Diferenças são respeitadas em Juiz de Fora

Tomyo Costa Ito – 10/11/2008

A lei municipal n° 9791 ou a Lei Rosa, como é mais conhecida, já completou mais de oito anos. A lei garante o respeito aos homossexuais em estabelecimentos públicos e privados (leia na íntegra o que diz a lei). Durante esse período, apenas duas pessoas utilizaram-se dela, em Juiz de Fora. À primeira vista, esse dado poderia ser visto como uma inutilidade da lei ou que ela não estivesse funcionando. Mas, na verdade, essa baixa utilização é comemorada pela ONG Movimento Gay de Minas, que acredita que a Lei Rosa é um sucesso.

Oswaldo Braga, Presidente do Movimento Gay de Minas
Oswaldo Braga, presidente do Movimento Gay de Minas

“A lei Rosa foi criada para que não houvesse homofobia, ela não foi criada para gerar multa. Nesses oito anos, foram apenas dois casos, isso quer dizer que a Lei Rosa está funcionando,” comemora Oswaldo Braga, presidente do MGM. Em uma pesquisa realizada pela Câmara de Juiz de Fora, foi constatado que a Lei Rosa é a lei municipal mais conhecida na cidade. “Quando acontece um caso de discriminação, as pessoas sabem bem o que fazer, elas recebem muita informação. Todos conhecem a lei,” afirma Oswaldo Braga.

A Lei Rosa foi além da questão homossexual. Ela fez com que a cidade ganhasse projeção nacional e ficasse conhecida como um local onde as diferenças são respeitadas. Isso beneficiou bastante o turismo, atraindo não apenas o público gay. “Quando se fala em Juiz de Fora, as pessoas pensam: lá, eles respeitam os direitos humanos. Eles respeitam os negros, as mulheres, o portador de deficiência. Isso deu uma imagem muito positiva da cidade,” explica Oswaldo Braga.

Apesar do saldo positivo, Oswaldo Braga alerta que a homofobia não acabou na cidade. E é em casa, dentro da própria família, que ela aparece com mais freqüência. “A gente ainda é muito agredido. E isso acontece na família. Quando o gay é ofendido na rua, ele chega em casa e não é defendido. Pelo contrário, é capaz de levar uma surra”, diz Oswaldo Braga.

Saiba como proceder para denunciar um caso de discriminação por orientação sexual.

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Uma resposta para “Diferenças são respeitadas em Juiz de Fora

  1. Savio Melgaço

    Tomyo, gostei de sua matéria. Só acho que você poderia ter ouvido algum homossexual, que contasse um pouco de sua experiência em casa, se enfrenta problemas com os pais, quais os problemas enfrentados no dia a dia, se sofre preconceito em lugares públicos, se já sofreu em lugar privado, enfim…
    Abraços.

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