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Nova lei só permite compra de antibióticos com receita

Ludimilla Fonseca

Entrou em vigor esta semana a resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que estabelece novas regras para a venda de antibióticos. A partir de agora, é necessário apresentar receita médica em duas vias e preencher ficha de informações com endereço e telefone, para a compra de medicamentos. A via que fica com o paciente é carimbada e a outra é retida pela farmácia para controle, ficando à disposição da fiscalização.

Alguns dos medicamentos que não podem mais ser vendidos sem receita

A farmacêutica Ellen Andrade comenta que, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), metade das prescrições de antibióticos no Brasil é feita de forma inadequada.  Ela explica que “conforme a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) número 44, de 26 de outubro de 2010, todo antibiótico só poderá ser vendido mediante a apresentação de uma receita especial, expedida pelo médico”.

O objetivo da determinação da Anvisa  é tentar conter o avanço de super bactérias e evitar o consumo inadequado deste tipo de medicamento. A farmacêutica lembra o recente surto de bactérias que aconteceu em Brasília: “não há como tratar uma pessoa infectada por uma bactéria super resistente, pois os antibióticos não surtirão efeito”.

Relembre este acontecimento aqui.

Atualmente os registros das farmácias são feitas de forma manual, mas a partir de abril de 2011, todas as compras e vendas de antibióticos deverão ser registradas no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC), que é o banco de dados da Anvisa em Brasília.

Receita médica arquivada em uma farmácia no centro de Juiz de Fora

Ellen Andrade acrescenta que a receita para antibióticos terá dez dias de validade e deverá ser prescrita em letra legível e sem rasuras. Deverá informar o nome do medicamento ou da substância prescrita sob a forma comum brasileira, dosagem ou concentração, quantidade, posologia, nome completo do paciente, nome do médico que prescreveu, o registro no Conselho Regional de Medicina (CRM), endereço completo, telefone, assinatura e carimbo. Na receita também deverá ser anotado a identificação de quem comprou (RG), endereço, telefone e data da emissão.

Confira parte da entrevista realizada com a farmacêutica aqui.

A medida do governo é polêmica: três, dos cinco atendentes de farmácia procurados pela reportagem se recusaram a gravar entrevista sobre assunto. Um deles demonstrou preocupação com quem não pode pagar por uma consulta: “o problema é que as pessoas mais pobres vão ter que ficar esperando por um atendimento no SUS (Sistema Único de Saúde) para poder comprar o remédio. Sem falar que elas nem conseguem ser atendidas a tempo”, lamenta. Outro atendente afirma que a restrição não é benéfica nem para consumidores, nem para vendedores: “para nós é muito ruim também, acabamos tendo prejuízo”.

A nova resolução também divide as opiniões dos consumidores. Para Lívia Cristina Machado, estudante universitária, a medida não é coerente com o sistema público de saúde brasileiro – para ela, as longas filas e a demora para conseguir marcar consultas é um agravante. “E isso acontece não só com os pacientes do SUS, como também com pessoas que têm planos de saúde particulares”. A estudante acrescenta que o ideal seria investir em informação e conscientização e “não simplesmente proibir a venda destes medicamentos”.

Já Letícia Maria Mota, também estudante, concorda com a atitude do governo. Para ela, os riscos da automedicação são muito grandes: “além da possibilidade de a doença ficar mais resistente, exigindo dosagens maiores para a cura, o paciente que se automedica corre o risco de passar mal por conta de, por exemplo, reações alérgicas”.

Veja a opinião completa das estudantes aqui e aqui.

Morrer da cura

Então, o que é mais prejudicial para a população sem acesso a serviços médicos: tomar antibióticos indicados por conhecidos ou ficar sem essa medicação?

O médico infectologista Igor da Cunha, em entrevista por email, declara que “do ponto de vista médico, a proibição da venda de antibióticos sem receita, nos termos da resolução da Anvisa, é decisão acertadíssima e que, por sua obviedade, já deveria ter sido adotada há mais tempo. A OMS recomenda esse cuidado e, entre os profissionais de medicina, há um consenso de que antibióticos precisam ser ministrados com critério, sob o risco de provocarem danos ainda maiores à saúde da população”.

