Desenvolvimento Sustentável em JF é possível

Ecaroline Pessoa

26/06/2008

O tema Desenvolvimento Sustentável (clique para ver o vídeo) está na moda. Mesmo em evidência seu significado é conhecido e aplicado? Em 1996, o levantamento do IBGE mostrava que a população de Juiz de Fora era estimada em 425 mil habitantes. Doze anos depois esse número subiu para 513 mil, quase 90 mil habitantes a mais. Como conciliar crescimento, manutenção dos recursos naturais e qualidade de vida?

A professora, Esmênia Furtado Ferreira (foto abaixo) busca o filho no Colégio Santa Catarina todos os dias. Para conseguir estacionar, no Morro da Glória, ela precisa chegar, pelo menos, uma hora antes de acabar à aula. Quando não tem tempo, pára próximo à Avenida Rio Branco, atravessa a linha do trem, e sobe uma rua. Só assim consegue buscar o filho com o conforto de um automóvel.

Ao questionar o problema, Esmênia e uma amiga do mesmo bairro (Bandeirantes) começaram a fazer rodízio. Cada dia, uma das mães busca as crianças no colégio. Dessa forma, evita-se que dois carros saiam para realizar a mesma tarefa, sendo que apenas um conseguiria realizá-la de maneira eficiente. “Como eu e minha amiga, alguns moradores do meu prédio fecharam um carro com as crianças que vão para a mesma escola”, completa a professora. Ações como as de Esmênia e seus vizinhos são essenciais para que a cidade agüente as mudanças de um mundo que polui cada vez mais.

O site da ONG WWF – Brasil define como desenvolvimento sustentável: a capacidade da geração atual suprir suas necessidade, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das gerações futuras. “Importante é desenvolver promovendo o menor impacto possível no ambiente e ao redor” explica Alberto Castañon, professor do departamento de transporte da UFJF.

Mobilidade sustentável: Trânsito com menos carros e mais bicicletas

De acordo com dados do IBGE (2007) Juiz de Fora conta com uma frota de 101.573 automóveis, 15.838 motocicletas, 1.119 ônibus, além de outros veículos (caminhões, caminhonetes). Com esse alto número de carros, o trânsito da cidade já mostra sinais claros, que está com dificuldade de dar vazão a todos eles. Assim a concepção de “mobilidade sustentável” encaixa de forma ideal na condição atual das vias da cidade. O professor do departamento de transportes da UFJF, José Alberto Castañon (foto ao lado), ressaltou que uma das alternativas para enfrentar o alto número de carros no centro da cidade é priorizar os transportes coletivos, as bicicletas e mesmo andar a pé. Tais iniciativas evitam a formação de grandes congestionamentos, além de contribuírem para uma melhor qualidade de vida da população. Mas como isso pode ser utilizado na prática?

Transporte Coletivo

Qualidades como conforto, agilidade e mobilidade fazem do carro o rei das ruas. No entanto, essa mordomia vai se tornar cansativa, devido aos engarrafamentos. Uma das alternativas é o investimento em transporte coletivo eficiente, como confirma José Alberto Castañon “com transporte coletivo de qualidade é possível convencer as pessoas a deixarem seus carros em casa e saírem de ônibus”. Assim os itinerários devem ser freqüentes, para que a pessoa não espere mais de uma hora no ponto de ônibus. “Com esse objetivo, o transporte ‘troncalizado’, é uma opção. Você capta pessoas no bairro, e as leva para um terminal. Dele elas são levadas para o centro. Na volta, a mesma coisa” informa José Castañon. No entanto, o professor complementa “o número de ônibus deve ser mantido, para que a população tenha transporte disponível de 10 em 10 minutos. Além disso, o sistema ‘troncalizado’ deve ter no mínimo 2 terminais”. Isso demonstra, porque o sistema implantado em JF, que possuía apenas 1 terminal, não obteve sucesso.

-Bicicletas

O uso de bicicletas foi mais uma sugestão apresentada pelo professor Castañon. O sobe e desce do relevo de Juiz de Fora não parece favorável ao uso da bicicleta, a não ser para quem já more próximo ao centro. Mas há inovações que prometem dar uma forcinha para as pernas. Já existe a bicicleta elétrica no Brasil. Ela ainda custa em torno de R$1.790, mas o preço deve diminuir. Com ela é possível fazer percursos mais longos, de forma menos cansativa e rápida.

Estacionamentos em prédios

De acordo com o Secretário de Planejamento e Gestão Estratégica de Juiz de Fora, Marcos Guerra, uma outra opção seria a criação de estacionamentos em prédios nas imediações do centro. “Parado em um ponto próximo á cidade, o condutor deixará o carro no estacionamento, e irá a pé para o Centro”, completa Marcos.

JF Verde: Garantir arborização

Juiz de Fora sofre com a falta de áreas verdes. A coordenadora e professora do curso de Geografia da UFJF, Cássia Castro Martins, afirma que é necessária a criação de praças e plantio de árvores na cidade. “É preciso que sejam criadas áreas para o lazer, para o descanso, como as praças… Mas, para serem consideradas áreas verdes, essas não podem ser pavimentadas”. Assim o Parque Halfeld, a Praça do São Mateus, a Praça da Estação e a Praça do Riachuelo são áreas que contribuem para o embelezamento da cidade, mas não atuam efetivamente como área verde.

