TV Digital em terras brasileiras

Por José de Assis
TV Digital

Interatividade, alta definição, mobilidade. O novo sistema de transmissão digital no Brasil trará para as telinhas uma nova plataforma de possibilidades que promete revolucionar a maneira com que hoje assistimos TV no Brasil. Anunciado em dezembro de 2007, pelo Presidente Lula, em uma solenidade no Salão São Paulo, a TV Digital Brasileira trouxe consigo uma série de discussões sobre o futuro da Televisão. Como funcionaria, o que mudaria e questões sobre interatividade estavam entre as mais freqüentes preocupações de emissoras e telespectadores, já familiarizados com o velho sistema analógico.

Uma diferença essencial entre a TV Digital e a Analógica são as bandas de transmissão que cada canal ocupa. No padrão antigo, um canal como a Globo ocupava 9 bandas. No Digital, 4 bandas são suficientes para se transmitir um canal. Assim, a Globo poderia oferecer nessas mesma 9 bandas, 2 canais em HD (High Definition). Nesse sistema, mais opções de programação serão oferecida ao telespectador.  O professor de TV da Faculdade de Comunicação Social da UFJF, Marcos Antônio Bonetti, explica que o telespectador que estiver assistindo a um jogo de futebol e quiser acompanhar outro jogo, terá essa opção, sem trocar de emissora. “A emissora poderia, por exemplo, passar o jogo do fluminense num canal, e passar o jogo do coríntias no outro. E o telespectador apertando um botão, vai mudando do jogo do fluminense para o jogo do coríntias; os dois acontecendo ao mesmo tempo”, explica o professor. Além dos dois canais, que ocuparão juntos 8 bandas, haverá a possibilidade de a emissora transmitir um terceiro canal móvel, que ocuparia essa banda de transmissão que sobra.

O padrão digital adotado no Brasil foi o chamado ISDB-TB, uma espécie de adaptação do japonês ISDB-T (Integrated Services Digital Broadcasting Terrestrial), escolhido entre os três padrões existentes até então (o Japonês, o Estadunidense e o Europeu), por oferecer a melhor opção de mobilidade – além de atender melhor as necessidades de energia nos receptores, ou seja, se assiste à TV Digital móvel gastando-se pouca energia dos aparelhos. Para se ter uma idéia, um “telespectador móvel” europeu, por exemplo, que assiste à TV direto do celular ou Pager, paga uma taxa cobrada pelas operadoras de telefonia para utilizar o serviço. Já no sistema Japonês, e conseqüentemente, no sistema brasileiro, ele pode assistir a seus canais favoritos, transmitidos em digital, sem pagar a mais por isso.
Mobilidade
A nova TV Brasileira oferecerá, além da mobilidade tão esperada, uma série de serviços desde compras direto da TV, até acesso a sites, e-mails e outros ambientes da internet, como explica o professor de TV da Faculdade de Comunicação da UFJF e da PUC-Rio (universidade responsável – junto à UFPB – pelo desenvolvimento do sistema GINGA, que possibilitará a interatividade na TV brasileira). “No padrão digital, um produto exibido na propaganda de um filme ou de um jornal, poderá ser comprado instantaneamente pelo telespectador”. Outra opção de interatividade que o sistema oferece, é a interatividade na própria programação. Quem está assistindo a uma novela, poderá decidir o destino dos personagens; se o galã morre ou se ele consegue se salvar de uma situação de perigo. Portanto, uma plataforma de possibilidades estará ao alcance do telespectador digital, que começa a participar da TV, escolhendo a sua programação sem que precise mudar de canal.

Mesmo com todas as possibilidades que a técnica oferece, hoje, dessa plataforma, apenas a transmissão em alta definição já está disponível para os telespectadores de algumas regiões do país (capitais e algumas cidades do interior)

Veja lista das cidades.

O Brasil vem investindo, desde 1994, em pesquisas sobre TV Digital numa parceria entre universidades, emissoras de telev isão e empresas privadas interessadas no novo sistema. Mas, segundo o Professor Marcos Antônio Bonetti, a TV Digital Brasileira, pouco mudou em relação ao padrão analógico. “A transmissão continua a mesma. Você tem a antena da Globo mandando o sinal e a sua antena de casa recebendo. A única diferença é que transmite em HD.” Segundo, Bonetti, mudaria quando as emissoras passarem a utilizar os elementos que a plataforma oferece. “No Brasil, somente a CNT utiliza o segundo canal, num experimento de programação em 3D. Não existe interatividade na transmissão digital que temos hoje no Brasil. No dia em que alguém produzir alguma coisa interativa e der lucro, as produções interativas vão acontecer. E porque não acontecem antes? Porque elas implicam em custo e enquanto o lucro não aumenta, ninguém vai aumentar custo. Esse é o maior problema da TV Digital no Brasil.”

→ No portal Brasil Tv Digital você acompanha todas as notícias e curiosidades sobre a TV Digital Brasileira. http://www.brasiltvdigital.com/

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