Arlindo Daibert é reverenciado no MAMM

Por Naila Portela

O Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM) abre suas portas para visitas à exposição Daibert, o poeta das imagens; em homenagem ao artista juizforano Arlindo Daibert. A mostra foi inaugurada junto com o lançamento do livro Arlindo Daibert: fortuna crítica, um trabalho de pesquisa realizado por Júlio Castañon, e uma mesa redonda com o autor e os convidados Ângelo Oswaldo de Araújo Santos e Ricardo Cristofaro.

Cartaz da exposição de Arlindo Daibert

A exposição reúne 25 obras das diversas fases do artista, desde as famosas ilustrações, que renderam a Daibert prêmios e reconhecimento, até as diversas experimentações que o juizforano produzia, aplicando técnicas variadas sobre tela, lona, madeira e até mesmo couro de carneiro. De acordo com Paulo Roberto Alvarez, curador do MAMM e responsável pela reunião do acervo exposto, “a exposição não é nenhuma retrospectiva da produção de Daibert, é apenas uma pequena amostragem, mas contempla todas as fases do artista”, já que “o espaço físico é pequeno em relação ao volume da obra de Daibert”, comenta.

Segundo Paulo Roberto, a organização e a reunião das obras não foi tarefa difícil. O curador revela que “a mostra foi montada através do acervo pessoal de amigos pessoais de Arlindo Daibert”, o que evidencia a carga afetiva em torno da realização desse evento. Alvarez comenta ainda que o lançamento do livro foi determinante na execução da exposição. “A homenagem já havia sido pensada, e resolvemos fazer a inauguração da exposição em função do lançamento do livro”, completa.

De acordo com Paulo, para completar a noite, “a mesa redonda foi feita porque instiga a conversação e enriquece a proposta do livro”. Um dos nomes que prestigiaram o evento, o artista Gerson Guedes, concorda com Paulo e diz que “a exposição foi enriquecida pela abertura com a mesa redonda. Isso foi um grande diferencial”.

Xilogravura Diadorim

Exposição e obra do artista

No saguão principal do museu estão expostas obras que caracterizam as múltiplas linguagens que o artista usava. São gravuras que se misturam a poesia, colagens, releituras de obras consagradas – como é o caso de Monalisa -, referências a elementos aplicados na História da Arte, além da diversidade de materiais usados por Daibert.

Paulo Alvarez não hesita ao declarar que é “fã da obra de Arlindo Daibert” e confessa que são as ilustrações que mais lhe agradam. Guedes destaca a “diversidade de participações artísticas e a variedade de formas de comunicação” com que Daibert se expressava como o grande diferencial de sua obra. Gerson completa dizendo que “ele não era apenas um pintor. O pintor faz parte do artista que ele era. Sua obra está ligada à literatura, à poesia, às ilustrações e às xilogravuras”, analisa.

Uma exposição secundária no salão principal do MAMM, com obras do artista Leonino Leão, completa a mostra Daibert, o poeta das imagens. Leão era outro grande parceiro e amigo que homenageou Arlindo Daibert.

Xilogravura Grande Sertão: Veredas

O Livro

O livro Arlindo Daibert: fortuna crítica é resultado de um longo trabalho de pesquisa realizado por Júlio Castañon, que compilou dezenas de artigos e críticas de arte publicadas em jornais e revistas sobre o trabalho do artista. A publicação traz ainda um caderno especial com a reprodução de um apanhado de suas obras.

Nas páginas do livro é possível encontrar textos de Ângelo Oswaldo, atual prefeito de Ouro Preto, que além de crítico de arte, era amigo pessoal de Daibert. Da mesma forma, Ricardo Cristofaro, diretor do Instituto de Artes e Design da Universidade Federal de Juiz de Fora (IAD/UFJF), assina um artigo no livro com uma análise da obra do artista, mas está intimamente ligado ao autor, já que é ex-aluno de Daibert e cedeu obras de seu acervo pessoal para a realização da exposição.

O artista

Arlindo Daibert nasceu em Juiz de Fora, se formou na Faculdade de Letras da UFJF e se lançou no mundo artístico em 1972, então com 20 anos, quando teve suas gravuras e ilustrações expostas no IV Salão de Verão no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro.

O artista realizou ilustrações de grandes obras, como Grande Sertão: Veredas , de Guimarães Rosa, e Macunaíma, de  Mário de Andrade. Também criou uma série inspirada em Alice no País das Maravilhas de Lewis Carrol.

O trabalho artístico de Daibert foi reconhecido no país e no exterior. Dentre os prêmios, podemos destacar o de Melhor Desenhista, concedido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA); Viagem ao Estrangeiro, no III Salão de Artes Plásticas na XV Bienal Internacional de São Paulo; o Prêmio de Aquisição, da Bienal de Maldonado, no Uruguai e Contempory Brasilian Engravings and Drawings, em Tel-Aviv, Israel.

A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, das 10 às 18 horas, aos sábados e domingos, das 13 às 18 horas e fica em cartaz até o dia 15 de maio.

Outras Informações:

Museu de Arte Murilo Mendes
Rua Benjamin Constant, 790 – Centro
Tel: 3229-9070

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