Quando perguntado se esta medida poderia ser prejudicial à população – especialmente à de baixa renda, o médico trata a proibição com preocupação: “pois muitos brasileiros simplesmente não têm acesso a médicos, e agora ficarão sem acesso também aos medicamentos. O problema do acesso no país continua não resolvido”.

De acordo com a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), 1.606 municípios brasileiros (quase 30% do total) não contam com um único hospital público. Mil municípios só têm médico uma vez por mês e 455 outros não dispõem desse profissional nem esporadicamente.

Igor Cunha conclui afirmando que “o problema é complexo, pois se refere a múltiplas realidades. Uma delas é que uma parte dos próprios médicos não parece preparada para saber quando deve recorrer ao antibiótico. Alguns dados apontam que cerca de metade das prescrições seriam desnecessárias. O uso indiscriminado da antibioterapia acarreta gastos excessivos com medicamentos que nem sempre curam o paciente e ainda o predispõem para infecções mais fortes. Pode, além disso, levar ao desenvolvimento de bactérias resistentes como a KPC, que já matou dezenas de pessoas no país”.

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Novas regras para a venda de antibióticos geram polêmica

O comércio de antibióticos movimentou cerca de R$ 1,6 bilhão no Brasil em 2009.

Por Pedro Guedes

Em vigor desde o último domingo, dia 28, as novas regras para a venda de antibióticos definidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda dividem opiniões em Juiz de Fora. Alguns clientes e farmacêuticos fazem críticas à nova lei enquanto outros vêem a regra como uma chance de evitar a utilização indiscriminada desses produtos.

A norma em questão define que esses medicamentos só podem ser vendidos com a apresentação de duas vias da receita médica, sendo que uma delas ficará com o estabelecimento e outra com o consumidor. As receitas terão validade por dez dias a partir da prescrição do médico. A restrição vale para remédios que tenham como base uma das 93 substâncias antimicrobianas previstas na resolução da Anvisa, o que acaba afetando mais de 300 produtos comercializados na farmácia.

Dentre esses produtos, estão até mesmo medicamentos mais simples, como pomadas dermatológicas e colírios, o que tem gerado muita polêmica. “Não tem porquê eu ter que marcar uma consulta e ir ao médico somente para poder comprar uma simples pomada que eu sempre fiz uso. Acho que a nova lei está severa demais”, reclama a advogada Janice Delgado. Pacientes com doenças crônicas e que fazem uso contínuo de antibióticos também estão reclamando. É o caso do funcionário público, Armando Nogueira Lima, que toma o mesmo medicamento frequentemente. “Eu sempre comprei sem receita por que já sei qual é o meu problema e o tratamento que devo seguir. Agora vou ter que ficar indo ao médico só para pedir a receita, sendo que cada consulta custa R$70”, reclamou.

Farmácias também reclamam da nova lei

Queda do faturamento nas farmácias é inevitável, segundo farmacêuticos.

A nova determinação também está trazendo problemas para o comércio farmacêutico. Além da queda no faturamento, os estabelecimentos estão enfrentando os questionamentos dos clientes. “Vai demorar para os clientes se acostumarem. Muitos ainda não estão trazendo a receita comum ou até trazem a receita correta, mas sem o preenchimento de todos os dados pelo médico”, informa a vendedora, Maria Elisa Sampaio. De acordo com alguns farmacêuticos, a falta de informação tem sido o maior problema. “Muitos clientes tem nos ligado para saber se tem como comprar medicamentos sem receita. De 10 compradores que vieram aqui ontem, oito não tinham a receita. Estamos orientando a todos para que procurem um médico”, afirmou a farmacêutica Bianca de Oliveira.


Classe médica apóia as novas regras

Na teoria, todo antibiótico só pode ser vendido com a apresentação da receita médica, como vem especificado na embalagem do produto. No entanto, segundo a Anvisa, metade desses medicamentos estariam sendo comprados sem prescrição médica. De acordo com o instituto IMS Health, só no Brasil, o comércio de antibióticos movimentou, em 2009, cerca de R$ 1,6 bilhão. A cada 100 remédios vendidos, seis seriam antibióticos. Essa constatação acabou gerando uma discussão sobre os riscos da automedicação. “É da cultura do brasileiro se medicar por conta própria. O problema é que muitos pacientes estão fazendo uso de antibióticos como se fossem um analgésico. Eles começam a tomar o remédio quando estão doentes e interrompem o tratamento quando a dor passa. Esse erro pode ser muito prejudicial para a saúde, pois fortalece a bactéria em questão, tornando-a imune ao medicamento”, explica o otorrinolaringologista Leonardo Ramos.

