Campanhas mostram que brasileiro tem memória

Os meses que antecedem as eleições são sempre épocas de propaganda e promessa. Políticos já conhecidos por terem problemas com a justiça voltam a aparecer pedindo votos. Durante muito tempo, pensou-se que o brasileiro não tem memória e, por isso, elege pessoas que já se envolveram em verdadeiros escândalos por conta da corrupção.
 
Contudo, nos últimos anos, a sociedade tem se mobilizado contra os ‘sem memória’. Campanhas apoiadas por várias instituições mostram a revolta do povo e ganham a simpatia de especialistas. É o caso da campanha “Ficha Limpa”, organizada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, MCCE.  Ela pretende coletar 1,3 milhões de assinaturas em todo o Brasil para a aprovação de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular que visa impedir a candidatura de políticos condenados por crimes graves. Em Juiz de Fora, o Comitê de Cidadania/Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese está coletando as assinaturas.

Déa Emília de Andrade, presidente do Comitê, faz parte do movimento desde 2000, primeiro ano de aplicação da Lei 9840 de iniciativa popular, que foi aprovada em 99. Ela explica que o Comitê foi criado para divulgar a lei e receber denúncias. “É a quinta eleição que nós trabalhamos. Este ano contamos com a parceria da ouvidoria da OAB, que também recebe denúncias de propaganda irregular”, explica. “A gente também vai a escolas e comunidades, pois acreditamos que um bom trabalho pode ser feito através da discussão e da informação para quem fica mais distante do centro, onde a maioria dos movimentos atua. Assim, estimulamos a participação e promovemos mudanças de atitude no exercício da cidadania e da democracia”, acrescenta.

Depois da eleição de 2000, o Comitê de Cidadania passou a acompanhar os trabalhos da Câmara Municipal de Juiz de Fora. “Nós acompanhamos as sessões da câmara e divulgamos o que é feito pelos vereadores através de informativos. A maioria das leis aprovadas é uma lástima, pois dois terços delas são de nomes de rua e títulos de cidadania”, lamenta Déa. “Estamos terminando mais um informativo, que será publicado em setembro com patrocínio de entidades porque não temos dinheiro, doamos nosso trabalho. Fazemos o possível para divulgar estas idéias. O Comitê já chegou a promover um seminário pela ética na política em 2003, para discutir a Lei 9840, que foi muito proveitoso”, completa. 
 
Segundo a coordenadora do Comitê, Elisabeth César Costa, o movimento tem ido a várias comunidades na tentativa de passar valores éticos. “A democracia ainda está engatinhando. Vemos candidatos querendo ganhar a qualquer custo e as pessoas necessitadas, acabam aceitando benefícios como cesta básica ou um saco de cimento. Por isso ressaltamos o slogan da campanha, ‘Voto não tem preço, tem conseqüência'”.

De acordo com Déa, o Comitê trabalha pela revalorização do legislativo, para que este seja um poder independente. “Culturalmente, se valoriza muito o executivo, mas quem tem a chave do cofre é a câmara, que analisa o orçamento e libera a verba e que autoriza quando tem pedidos suplementares”. Desde  2002, várias escolas têm levado alunos à câmara e a proposta é intensificar estas visitas a partir de 2009. “Não é só levar por levar, temos propostas com sugestões de trabalho, que preparam o aluno, a partir da sétima série, para visitar uma sessão ordinária e desenvolver relatórios e análises”.

Assista ao vídeo da campanha “Ficha Limpa”:

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