A fuga pela renúncia ou a renúncia pela fuga

Eduardo Rezende
25 de junho

A renúncia do ex-prefeito de Juiz de Fora, Carlos Alberto Bejani, trouxe à tona um debate antigo envolvendo a questão da cassação de mandatos políticos. Esse é um caso que até hoje o Congresso não tratou de resolver. Dessa forma, a renúncia tem sido usada como meio para que candidatos corruptos ou alvos de denúncias consigam brechas e possam, inclusive, concorrer em novas eleições. Em Juiz de Fora, se o ex-prefeito fosse cassado, o que não poderá mais acontecer, perderia seus direitos políticos. Bejani foi preso no dia 12 de junho pela Polícia Federal, durante a operação De volta para Passargada.

Após a renúncia, o então vice-prefeito José Eduardo Araújo, assumiu a prefeitura. O argumento de Bejani para a renúncia foi o de que precisava de mais tempo de cuidar de sua defesa. A população, no entanto, se revoltou contra a atitude. Diante dos acontecimentos, os eleitores esperavam que os direitos de Bejani fossem cassados. Essa é a opinião de Rejane Mendes, de 24 anos: “Isso é um absurdo. A lei precisa ser aperfeiçoada para acabar com essa farra. Eu não esperava que ele fosse permanecer com os direitos políticos assegurados. Do jeito que são as coisas, pode ser que ele se candidate e ainda consiga se reeleger”, protesta.

Aliás, a reeleição de políticos que renunciaram por causa de denúncias não é um caso novo. Os vereadores José Inácio Arruda e Antônio Carlos Magalhães foram flagrados manipulando votos secretos no congresso. Ambos conseguiram se reeleger após este escândalo. Arruda, atualmente, é governador de Brasília. Além deles existem outros exemplos, como o do ex-presidente Fernando Collor de Melo, que acabou se tornando governador de Alagoas.

Para o publicitário Paulo Fernando do Castro, 31 anos, é uma vergonha essa situação: “as pessoas acabam esquecendo dos crimes cometidos por ele. Cabe à justiça impedir que eles voltem com novos projetos e novas facetas”. Mas as opiniões são as mais diversas e imprevisíveis. Para a auxiliar de enfermagem Conceição Lucas Xavier, 46, Bejani não é criminoso e, isso será provado ao final das investigações. “Acho que a renuncia dele foi feita na hora certa. Ele precisa provar que é inocente e não pode ser condenado antes que isso seja mostrado”, declara.

Segundo o cientista político Raul Magalhães é normal que as pessoas se sintam traídas e injustiçadas após um escândalo político como o ocorrido em Juiz de Fora. No entanto, ele explica que é preciso considerar que Bejani foi preso e está sendo investigado. “Ainda que ele tenha renunciado, pode ser que ele seja julgado e condenado. Dessa forma, ele não terá como se candidatar mais”. Para o cientista, as acusações sobre Bejani podem ser decisivas para o quadro político das próximas eleições para prefeito na cidade. “Antes da prisão, os candidatos voltavam as suas atenções para o ex-prefeito. Agora, no entanto, os rumos da política tendem a mudar. O alvo não será mais o Bejani e isso pode ampliar e melhorar o debate político que irá anteceder as eleições “, completa. Como vivemos em uma democracia, cabe ao eleitor assegurar seus direitos de voto de maneira consciente. Mesmo que a legislação permita que políticos de carreira duvidosa tenham acesso às eleições.

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