Doação de medula óssea ainda é cercada por muitas dúvidas

Falta de informação sobre o processo de doação é um dos principais fatores para baixo número de doadores

Por Jani de Freitas

A doação de medula óssea é cercada de muitas dúvidas. Talvez esteja aí o motivo principal para o baixo número de doadores. No Brasil, a proporção de cadastrados no banco de medula óssea é de 1 para 100.000, e se colocarmos em proporções mundiais, chega a ser de 1 para 1 milhão. Segundo dados do INCA (Instituto Nacional do Câncer), em 2008, mais de cinco mil brasileiros morreram à espera de um doador. No ano passado, mais de 9.500 pessoas foram diagnosticadas com leucemia. Apesar de os números parecerem cruéis, essa história vem mudando nos últimos anos. Em 2003, o Redome oferecia 11% de todo o seu material para transplantes, hoje esse percentual já é de 60%. As chances dos brasileiros aumentou ainda mais depois que o Brasil passou a integrar o National Marrow Donor Program, o maior banco de doadores do mundo.

“Em maio de 2009, fui procurado por eles (Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea), e fui informado que tinham encontrado um paciente compatível comigo. Daí me perguntaram se eu ainda gostaria de ser um doador, eu com certeza confirmei, sempre tive vontade, pois é uma oportunidade salvar uma vida”, disse o doador de medula Luciano Tortorelli.

Ao contrário do que muitos pensam, doar medula é algo muito simples. Existem dois tipos de doação: o de aspirar a medula através de agulhas especiais e o que usa uma máquina chamada leucaférese. Nessa máquina, o sangue é separado, levando em consideração o peso das pessoas, e armazenado em um compartimento especial – lembrando um pouco a hemodiálise. O procedimento usando agulhas é o mais comum no Brasil, e também o que mais amedronta os doadores, já que é necessária uma pequena perfuração. Porém, muitas pessoas que já passaram pelo transplante afirmam que o incomodo é minimo, ou, em muitos casos, o incômodo nem acontece. Luciano Tortorelli, já doou pelo metódo da Aférese e explica como foi:

Print da página de um site de relacionamento onde pessoas contam sobre a experiência da doação.

“Cheguei em Curitiba em um sábado, pois teria que ir todos os dias na parte da manhã no hospital tomar uma injeção de um medicamento que estimula a proliferação das células para a veia, o que não tem incômodo nenhum. Na quinta-feira, comecei o procedimento um pouco antes das 8h e que terminou perto das 13h, o que é normal em todos pacientes”.

É importante ressaltar que a doação de medula é anônima, só depois de 5 anos é que os nomes são liberados pelo banco de dados. A medida é para evitar que, caso o paciente tenha uma recaída, ele volte a procurar o doador, e, de certa forma, exerça alguma forma de pressão sobre ele para doar novamente, e também caso o paciente venha a morrer, não gerar nenhuma frustação no doador. Algumas pessoas esperam que pelo menos notícias sejam dadas, que é o caso do Luciano Tortelli: “Só lamento a atitude do Redome depois de tudo. Sempre fui atrás para saber o estado de saúde do receptor e nunca com intuito de saber quem ele é, só queria saber alguma notícia de como estava a recuperação”.

Segundo Rosani Martins, membro da equipe de captação de doadores de sangue e de medula óssea do Hemominas de Juiz de Fora, a cidade tem números expressivos de doadores. Ela ainda ressaltou que a exposição que a mídia fez em 2001, com a novela “Laços de família”, em que a atriz Carolina Dickemann intepretou uma garota que teve leucemia e que necessitava da doação de medula óssea para sobreviver. Segundo a funcionária do Hemominas, o drama envolveu o Brasil, que passou a se conscientizar mais sobre o assunto.

O que intriga muita gente é saber se as pessoas que estão fora dos critérios de idade podem doar. De acordo com Rosani Martins, pessoas acima de 54 anos podem doar, só não podem se cadastrar mais. Menores de idade, geralmente se tornam doadores quando o caso de doença é na família. Nesse caso, se o responsável autorizar, ele pode doar a medula óssea.

Não são muitos os hospitais que fazem o processo de doação de medula no Brasil. Em Juiz de Fora, por exemplo, nenhum hospital está apto a fazer o transplante. Geralmente os doadores são encaminhados a uma cidade mais próxima. Como em muitos casos é necessário o deslocamento do doador, o Ministério da Saúde se dispõe a pagar todas as despesas referentes à doação.

As dúvidas mais frequentes quanto a doação de medula você encontra no site do INCA.

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