Os Conselhos de Medicina, inclusive, apóiam a resolução da Anvisa e querem ampliar a divulgação das novas regras de prescrição e vendas dos antibióticos entre os médicos brasileiros. Em comunicado, o Conselho Federal de Medicina (CFM) informou que já encaminhou a todos os médicos inscritos nos CRMs um comunicado pela internet com explicações sobre as normas estabelecidas.

As novas regras

– Os antibióticos só poderão ser vendidos em farmácias e drogarias do país, mediante apresentação da receita de controle especial em duas vias pelo consumidor.

– A primeira via ficará retida na farmácia e a segunda deverá ser devolvida ao paciente carimbada para comprovar o atendimento.

– As receitas também terão um novo prazo de validade, de 10 dias, devido às especificidades dos mecanismos de ação dos antimicrobianos.

– O médico deve estar atento à necessidade de entregar de forma legível e sem rasuras duas vias do receituário aos pacientes e contendo as seguintes informações:

I – nome do medicamento ou da substância prescrita sob a forma de Denominação Comum Brasileira (DCB), dosagem ou concentração, forma farmacêutica, quantidade (em algarismos arábicos e por extenso) e posologia;

II – identificação do emitente: nome do profissional com sua inscrição no Conselho Regional ou nome da instituição, endereço completo, telefone, assinatura e marcação gráfica (carimbo);

III – identificação do usuário: nome completo;

IV – identificação do comprador: nome completo, número do documento oficial de identificação, endereço completo e telefone (se houver);

V – data da emissão; e

VI – identificação do registro de dispensação: anotação da data, quantidade aviada e número do lote, no verso.

– Quem não obedecer a nova legislação pode pagar multa de até R$ 1,5 milhão.

– O telefone da Anvisa para fazer denúncias de estabelecimentos que não estejam cumprindo a lei é o 0800 642 97 82.

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O novo lugar do músico

Por Lucilia Bortone e Thiago Menini

Hoje com o fácil acesso às tecnologias de produção musical – não só através de programas de instrumentos virtuais, mas também com a parte física de um homestudio –, o lugar do músico alterou um pouco. Antes os artistas ficavam presos às grandes gravadoras e distribuidoras para a promoção de seu trabalho, hoje isso é feito em casa e através da internet.

Para o professor de teoria musical, Daniel Quaranta, as tecnologias digitais são o futuro da música, “mas não vão deixar de existir as orquestras e os solistas. Agora é cada uma na sua, não se deve ter medo da tecnologia”. (Ouça)

A música e o cinema

É quase impossível imaginar alguma produção cinematográfica sem uma trilha sonora. A trilha que acompanha o filme, também o constrói. A música é uma ferramenta narrativa de grande importância nas produções, ajuda a potencializar atmosferas que a imagem sozinha não sustentaria. São vários os filmes que ficaram marcados na história do cinema através de suas trilhas sonoras – Tubarão e Psicose, por exemplo.

Com a evolução da tecnologia, as orquestras, que antes acompanhavam a exibição das películas e executavam seus acordes, migraram para os estúdios de gravação. Os homestudios e a internet facilitaram a produção audiovisual e a gravação das trilhas sonoras. O que antes era feito por uma orquestra em um grande estúdio é possível ser realizado por apenas uma pessoa e um computador.

