Os imigrantes e a indústria em JF

Com a inauguração da Estrada União e Indústria em 1861, e conclusão dos prazos de contratos com a Companhia União e Indústria, os germânicos reuniram suas economias e organizaram pequenas indústrias, pioneiras em muitos setores, fazendo com que Juiz de Fora recebesse o título de “Manchester Mineira”.

Em 1860, o imigrante Sebastian Kunz fundou, na Colônia de Cima (Bairro São Pedro), a primeira cervejaria da cidade e do Estado de Minas Gerais, a Cervejaria Barbante, que utilizava o primitivo processo de alta fermentação do milho e, mais tarde, do arroz. Por esse sistema, a fermentação continuava até mesmo após a cerveja engarrafada; formava-se no recipiente uma quantidade de ácido carbônico o suficiente para pressionar a rolha fazendo-a saltar. Para evitar que isso acontecesse, a rolha era amarrada ao gargalo da garrafa com um pedaço de barbante, que conferiu o nome ao estabelecimento.Instituto Teuto-Brasileiro William Dilly

Juiz de Fora chegou a ter, simultaneamente, nove fábricas de cerveja, que distribuíam o produto por todo o país: Cervejaria Barbante (Sebastião Klunz – 1860); Cervejaria Kremer (Augusto Kremer & Cia – 1867); Cervejaria José Weiss (José Weiss – 1878); Cervejaria Borboleta (Irmãos Scoralick – 1880); Cervejaria Poço Rico (Irmãos Freesz – 1881); Cervejaria Winter (Frederico Winter – 1886); Cervejaria Dois Leões (Carlos Stiebler – 1895); Cervejaria Estrela (Guilherme Griese) e Cervejaria Tapera (Pedro Schubert – 1899).

Conheça alguns empreendimentos fundados por imigrantes e seus descendentes em Juiz de Fora:

  • A primeira iluminação pública da cidade (Henrique Meurer e Carlos Otto Halfeld)
  • A primeira estação telefônica de Minas Gerais (George F. Grande)
  • A terceira fábrica de pregos do Brasil – a “São Nicolau” (Edmundo Schimidt)
  • A primeira fundição de ferro guza (Pedro Schubert)
  • A primeira indústria de tecidos de malha de Minas Gerais (Antônio Meurer)
  • O primeiro curtume industrial do Brasil – Curtume Krambeck (João Wriedt, Peter Giese e Detlef Krambeck)
  • O primeiro transporte público de Minas Gerais – Bondes (Félix Schmidt)
  • Construção e materiais de pintura (Irmãos Surerus)
  • Curtume Surerus – 1900 – (João, Henrique e Oscar Surerus)
  • Curtume Poço Rico – 1913 – (Waldemar Freesz)
  • Fabrica de Molas Schröder (João Schröder)
  • Fábrica de Carruagens e Carroças (Henrique Griese)
  • Fábrica de Caramelos e Balas (Frederico Plöterle)
  • Fábrica de Caramelos e Balas (Cristhiano Horn)
  • Fábrica de Caramelos e Balas – A Suíça (Augusto Degwert)
  • Fábrica de Caramelos e Balas – A Petropolitana (Otto Loefler)
  • Fundição George Grande (antiga Schiess)
  • Fundição Kascher – 1865 – (Martim Kascher)
  • Malharia Waltemberg – 1910 – (Waltemberg)
  • Malharia Stumpf – 1913 – (João Stumpf)
  • Malharia Stiebler – 1907 – (Carlos Stiebler)
  • Mecânica Central – 1911 – (Irmãos Otto)
  • Tipografia Brasil (Hermann Erhardt)
  • Tipografia Winter (Frederico Winter)
  • Tipografia Schimitz (Paulo Schimitz)

Albino Esteves Albino Esteves

Ao lado de toda esta atividade industrial, o comércio também progredia. Em 1870 a cidade possuía mais de 170 estabelecimentos comerciais e de serviços. Em 1861, quando foi inaugurada a Estrada União e Indústria, a arrecadação tributária de Juiz de Fora era a terceira de Minas Gerais. Nove anos depois, em 1870, já se colocava em primeiro lugar na contribuição para os cofres de Minas Gerais.

Os imigrantes germânicos contribuíram também na formação cultural da cidade através da fundação e direção de entidades de ensino, como a Academia de Comércio, o Colégio Santa Catarina, o Colégio Stella Matutina, entre outros. Nos Esportes, criaram os primeiros clubes de tiro, caça e pesca, além do clube de jogo de boliche (Kegel Club), de ginástica (Turnerchaft) e de tênis (Clube D. Pedro II).

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6 Respostas para “Os imigrantes e a indústria em JF

  1. Maria Cristina Schubert Guedes

    Prezada Equipe do Juiz de Fora Online.

    Foi com enorme alegria que vi citado em seu site, o nome de meu bisavô PEDRO SCHUBERT. Sou neta do filho mais velho dele CARLOS SCHUBERT. E filha do filho mais novo de Carlos: OSWALDO SCHUBERT, já falecido. Sinto-me anciosa em conhecer mais sobre a vida de meu bisavô. Sei que ele deixou Juiz de Fora, para fundar uma mecânica em Ribeirão Preto SP, onde está sepultado. Além disso, nada mais sei. Poderiam me ajudar?
    Já agradecida, despeço-me,
    Maria Cristina Schubert Guedes

  2. Jéssica Seghatti

    Gostei muito texto e foi de grande valia para um trabalho, mas eu gostaria de ler um pouco sobre o histórico da construção civil em Juiz de Fora e o tipo de arquitetura usado nessas construções. Faço curso técnico de edificações e tenho uma pesquisa sobre isso, o assunto está difícil de encontrar em livros e até mesmo na Internet.

    Desde já, agradeço.

  3. Antônio Sérgio GERVASON DE mACEDO

    Gostei do artigo apresentado e sugiro publicá-lo em jornal de grande circulação de nossa cidade, pois muitos não têm conhecimento da evolução de nossa cidade e nem tão pouco como tudo começou. PARABÉNS
    Meu avô ( Antônio Gervason ) veio da Itália para ser técnico de máquinas da antiga fábrica Meurer. Gostaria de saber se os senhores tem algo a esse respeito.

  4. Esse Artigo é uma puta
    Sem Graça Careta!!!!!!!!!!!!!!

    Caralho

  5. Pedro Peters

    Gostei muito de ler as materias sobre a história de JF.
    Sou tataraneto de Sabastião Kumz, e ha um ano reabri a antiga fábrica de cerveja e como na época estou produzindo a cerveja barbante. Gostaria muito de mantermos um contacto, tenho muitos documentos e fotos da época, acho que seria muito legal nos juntarmos para fazer esse resgate da rica historia de nossa cidade.
    Meu tel é 8418 0403. Abraço

  6. Uilmara

    Informação é sempre interessante; existem dados aqui que não encontrei em minha pesquisa “despretensiosa” sobre Juiz de Fora; continue com esse magnífico trabalho de memorabilia! Um abraço.

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