Cinema nacional ganha espaço nas telas e atrai o público

Em 2010, 135 milhões de brasileiros viram produções feitas no país

Por Valentim Junior

A cada ano, os brasileiros frequentam mais as salas de cinema para ver filmes nacionais. Desde meados da década de 90, intitulada a época da “retomada”, que os filmes produzidos no Brasil ganham espaços nas telas e no gosto popular. Em 2010, “Tropa de Elite 2” levou mais de 11 milhões de brasileiros ao cinema. Este número superou o recorde de público de um filme nacional que era de “Dona Flor e seus dois maridos” (1976), assistido por 10,7 milhões de pessoas.

E o famoso filme do Capitão Nascimento também bateu outros campeões de público, mesmo aqueles estrangeiros. Em 2009, “Era do Gelo 3” foi visto por 9,3 milhões de brasileiros e “Avatar” por 9,2 milhões. Os números mostram que as produções do país ganham espaços também na disputa com as internacionais.

Existe uma justificativa para esse crescimento? Além dos investimentos nas produções audiovisuais da Globo Filmes  e de produtores independentes, existem outros fatores. De acordo com o sociólogo, mestrando em Comunicação pela USP e professor do departamento de Comunicação Social da Universidade de Taubaté, Rafael Grohmann, as temáticas da realidade brasileira estão chegando às telas de cinema, aproximando as pessoas cada vez mais. “’Central do Brasil’, ‘Cidade de Deus’, ‘Carandiru’ e ‘Tropa de Elite’, por exemplo, são filmes que olham o Brasil sob um enfoque sociológico mesmo, tentando explicar o porquê de suas desgraças”, destacou.

E é exatamente o retrato da sociedade brasileira no cinema que atrai a estudante de Comunicação da UFJF, Laura Kiffer. “Diferentemente das novelas, o cinema nacional é capaz de retratar a realidade do país”, realçou.

Temática social presente nas telas

Grohmann destaca que as temáticas sociais estão fortemente associadas aos filmes brasileiros e, com isso, acabam de, certa forma, restringindo outros fatos também retratados nas produções nacionais. “O público já tem uma mentalidade formada de que drama bom é americano, e de que o espaço para o cinema brasileiro é restrito. Essa classificação e certo preconceito estão inscritos nas locadoras, já que têm dividido os filmes em drama, comédia, romance, terror e nacional. É como se não tivesse romance nacional, drama nacional, terror nacional”, explicou.

Para o estudante de Relações Públicas da PUC/ Campinas, Joaquim Ferreira, os temas sociais acabam atraindo o público pela facilidade de serem assimilados e não pela reflexão. “É muito mais fácil despertar o interesse por filmes que retratam a realidade do que por filmes que apenas contam histórias que não enquadram as pessoas. Isso ocorre, principalmente, com pessoas menos esclarecidas ou menos intelectualizadas, que apenas sentem, mas não refletem”, opinou.

Por esse e outros motivos, o sociólogo destaca que o brasileiro anda cansado de filmes com temas sociais. “A saga ‘Tropa de Elite’ foi a única da temática, dos últimos anos, a fazer sucesso. Não sei o que pode acontecer, mas torço muito para que novas temáticas ganhem espaço no cinema brasileiro”, enfatizou.

Cinema nacional em números

Os índices de público revelam a grande evolução que teve o cinema nacional. Um exemplo é que em 1993, por exemplo, apenas 0,1% (45,5 mil pessoas) do total de espectadores de cinema viam obras nacionais. Já em 2003, somente 10 anos depois, 21% (22 milhões de pessoas) acompanhavam o cinema nacional.

Em 2010, 9 longas-metragens tiveram, conjuntamente, um público superior a 20 milhões de pessoas, revelando uma grande aceitação do povo brasileiro às produções locais. No mesmo ano, 135 milhões de brasileiros viram obras nacionais, alavancando os números de 2009 (112,7 milhões) e 2008 (89,1 milhões). Além disso, desde 2003, somente os 10 filmes mais vistos totalizam mais de 48 milhões de espectadores.

Veja a tabela de filmes mais vistos desde 2003

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