Para o professor de Introdução ao Cinema, Nilson Alvarenga, essa nova maneira de se produzir uma trilha sonora não afeta a linguagem cinematográfica. “Em termos de linguagem, as funções são parecidas ainda. Mesmo que eu prescinda de uma orquestra inteira gravando uma trilha sonora, eu vou ter uma pessoa fazendo isso. No fundo ela está preocupada com a mesma questão: dar um tom emotivo ao filme nos momentos certos, nos lugares certos”, analisa. (Ouça)

Em termos produtivos, Nilson acredita que o ponto negativo seja mais uma questão econômica do que de estética ou de linguagem. Para os novos cineastas, por exemplo, é algo positivo.  O cineasta iniciante vai à casa de um amigo que grava para ele. Aquele diretor não precisa de muito dinheiro nem precisa mobilizar um grande número de músicos para gravar a trilha de seu filme. “Nesse sentido é uma vantagem para o pequeno cineasta, o cineasta iniciante com pouco orçamento”, completa Nilson.

Confira alguns filmes que foram gravados com VSTis ou possuem tratamentos de estúdio VSTs

Angels e Demons main theme

The Dark Night main theme

Parte 1 – Os sons virtuais

Parte 2 – Qual você prefere, original ou VSTi?

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O que é Virtual Studio Technology?

Por Lucilia Bortone e Thiago Menini

O nome VST foi criado pela empresa Steinberg, e são os programas de efeitos que podem ser controlados em tempo real como reverbs, delays entre outros, não sendo necessariamente um instrumento de síntese sonora.

Já os VSTis são os programas que simulam instrumentos, seja a partir de uma programação computacional sintetizada, ou pela amostra de sons de instrumentos reais gravados (os samples) e posteriormente organizados em forma de um programa de computador. Confira como foi feito um VSTi de bateria a partir de amostras sonoras de instrumentos reais.

Informações mais detalhadas você encontra no trabalho monográfico do aluno Rogério Rosendo Lopes da Faculdade Anhangera em Belo Horizonte e no artigo de Sergio Izecksohn.

Qual você prefere, original ou VSTi?

Em 1934 o inventor e engenheiro Laurens Hammond criou o órgão eletro-mecânico Hammond. Este órgão começou sendo vendido para as igrejas como uma alternativa aos órgãos de tubo e posteriormente passou a ser usado por músicos de jazz, blues e nos anos 70 pelos roqueiros. A empresa alemã Native Instruments criou um VSTi para simular o órgão original. Este software chama-se B4 II.

Compare o som de um órgão original e do sintetizado por programação de computador.

Outro deles é o sintetizador Minimoog, criado por Robert Moog, um engenheiro que trabalha na área de síntese na década de 70. O seu similar criado por computação é fabricado pela empresa francesa Arturia e possui o nome de Minimoog V. Assista ao vídeo e veja a diferença do som do real e do computadorizado.

Confira algumas peças sinfônicas produzidas com VSTis. Todas estas peças não necessitaram de um músico sequer para realizar a gravação.

Parte 1 – Os sons virtuais

Parte 3 – O novo lugar do músico

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Os sons virtuais

Por Lucilia Bortone e Thiago Menini

As artes sempre estiveram ligadas às tecnologias. Desde a Segunda Revolução Industrial, com o surgimento dos primeiros aparelhos eletrônicos, essa relação se consolidou. Os recursos alteraram a linguagem, a estética e a própria ordem da arte em si. Primeiro foram os microfones que surgiram como componente indispensável para a existência dos telefones no final do século XIX. Depois, já no século XX, em meados dos anos 20 foram os alto-falantes. Na década de 30, Les Paul, criou a primeira guitarra elétrica e Laurens Hammond o órgão elétrico Hammond.

Esses instrumentos passaram a incorporar e a desenvolver novas linguagens, por exemplo, para o Jazz e o Blues. Nos anos 60 foi a vez dos sintetizadores que passaram a integrar o repertório de sons de conjuntos famosos como Emerson Lake e Palmer e Pink Floyd. Os famosos Moogs despertaram a idéia de uma música mais virtual, já que a síntese sonora proporcionou o poder dos músicos criarem sons que antes não eram encontrados na natureza.

Entretanto, a mais nova integração entre tecnologia e música acontece no campo da computação. Desde a década de 60 com os primeiros sintetizadores, os instrumentos passaram a integrar ao conceito do uso de programação e softwares dentro de um instrumento musical. Hoje a tecnologia musical permite criar músicas sem a necessidade de ser gravada por vários músicos assim como também afinar a voz de um cantor. Para o professor de teoria musical da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Daniel Quaranta, “o conceito de tecnologia existe desde que existe música. Pensar a tecnologia é pensar de maneira ampla”.

