Compra coletiva online vira hábito de consumo entre brasileiros

Por Talitha Évely

Durante o ano de 2010, as vendas de bens de consumo por meio da Internet tiveram um crescimento de 40%, movimentando um capital de 14,8 bilhões de reais. Os dados foram divulgados pelo relatório da Ebit, empresa especializada em monitorar o comércio eletrônico.

Compras online movimentam a economia brasileira

Em 2010, as datas comemorativas foram responsáveis pelo faturamento de cerca de 4,5 bilhões de reais. O relatório também aponta que a indústria do varejo está se consolidando por meio da Internet. Os pedidos subiram de 30 milhões, em 2009, para 40 milhões, em 2010, e pelo menos 23 milhões de pessoas já fizeram, no mínimo, uma compra online em 2010. De acordo com a pesquisa, os produtos mais comprados pelos clientes na Internet são eletrodomésticos (14%); livros, assinaturas de revistas e jornais (12%); saúde, beleza e medicamentos (12%); informática (11%) e eletrônicos (7%).

Segundo Renan Caixeiro, diretor executivo da E-Dialog Comunicação Digital, há dois principais fatores que influenciam este aumento nas compras online: “O primeiro é o preço. Produtos, principalmente importados, têm queda no preço em virtude da Internet. Isso porque há menor custo envolvido para uma loja virtual, que não precisa arcar com as despesas da loja física. A logística e a presença na loja física aumentam o custo final – envolvem vendedores, transportadora, etc. O segundo fator é a facilidade de compra – hoje há oportunidade de, literalmente, comprar com um clique. O consumidor pode ver diversas opções e comparar preços em poucos minutos, sem sair de casa”, comenta.

Compras coletivas  

A partir de 2010, deu-se início a uma diferente maneira de se efetuar compras online. São os chamados sites de compras coletivas, que oferecem ofertas de produtos ou serviços ativadas por um número mínimo de vendas de cupons.  “A iniciativa dos sites de compra coletiva é muito adequada ao momento que vivemos na Internet, por aliar bons preços à facilidade na compra,” observa Renan.  Dados apontam que 61% dos consumidores virtuais conhecem o conceito de compras coletivas e, dessa parcela, 49% já fizeram alguma por estes sites.

61% dos consumidores virtuais conhecem o conceito de compras coletivas, segundo pesquisa

Diogo Fonseca, estudante de Direito, é proprietário do site de compras coletivas Trem de Fora. Para ele, os sites de compras coletivas baseiam-se em sites de publicidade: “O site de compras coletivas é, diferentemente do que muitos acreditam, um site de publicidade. Evidentemente, a venda é parte fundamental; entretanto, não pode ser entendida como foco principal, e sim como meio desse novo modelo de publicidade”. A prática de compras coletivas se diferencia bastante das demais formas de publicidade, pois, ao realizar a compra online, o cliente, que num primeiro momento se sente atraído pelos descontos, comparece ao estabelecimento obrigatoriamente em razão de já ter realizado o pagamento. O ciclo se torna bom para todos os envolvidos: o cliente – que paga mais barato neste primeiro momento; o estabelecimento – que investe numa publicidade efetiva não necessitando de um capital inicial para tanto; e o site – que divulga sua marca e cobra por esse serviço de publicidade e intermediação das compras. O “coletiva”, do nome, portanto, não indica apenas um grupo de compras realizadas durante um certo período de tempo. Indica também um grupo de pessoas que irão frequentar aquele estabelecimento que ofertou no site. Renan observa que o crescimento destes canais de compra pode gerar, no futuro, um desequilíbrio: “Muitas empresas divulgando produtos similares poderão ser confundidas na cabeça do consumidor – a partir daí, o consumidor irá apenas em busca dos descontos e não terá vínculos com a marca.”.

Quem já experimentou

Laís Miranda, estudante, é cadastrada em diferentes sites de compra coletiva e aprova a prática: “Recebo diariamente no e-mail ofertas e visito com frequência os sites, para ver se há alguma promoção que me interesse. Já comprei cupons com mais de 70% de desconto, o que me ajuda bastante a economizar em minhas despesas, já que sou estudante”. A facilidade de compra é alta, e, quando o site oferece bons descontos, ele consegue fidelizar o cliente, o que é interessante para a empresa, que divulga seus produtos promocionais nestes canais. Já para Renan, a experiência não foi tão positiva como aconteceu com Laís  “Já comprei diversos produtos via Internet: camisas, eletrônicos, jogos e até material gráfico, como cartões de visita. Já tive dois problemas graves: comprei uma camisa da Itália que era tida como original e recebi uma falsa da França – o vendedor sumiu depois de enganar muitas pessoas. Também já comprei de um site do exterior, e meu produto ficou preso na alfândega por problemas no envio – o site me ressarciu 40% do valor, mas perdi o restante”, comenta Renan.

Prós e contras

“A primeira vantagem é a comodidade e a praticidade da compra. Você não precisa enfrentar lojas cheias para comprar e esperar um atendimento nem sempre de qualidade. Outra vantagem é o leque de possibilidades que o cliente tem num site apenas. Você consegue ver variedades e itens diversos num único site, do tênis ao boné, por exemplo. No caso da compra coletiva, o preço é sempre imbatível, e os serviços e produtos variam muito também.”, avalia Thiago. Renan acredita que há alguns pontos que devem ser pensados antes de efetuar a compra: “Optei por não aderir aos sites de compra coletiva por ter recebido feedbacks negativos de pessoas que compraram – como longas filas de espera e atendimento ruim para quem comprou coletivamente. Acredito que o mercado deve estar atento para não criar uma bolha. Afinal, as empresas não lucram com as compras coletivas, apenas os sites. As empresas apenas recebem retorno de marca e divulgação. Acredito que a compra física é mais segura, pois você pode tocar o produto e acompanhar todo o processo. Entretanto, a compra virtual tem evoluído e mecanismos como PagSeguro e MercadoPago auxiliam nisso”, finaliza.

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