“Doe Sangue, doe vida”

Com slogans motivadores, as campanhas de incentivo tem um único propósito: salvar vidas.

Janaina Morais

25 de novembro foi o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue. Para comemorar a data, o Hemocentro Regional de Juiz de Fora promoveu a Semana do Doador de Sangue, que contou com uma homenagem a 193 doadores, durante uma diplomação, realizada de acordo com o número de doações feitas.

Rosani Martins, integrante da equipe de Captação de Doadores de Sangue e Medula Óssea, disse que o ato foi feito com a intenção de estimular outras pessoas. “O fato de termos três doadores recebendo o Diamante e mais oito o Honra ao Mérito é motivo de orgulho para nós.”

Para um dos diplomados na categoria Diamante, o vendedor autônomo José Alonso Varela, o ato representa satisfação pessoal. “Comecei a doar sangue aos 18 anos de idade, quando estava no quartel. Lá se vão quase 40 anos. A sensação de dever cumprido é muito gratificante. Quem doa não gasta nada, não perde nada e ainda tem a oportunidade de ajudar a salvar vidas, independentemente de saber quem está sendo auxiliado.”

Cada doação de sangue pode ajudar até quatro pessoas, o que significa que as 50 doações efetuadas por Varela já beneficiaram aproximadamente 200 pessoas. “A importância dos doadores é imensa e esta é a razão do nosso reconhecimento. A realização da semana foi também uma forma de despertar a atenção da população para a importância do ato”, destaca Rosani.

Um dos problemas enfrentados na obtenção de sangue são os doadores, por isso a importância de estar
constantemente fazendo campanhas de incentivo. Outro problema é a necessidade de um grande aparato tecnológico para a coleta, armazenamento e exame da amostra de sangue. Para tentar reverter este quadro, o Hemominas adotou um modelo francês de regionalização de distribuição dos hemoderivados. O médico e Secretário de Saúde de Barbacena, Edson Rezende, explica como funciona esse modelo: “Em uma cidade como Barbacena, por exemplo, o sangue colhido é levado para Juiz de Fora, onde é conservado, e depois a secretaria municipal tem que ir buscar o material na cidade onde é estocado.”

Minas Gerais tem seguido este modelo há mais de dez anos. Mesmo tendo um custo maior para as prefeituras, é um meio de reduzir o gasto do Estado, visto que, se cada cidade tivesse um centro para captação e armazenamento de sangue, o governo teria que arcar com despesas maiores.

Edson Rezende diz que há ainda muito a avançar nas tecnologias e pesquisas realizadas na área. “A constituição de uma indústria de hemoderivados seria um grande passo. O sangue tem vários componentes que podem ser retirados para a produção de outros derivados, como por exemplo o fator VII. O Brasil importa a maioria desses derivados, se o país passasse a produzí-los o custo com importação reduziria, além de elevar o conhecimento científico.”

Edson Rezende, Secretário de Saúde de Barbacena, Minas Gerais

Hemobrás

Em novembro de 2004, foi aprovado um projeto do Ministério da Saúde para criar a Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobras), que tem o objetivo de reduzir a necessidade de importação e buscar a auto-suficiência na produção brasileira de hemoderivados, entre eles, o Fator VIII e o Fator IX, essenciais no tratamento de pacientes com hemofilia.

A estatal só foi efetivada em 2005, quando teve sua primeira direção nomeada. Paralelamente aos trabalhos de pesquisa, a empresa conseguiu avançar no projeto de construção da maior fábrica de hemoderivados da América Latina, que tem previsão para começar a operar em 2014.

O Ministério gastava, anualmente, 100 milhões de dólares na importação de hemoderivados para atender às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS). Os hemocentros eram os fornecedores do plasma brasileiro, que eram enviados ao exterior para voltar ao país na forma de medicamentos (albumina, imunoglobulina, fator VIII e IX). Hoje, o padrão de qualidade da média dos hemocentros brasileiros se assemelha ao dos países europeus e dos Estados Unidos. Com a implantação da fábrica da Hemobrás, houve uma redução na importação dos produtos e o país ganha mais autonomia, podendo fornecer medicamentos de qualidade aos usuários do SUS.


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