Política e Universidade: um caso antigo

 Tomyo Costa Ito, 03/11/2008

A ex-Reitora da UFJF Margarida Salomão por uma pequena diferença de votos, não foi eleita Prefeita de Juiz de Fora. O também ex-Reitor René Matos por pouco não chega ao segundo turno das eleições em 2000. A Universidade Federal de Juiz de Fora, segundo especialistas, tem uma ligação profunda com as forças políticas da cidade. A influência é mútua. Seja pelo seu potencial econômico, como um dos maiores orçamentos da cidade ou como formadora de opinião.

Paulo Roberto, cientista politico

Paulo Roberto, cientista político

Pelo tamanho da cidade, Juiz de Fora é um caso especial. Em grandes centros urbanos como Rio de Janeiro e São Paulo, as universidades instaladas nesses municípios não tem tanta força política. “Ao contrário, a UFJF para o tamanho de Juiz de Fora tem um peso político proporcionalmente maior, você tem 15 mil alunos, 1200 funcionários, 1300 professores num contexto de uma cidade que tem 600 mil habitantes”, conclui o cientista político Paulo Roberto.

“A relação entre a Prefeitura e a UFJF é antiga. Quem está nas universidades faz parte dos ciclos políticos, da elite econômica e intelectual do país, por isso ela passa confiança para as pessoas” afirma o cientista político, Raul Magalhães. Essa “confiança” possibilita que lideranças da UFJF ganhem expressão política junto à população da cidade, e que uma possível candidatura ganhe força. Por esse reconhecimento, profissionais formados na Universidade compõem muitos quadros técnicos, nas áreas de administração, economia e direito dentro da prefeitura, estreitando ainda mais essa relação.

Raul Magalhães, cientista politico

Raul Magalhães, cientista político

Pela UFJF ter essa grande expressão na cidade, é natural que as forças políticas da cidade queiram ter posições de liderança dentro da instituição. “Isso faz com que todas as forças políticas da cidade queiram interferir na política da universidade. Isso aconteceu, por exemplo, nas últimas eleições a Reitor, quando quase todas as forças políticas apoiaram Henrique Duque. Tanto Tarcísio Delgado, quanto Sebastião Helvécio, Alberto Bejani e Custódio Matos o apoiaram, direta ou indiretamente, porque temiam que a vitória do grupo apoiado pela Margarida a fortalecesse para a disputa municipal”, diz Paulo Roberto. Já para Raul Magalhães essa influência existe, mas é muito pequena. “Durante as eleições para Reitor existe algum tipo de manifestação de partidos políticos, mas não com uma forte influência”, afirma Raul Magalhães.

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