“Mulheres no volante” faz mostra de técnicas das artes marciais

Por Carol Laporte

A quarta edição do festival “Mulheres no volante” veio para reforçar o objetivo de todas as outras edições desde 2007; valorizar o trabalho artístico das mulheres e contribuir para o exercício de sua cidadania. Os esforços são práticos; oficinas abertas ao público e completamente gratuitas foram ministradas no Espaço Bernardo Mascarenhas de 16 a 19 de março, além de shows que fecharam o festival no domingo, dia 20.

Esse foi o primeiro festival a ampliar a programação para 5 dias, ao invés do único dia habitual. Entre as atividades programadas estavam debates, exibição de vídeos e curta metragem, stencil e práticas de filmagem instrumental.

Arquivo da internet. Movimentos básicos de defesa pessoal.

Uma das oficinas inauguradas nessa edição foi a de defesa pessoal, ministrada por Laís Lery, Juliana Vitral e Juliana Fernandes. A principal intenção do curso foi permitir o uso de técnicas marciais por pessoas comuns, que podem utilizar a praticidade de alguns movimentos para defender-se no cotidiano.

As vantagens do treino marcial

Os exercícios buscam aproveitar o conhecimento do corpo humano e não precisam contar com uma disputa de força entre oponentes para serem executados. A grande vantagem é que qualquer um pode se defender, mesmo de um agressor mais forte, usando a inteligência e conhecendo as limitações da nossa fisiologia.

Uma das técnicas utiliza o peso da cabeça para controlar o ataque em uma linha segura. Por ser naturalmente mais pesada, a cabeça se torna um alvo mais fácil de ser direcionado do que mãos ou pernas, por exemplo. Além de abordar esses truques, as três professoras, que já praticaram karatê no Dojo Rousimar Neves/Academia Actrium, também conversaram com as alunas sobre comportamento seguro, noções de ambiente e até possíveis armas de defesa que podem ser encontradas na bolsa de qualquer mulher. Um lenço com moedas se transforma em uma poderosa ferramenta de defesa, e o próprio guarda chuva pode ajudar em situações de risco.

IV edição do Mulheres no Volante

Apesar da espontaneidade da idéia de acrescentar uma oficina de defesa pessoal no “Mulheres no Volante”, Laís Lery avalia que o casamento de auto preservação com valorização feminina complementa a idéia inicial do evento ao fortalecer a segurança de quem participa e portanto a auto-confiança das inscritas, outro benefício das artes marciais. As alunas concordam, e Camila de Souza comenta: “As pessoas acham que nós somos frágeis, que podem segurar, agarrar, e a gente não vai conseguir se defender. É bom poder evitar isso até mesmo na balada”.

A noção de como se proteger não é válida apenas para as horas na rua ou no lazer. De acordo com o DataSenado, órgão ligado à Secretaria de Pesquisa e Opinião Pública do Senado Federal, a cada 100 mulheres brasileiras, 15 vivem ou já viveram algum caso de violência doméstica. Segundo estimativas do Fórum de Desenvolvimento das Nações Unidas para Mulher (Unifem), pelo menos 5 dessas mulheres poderiam ter evitado a agressão com um conhecimento considerado básico de defesa pessoal.

Juliana Fernandes completa ao afirmar que não existe idade limite para aprender a se defender: “Qualquer pessoa que se interessar pelo assunto pode aprender defesa pessoal. Depois de treinar algumas vezes o domínio das técnicas fica mais fácil, e a pessoa pode se sentir  mais confiante”.

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