“Obrigado brasileiros” – Entrevista com o senhor Kikuchi

Kikushi sanEntrevistar o senhor Kikuchi foi um baluarte de histórias e ao mesmo tempo uma lição de vida. A visão de um japonês de 74 anos sobre o Brasil ajuda a entender um pouco a vitória do povo japonês na política de bem estar social e os problemas brasileiros de desigualdade e pobreza, frutos do modo brasileiro de encarar a sua própria sociedade.

Como descrito anteriormente na matéria, o senhor Kikuchi veio para o Brasil em 1960, aos 24 anos trabalhar no Banco América do Sul. Pouco depois começa a trabalhar para a Cooperativa Agrícola de Cotia e casa-se com uma brasileira. Na década de 70, o presidente da cooperativa foi chamado para ter um encontro com japoneses e kikuchi foi chamado, por falar o idioma a acompanhá-lo. Programaram uma viagem de negócios a Honolulu. Honolulu, nos Estados Unidos, foi uma ilha colonizada por japoneses. Lá chegando, apresentaram para os brasileiro um mamão pequeninho amarelo, o papaia. Encantados com o gosto da fruta, os brasileiros resolveram importar as sementes para plantar aqui no Brasil, onde devido às condições climáticas, o gosto da fruta seria melhor.

Quando mostraram a Kikuchi ele argumentou: Brasileiro gosta de vermelho. E foi aos supermercados fazer uma pesquisa baseado em outra fruta de muitas cores, a goiaba. Não havia dúvidas, a goiaba vermelha era preferência nacional. Então a comissão partiu novamente para Honolulu a procura de um papaia vermelho e exportaram mais de 100 kilos de sementes desse tipo de mamão. Kikuchi, a frente de sua equipe, viajou por todo o Norte e Nordeste distribuindo as sementes para os estados. A plantação de papaia deu muitos frutos e hoje o Brasil é o maior produtor e exportador de mamão do mundo. Além da papaia, muitos outros avanços da agricultura brasileira foram trazidos pelos japoneses, como as plantações no meio do serrado mineiro na região de Pira-pora.

“Porque tantas outras nações fazem anos de imigração para o Brasil, e estamos comemorando tanto a imigração japonesa? Porque japonês ajudar o povo.” É assim que Kikuchi vê a relação do seu povo com o Brasil. A mentalidade japonesa, explicada por Kikuchi, é a de que o japonês pensa no coletivo e trabalha sempre para que todos fiquem satisfeitos. Enquanto que, em sua visão pessimista, o brasileiro pensaria muito no lucro, deixando de lado o bem estar da maioria. Ele exemplifica com uma caneta: o brasileiro vende a caneta pelo maior lucro que pode obter pelo menor custo; o japonês pensa em vender o maior número de canetas, sem preder a qualidade, e agradar muitos consumidores ao invés de poucos. Para Kikuchi, isso explica como as marcas Honda, Mitsubishi, Sony, Panasonic, Toshiba e outras marcas japonesas conquistaram o mercado mundial. “Eles pensam no coletivo, no global. Em vender para o mundo”.

Ele conta também que o estereótipo de que o brasileiro é preguiçoso não é uma verdade. “É comum no meio empresarial ouvir essa reclamação. Mas, na realidade, é o ambiente de trabalho brasileiro que não cria vínculos com os funcionários”, explica. No Japão, ainda é comum que os funcioários se mantenham durante toda a vida numa única empresa. Os jornais mostram que isso vem mudando, mas ainda é parte do mind-set japonês.
O senhor Kikuchi nos explica que só assim, pensando no coletivo acima do individual, é que o Japão conseguiu sair de uma sociedade dizimada no pós-guerra para a potência econômica que é hoje. Para ele, o que estamos festejando nesses 100 anos de imigração é a amizade do povo japonês com o brasileiro, que trouxe desenvolvimento e alegrias para o nosso país, que os acolhe tão bem. “Obrigado Brasileiros! Por toda a comemoração dos 100 anos de imigração. É muito significante que Lula e todo o povo brasileiro esteja celebrando com a gente.”.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s