Falta de crédito promove alta das taxas para empréstimo imobiliário

Savio Melgaço – 27/10/2008

internet

Fonte: internet

A crise financeira mundial afeta o mercado imobiliário brasileiro. Três bancos privados já anunciaram reajuste das taxas para compra da casa própria. No Bradesco, os juros para financiamento de até R$120 mil subiram de 9% para 10,5%; no Unibanco, de 11% para 12%; e no Itaú, o teto para contratação de crédito imobiliário foi reajustado de 9% para 12%.

Tendo como base a maior variação, um empréstimo no valor de R$80 mil, parcelado em 260 prestações, chega a ser R$54 mil mais caro em relação ao preço com a taxa anterior.

Segundo o economista Saulo Franco, a falta de crédito no mercado financeiro justifica o comportamento das instituições bancárias. “A demanda por financiamento imobiliário aumentou, porém o crescimento da oferta de crédito, baseada em reservas financeiras e em caderneta de poupança, não ocorreu na mesma magnitude.”

Devido ao cenário de desconfiança e às expectativas frustradas de rendimento, muitos investidores deixaram de aplicar nas bolsas. Com isso, a oferta de recursos financeiros tornou-se escassa. “A taxa de juros é o preço da moeda. Quando falta crédito, por conta do resgate de títulos e de capital dos fundos de investimento, o ‘custo’ do dinheiro se torna elevado, ou seja, a taxa de juros aumenta.”

Com a finalidade de conter a crise, o Governo Federal liberou a venda de ativos. De todo o capital depositado em banco, 45% é retido pelo Banco Central; o restante, as instituições financeiras são autorizadas a emprestar. Ao diminuir o compulsório, o governo coloca mais crédito no mercado. A idéia é irrigar o comércio e promover a circulação de dinheiro.

Apesar da atual conjuntura econômica, por meio de sua assessoria, a Caixa Econômica Federal informou que não pretende aumentar os juros por reflexo da crise. O banco justifica que sua carteira de crédito, entre janeiro e setembro deste ano, aumentou 44% em relação ao mesmo período do ano passado.

Crise já afeta venda de imóveis

Segundo a proprietária de imobiliária, Luiza Helaine Teixeira, não é possível sentir o impacto da crise econômica em Juiz de Fora. “O valor dos aluguéis, na cidade, aumentou devido à alta da inflação e à falta de imóveis.” Ela explica que o aluguel de um apartamento de dois quartos custava, há cerca de um ano, em média, R$300 por mês. Hoje, pode chegar a R$500, dependendo da localização.

Por sua vez, a gerente de uma imobiliária especializada em venda de imóvel, Cássia Pifano, ressalta que, com o advento da crise, o número de compradores reduziu. “Se antes a imobiliária contava com dez telefonemas diários, hoje, só conta com sete, pois certamente haverão três pessoas receosas com os rumos da economia.”

As atuais circunstâncias afetam também o número de vendedores de imóveis. Cássia explica que, como a tendência imobiliária é de valorização, os proprietários julgam mais seguro manter o imóvel até a estabilização do cenário econômico. “O vendedor tem receio de onde aplicar o seu dinheiro, tendo em vista que fundos de investimento já não são uma opção segura e que poupança possui um rendimento baixo.”

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s