Fator que complica ainda mais a permanência de áreas verdes é o crescimento desordenado da cidade. “As pessoas constroem casas e vão fazendo o ‘puxadinho’. Assim há várias moradas em um mesmo terreno. Muitas servem até mesmo de aluguel. No final, essas pessoas não se preocupam com a manutenção do quintal” diz Cássia Martins. Tal situação é recorrente em áreas periféricas. De acordo com o secretário de Planejamento de JF, Marcos Guerra, o Plano Diretor do Município está sendo realizado no intuito de mapear essas regiões, e assim possibilitar ações efetivas contra esse tipo de loteamento.

– Pesquisa

A professora Cássia Martins e a graduanda do curso de Geografia Renata Silva desenvolveram, em 2006, um projeto que procura identificar as áreas arborizadas da cidade. Nele apenas o bairro Mariano Procópio atinge os índices de arborização exigidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que é de 12 m² por habitante (clique para ver a pesquisa).

Canteiros

Os canteiros são bonitos e enfeitam a cidade. “Mas, ao invés de plantar árvores, a prioridade deve ser dada às árvores” confirma Cássia Martins.

Rio Paraibuna e córregos não devem ser sobrecarregados

O Rio Paraibuna recebe todo o esgoto de Juiz de Fora. Mesmo os resíduos depositados em córregos da cidade são destinados à ele. Assim para que o impacto sobre o rio seja menor, a atuação da população é uma das principais medidas a serem realizadas “a água que chega em casa, não é a mesma que sai. O que segue para o esgoto é o efluente doméstico (fezes, sabão-em-pó, resto de comida..). Assim usar a água de forma prática é muito importante” alerta Pedro de Oliveira Machado, professor do departamento de geociência da UFJF.

Pedro lembra ainda que “os rios assimilam certa quantidade de matéria orgânica depositada em seu leito, no entanto ele gasta oxigênio para isso. No caso do Paraibuna, a quantidade de matéria orgânica está muito superior à capacidade que o rio tem para degradá-la. Assim os seres vivos que o habitam acabam morrendo.”

Despoluição é diferente de Revitalização

De acordo, com Pedro Machado o processo de revitalização do Rio não promove alterações na qualidade da água, mas apenas uma alteração física e visual. A realização de jardins nas margens, a criação de quiosque ou ciclovias nas bordas dos rios são mudanças estéticas.
Para que o rio possa ter grande biodiversidade é necessário realizar o processo de despoluição. O projeto que está sendo implantado pela prefeitura visa que todo efluente doméstico deve ser captado por canais, que serão levados a uma estação de tratamento. Após tratamento, a água será devolvida ao Paraibuna. O projeto prevê a construção de 3 estações de tratamento, no entanto só a de Barreira do Triunfo está funcionando. Como informa Pedro “dos 1.200 litros de esgoto gerado por segundo em JF, apenas 10 litros são tratados”.

Água é dinheiro

Como conciliar a produção da indústria sem poluir o Rio? A tal da sustentabilidade não é somente uma questão ambiental, e sim econômica. Grandes empresas precisam do “selo verde” para conseguir que seus produtos sejam aceitos no mercado externo. Além disso, há leis ambientais que devem ser cumpridas para que a empresa possa desenvolver sua atividade.

Alguns grupos já começaram a se preocupar com a reciclagem da água, como por exemplo, a Votorantim Metais em JF. Com a implantação do projeto Polimetálicos, a indústria vai reaproveitar o vapor emitido em um processo para realizar outro. “Isso é um investimento para o futuro. Alguém cobra taxa de água na sua casa? Não. A Cesama cobra o tratamento, mas não a água, pois ela simplesmente é obtida na natureza. Agora, e quando faltar água? Quem souber reaproveitá-la estará melhor…” completa Pedro Machado.

Condomínios Fechados

A necessidade de garantir melhor qualidade de vida trouxe para as cidades uma nova opção: os condomínios fechados. Em Juiz de Fora, já são quase 30, como informa Pedro Machado. Esses espaços são arborizados, possuem padrões estéticos e priorizam o bem-estar de quem vive neles.
Os atuais condomínios procuram se instalar em regiões mais afastadas do centro, dessa forma o carro é o meio de transporte mais comum. Tal fator acaba por gerar inconvenientes para o bem-estar da maioria “quem mora no condomínio vive bem. Mas esse tipo de atitude acaba por fomentar a poluição, pois os moradores precisam usar automóvel para tudo. Caso a prefeitura disponibilize ônibus nessas áreas o preço da passagem aumenta, pois a distância é maior. No final, a conta é paga pela população de renda mais baixa”, completa o professor Alberto Castañon.

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Uma resposta para “Desenvolvimento Sustentável em JF é possível

  1. Iluska Coutinho

    Acho que no lead poderia ficar explícita a questão do trânsito como mote central da matéria. Isso porque ajudaria a ficar mais explícita a proposta de falar de desenvolvimento sustentável a partir de uma situação problema, e das alternativas de resolve-la. Bom uso da ferramenta Jumpcut. Entretanto senti falta de mais links, internos e externos. Sem eles a narrativa se aproximou muito de um texto de mídia impressa.

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