Quanto vale a criatividade?

Gracielle Nocelli – 04/11/2008

Com o salário mínimo a R$ 415,00 e o valor da cesta básica a cerca de R$280,00, a situação econômica do brasileiro não é das mais fáceis. Cada vez mais, pessoas buscam alternativas para aumentar a renda. O que vale é muita criatividade e inovação.

O artesanato sempre foi um dos passatempos preferidos da estudante Carla Rodrigues. Para ajudar a

Carla Rodrigues

Carla Rodrigues

família a custear o pagamento dos seus estudos, em um cursinho pré-vestibular, ela começou a vender as peças que fabricava. “Sempre fiz bonecas de crochê e todo mundo adorava, algumas pessoas até me perguntavam se eu fazia para vender, mas não era a minha intenção na época. Fazia por distração”, conta. Mas, quando Carla decidiu que queria investir nos estudos, não pensou duas vezes. “Foi uma boa opção, servia como terapia para ajudar a relaxar depois dos exercícios, ao mesmo tempo em que era uma nova fonte de renda”, explica.

Há onze anos, o ex-bancário Marcos Croce decidiu vender cachorro-quente em Juiz de Fora. “Fui o primeiro do ramo a ter licença para trabalhar”, orgulha-se. A idéia surgiu depois das privatizações dos bancos na época do governo FHC. Há algum tempo trabalhando com o comércio informal, Marcos

Marcos Croce

Marcos Croce

decidiu cursar faculdade de História. “A vida estava monótona só com as vendas e então voltei a estudar”, conta. Hoje, ele é Mestre pela Universidade Federal Fluminense, trabalha em dois colégios e almeja o doutorado, mas garante que não pretende largar o comércio de cachorro-quente tão cedo. “Tem muitas vantagens ficar aqui. É o meu próprio negócio, lido com muitas pessoas, faço uma grande rede de contatos”, diz. Ele assegura que o trabalho com as vendas auxilia na profissão de professor, “muitos adolescentes passam por aqui e a gente fica por dentro do mundo deles, isso ajuda na didática na hora de lidar em sala de aula”, avalia.

De forma criativa, o aposentado Alvair da Silveira criou um projeto que mistura responsabilidade social, economia sustentável e muito estudo. Há quase dois anos, ele desenvolveu vassouras fabricadas com garrafa pet. “Estudei muito para colocar em prática, pois tinha que dar tudo certo”,explica. Hoje, Alvair produz vassouras sob encomenda e dedica-se a passar o conhecimento a

Vassouras de garrafa pet

Vassouras de garrafa pet

outras pessoas. “Quero que as garrafas tenham um destino que não prejudique o meio ambiente e que outras pessoas possam colaborar com esse trabalho que gera um bom lucro”, conta. O aposentado oferece cursos e desenvolve o maquinário para os interessados. “Já recebi encomenda da máquina de pessoas de Rondônia, Mato Grosso e até do Peru”. Com aproximadamente 10 garrafas pet se produz uma vassoura. O custo é em torno de R$1,40 (um real e quarenta centavos) e a vassoura pode ser vendida à R$8,00 (oito reais). Os planos de Alvair vão muito mais longe: “gostaria de ter o apoio para implantar a produção em parceria com a prefeitura e mostrar para as pessoas a importância da consciência ambiental”.

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