na cidade já foram registradas 17 mortes em 2010, quatro por dengue hemorrágica. O pior é que esse quadro pode se repetir.

Em outubro, o Levantamento Rápido do Índice de Infestação de Aedes aegypti (Liraa) chegou a 2,12%. O ideal, segundo o Ministério da Saúde, seria 1%. O secretário de Saúde, Cláudio Reiff, diz que a área é prioridade e registra um quadro preocupante. Situação mais complicada é nos bairros Manoel Honório, Nossa Senhora Aparecida e Linhares, que o índice atinge a marca de 2,12. A Zona Norte também tem índice alto: Benfica está com 2,04 e São Judas Tadeu com 1,11.

Ações e Inovações

Cerca de 700 pessoas começaram no início de dezembro o trabalho de força tarefa no combate ao Aedes aegypti. A ação conta com o reforço do Exército brasileiro. Foram treinados 80 soldados, que também conta com o apoio de 26 agentes da Fundação Nacional de Saúde, 152 agentes de saúde e 421 agentes comunitários. Esta é a melhor época para o combate ao mosquito da dengue, porque a maioria dos insetos está na fase de larva.

Outra ajuda é o caminhão tanque, batizado de Dengue Móvel. O veículo começou a circular recolhendo objetos que possam acumular água. Em troca, o morador recebe material escolar. Vários bairros serão visitados.

Desde junho, os agentes do Departamento de Vigilância Epidemiológica visitaram 125 bairros de Juiz de Fora e eliminaram mais de 19 mil focos do mosquito transmissor da dengue. Número que poderia ser maior, já que cerca de 20% das casas não receberam tratamento.

O Governo acredita que com apoio de personalidades, a população intensificará o combate à dengue.

 

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