Estes efeitos e instrumentos conhecidos como VSTs (Virtual Studio Technology) e os VSTis (Virtual Studio Instrument Technology) alteraram a forma de se produzir música. Se há alguns anos era difícil ter um homestudio, hoje é possível ter uma orquestra em casa e até criar trilhas sonoras para filmes.

Tecnologia faz bem?

Dentro do meio musical ainda há muita resistência por parte de alguns músicos com relação ao uso das novas tecnologias, principalmente nos casos onde substituem o trabalho de vários músicos.

Para o professor de flauta transversa e coordenador do curso de Música da UFJF, Bruno Coimbra, compartilha da opinião de que a tecnologia em música deve ajudar os músicos e não eliminar a sua necessidade. “Gosto das tecnologias que auxiliam o meu trabalho e não das que o anulam, provocando problemas no mercado de trabalho”. Bruno ainda complementa, que “você pode pegar uma gravação com flauta e quando vê não foi um flautista que gravou”. (Veja no YouTube).

Para o músico e baixista da banda DeLorean, Pedro Brício, o uso das tecnologias é positivo quando vem para somar ao trabalho. “A tecnologia já está presente nas músicas há tantos anos, que não acho que o futuro da música esteja apenas na tecnologia. Ela vem pra somar, auxiliar. Mas substituir, nunca”. Pedro acredita que a música não deve ficar dependente da tecnologia. “A tecnologia não pode virar o foco principal, senão acaba ficando muito artificial. Existem muitos instrumentos virtuais de altíssima qualidade, mas mesmo assim, uma boa bateria bem gravada ou um piano de calda bem gravados, por exemplo, continuam sendo melhores se forem gravados de verdade”.

O baixista da DeLorean apóia o uso moderado de programas que imitam o som de instrumentos em casos específicos como o de bandas que estão no início de carreira e não possuem recursos financeiros para bancar as horas em estúdio e músicos. “Os afinadores de voz são sempre bem vindos, mas com moderação. Na DeLorean usamos alguns instrumentos virtuais, mas apenas para simular instrumentos reais. Esse negócio de sintetizadores, que estão na moda entre algumas bandas brasileiras, não é a nossa praia. Essa onda já passou”, disse.

O professor de teoria musical da UFJF, Daniel Quaranta, possui uma opinião parecida. Ele diz que “a tecnologia só vem a contribuir, esse pensamento que a tecnologia substituirá o músico é um pensamento próximo daquele em que o piano substituiria o cravo, mas o que aconteceu é que peças foram produzidas para instrumentos diferentes”. Daniel completa, “que se eu não consigo pagar um oboísta, pois o cachê seria alto, e se eu sei usar a tecnologia, ela só vem a facilitar a minha criação”. (Ouça).

Parte 2 – Qual você prefere, original ou VSTi?

Parte 3 – O novo lugar do músico

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ESPECIAL: A febre dos concursos públicos

Buscando estabilidade e bons salários, cada vez mais pessoas disputam vagas no serviço público; em Juiz de Fora, cursinhos preparatórios estão lotados

Por Mariana do Amaral Antunes e Thais Pires

Para William Douglas, o 'guru' dos concursos públicos: "Você não faz para passar, mas faz até passar"

Sabe aquele famoso “QI”, o “quem indica” conhecido dos brasileiros? Antes da Constituição Federal de 1988, a entrada no serviço público era feita dessa forma, sem concursos, por meio de indicação. No início da década de 1990, porém, essa regalia para poucos começava a chegar ao fim. O acesso aos cargos públicos passou a exigir que a pessoa passasse por processos seletivos, que hoje – vinte anos depois -, estão cada vez mais rigorosos e concorridos.


Segundo um levantamento da Associação Nacional de Proteção e Apoio aos Concursos (Anpac), entre os anos de 2003 e 2009, houve um crescimento de 26% no números de funcionários somente no executivo federal. O recrutamento através dos concursos permitiu um aumento de 57 mil servidores neste período.

