Inflação: a doença que volta a atingir os brasileiros

Mariana Ribeiro
25/06/2008

Não há quem consiga escapar da alta dos preços dos alimentos, que começa a sinalizar aumentos em outros setores. A crise mundial de alimentos pegou o consumidor de surpresa, seja o de classe média ou de renda mais baixa. Por estar o aumento concentrado em produtos de consumo básico, o peso da diferença nos preços acaba sendo maior para pessoas de menor poder aquisitivo.

O professor da Faculdade de Economia da UFJF Marcus David explica que a alta nos alimentos gera mais pressão na classe baixa, que apresenta um poder de consumo mais restrito. As classes média e média alta também sentem o aumento, mas têm em sua lista de compras alguns produtos e serviços que não sofreram ajuste. “A idéia de que alguém ganha com a inflação é equivocada. Ela é uma doença econômica que gera instabilidade e acarreta diversos outros problemas”. Entre eles, a queda do consumo, que pode levar ao aumento do desemprego.

Clique aqui para ver vídeo com comentário do deputado federal Rodrigo Maia.

Para combater essa doença, uma das medidas é a elevação da taxa de juros, que diminui o crédito e, consequentemente, a demanda, que desencadeou todo o problema. O professor diz que a crise, que despontou com força no começo do ano, surge em um momento em que os grandes países em desenvolvimento, como a China, despontam como fortes consumidores enquanto a oferta se mantém relativamente estável e não acompanha o aumento da demanda.

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Mas como lidar com esse novo cenário? As dicas dadas pelo economista são as que a dona de casa Rose Falci e a empregada doméstica Gislene Brigido têm seguido. Rose (foto à direita) conta que sempre fez grandes compras de mês e estocava os produtos. Agora vai ao supermercado toda semana para apenas repor o que falta na despensa e fica atenta às promoções. “Compensa comprar em maior quantidade se os produtos estão em promoção. E, mesmo assim, levo só se for necessário”.

Gislene (foto à esquerda) também passou a observar mais os preços especiais e comprar quando estão mais baixos. Mas, além disso, teve que cortar alguns supérfluos que sempre entravam no seu carrinho. “Enlatados, principalmente, só compro quando vou fazer alguma coisa diferente. E as frutas, compro as da estação, que saem mais em conta”. As marcas também foram trocadas por outras mais baratas.

“O consumidor deve ter coragem de experimentar marcas novas”, propõe Nelson Junior, gerente de marketing de uma rede de supermercados. Ele diz que mesmo o supermercado passou a comprar de novos fornecedores para oferecer opções alternativas, mas de qualidade. Marcas líderes, que sempre foram as mais vendidas, começam a perder seu lugar no topo. A dica de Nelson é comprar o produto em menor quantidade para testar a segunda opção.

Em meio à crise que ultrapassa as fronteiras do país e está interligada com relações internacionais, o economista indica prognósticos divergentes. Alguns acreditam que essa fase é apenas o começo de uma crise maior, enquanto outros apontam um caminho de equilíbrio na economia mundial.

Clique aqui para ouvir o comentário do professor Marcus David.

Independente dos desdobramentos deste momento econômico, o professor Marcus acredita que é praticamente impossível que se vivencie no país uma realidade inflacionária como a iniciada em fins da década de 1970, que se estendeu por cerca de 20 anos. Há um controle mais forte e instrumentos mais eficientes de controle por parte do governo. No entanto, o consumidor deve continuar atento e evitar desperdícios.

Clique aqui para ver uma charge sobre inflação.

Uma resposta para “Inflação: a doença que volta a atingir os brasileiros

  1. Iluska Coutinho

    Matéria sintética mas cumpre seu papel. E quanto àqueles que tem sentido que o dinheiro não está dando? Suas personagens conseguem resolver o problema, mas será simples assim? O vídeo do deputado está solto, sem coesão com a matéria.

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