E não é só na esfera federal que acontece o aumento: visando atuar dentro da lei e fazer do recrutamento um processo justo, empresas e entidades públicas vêm aderindo aos processos seletivos e abrindo vagas nos mais variados setores de atuação.

Acompanhando esse ritmo, é cada vez maior o número de pessoas que enfrentam uma maratona de estudos em busca do tão sonhado emprego público, sinônimo de estabilidade, bons salários e curta jornada de trabalho com relação à iniciativa privada.

Em Juiz de Fora não é diferente. A quantidade dos chamados “concurseiros” só aumenta, e também a procura por cursinhos preparatórios, que aproveitam a boa fase para faturar.  Atualmente na cidade são quinze que oferecem preparação para concursos. As salas estão repletas de candidatos, que investem tempo e dinheiro em busca de uma aprovação.
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As várias faces do DJ

Por Isabel Miranda e Luíza Medeiros


Luzes, performances, tecnologia e música. A união desses elementos transformou a profissão do Disc Jockey, ou DJ, da atualidade. A profissão que inicialmente era muito difícil e cara no Brasil, hoje é muito mais acessível e inovadora.

Enquanto a Era Disco, na década de 70, agitava os clubes em outros países, aqui no Brasil os DJs tinham pouquíssimo espaço nas rádios e dificuldades para se atualizar. Comprar a sua principal ferramenta de trabalho, os vinis, dependia de viagens ao exterior. Muitas vezes, isso fazia com que os profissionais brasileiros ficassem desatualizados.

O iPhone DJ Mixer mixa músicas de aparelhos ligados simultaneamente.

Atualmente, o acesso a música, através de CDs e, principalmente, da internet, além da facilidade em ter contato com equipamentos e programas de mixagem, fazem com que a profissão se popularize. Diante disso, tem surgido uma avalanche de novos DJs fazendo com que seja cada vez mais importante ter um diferencial para se destacar no mercado.

Segundo o DJ residente da casa noturna de Juiz de Fora, Privilège, DJ Eve, a necessidade de diferenciação na área é fundamental para evitar a banalização da profissão. Confira a entrevista com o  Eve.

(Leia mais sobre a história do DJ e as inovações da atualidade)

É show!

Fugir do lugar-comum é também uma preocupação do DJ Moa, que divide o comando da pista nas noites da Privilège com o DJ Eve. Formado em artes cênicas e jornalismo, ele conta que hoje o DJ busca ser um artista. Atuar e criar personagens é uma alternativa. Escute o que Moa tem a dizer.

Com o surgimento das raves a imagem do DJ mudou. Agora, eles fazem tours pelo mundo, se associam às marcas e são aguardados por milhares de pessoas. As apresentações viraram verdadeiros shows.

Antes da apresentação, Gustavo Bravetti testa todos os instrumentos de sua mesa de som. (foto: Isabel Miranda)

Um dos grandes talentos na cena eletrônica atual é o uruguaio, Gustavo Bravetti. Pioneiro na arte do “Live Music Performance” seu trabalho ganhou reconhecimento no mundo inteiro. O artista constrói seu próprio software para produção musical. Gustavo utiliza-se das mais diversas formas para interagir com a música e com o público.

A tecnologia utilizada por Bravetti vai desde os “multi pad surfaces” (bateria eletrônica) e sensores de posição wireless, até luvas de realidade virtual e leds cujos movimentos no ar são utilizados para manipular a música.

Em uma esperada apresentação em Juiz de Fora, Bravetti conta sobre sua carreira e sobre a importância das novas tecnologias para o futuro da profissão. Acompanhe a apresentação e a entrevista de Gustavo Bravetti.

Tecnologia e arte. Essa mistura, segundo DJ Moa, é o segredo para o sucesso de Gustavo Bravetti. De acordo com ele, a Mese-en-scène é um atributo importantíssimo para a diferenciação do profissional. Confira o depoimento de Moa.

DJ Morango , renomado no cenário do funk de Juiz de Fora também acredita que Gustavo Bravetti é referência quando se pensa no futuro da profissão. Morango fala sobre suas experiências e ressalta que a interação com o público é fundamental para se destacar na área. Veja a entrevista.

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